(31) 3235-8100

contato@amarilfranklin.com.br

noticiaNOTÍCIAS

Diferença entre importações e exportações com o país asiático cresceu 8,8%, a US$ 37,4 bilhões.

Por France Presse

02/11/2018

O déficit comercial (volume exportado mais baixo que o importado) dos Estados Unidos voltou a aumentar em setembro, sob efeito de um déficit recorde com a China, informou o Departamento de Comércio nesta sexta-feira (2).

O déficit de bens e serviços ficou em US$ 54 bilhões, com exportações em alta de 1,5% a US$212,6 bilhões e importações igualmente crescentes (+1,5%), a US$ 266,6 bilhões.

O déficit de produtos com Pequim, que cresceu 8,8%, registra o maior nível na história, a US$ 37,4 bilhões.

Guerra comercial

Há anos, os EUA reclamam que a China gera ao país um considerável déficit comercial (que é a diferença do volume exportado entre os dois países).

O governo de Donald Trump alega que o país asiático rouba propriedade intelectual, especialmente no setor de tecnologia, além de violar segredos comerciais das empresas americanas, gerando uma concorrência desleal com o resto do mundo.

Por isso, o combate aos produtos "made in China" é uma bandeira de campanha de Trump que recebeu o apoio de vários países. A meta do governo Trump era reduzir em pelo menos US$ 100 bilhões o rombo com a China.

Publicado em Notícia

Os preços do minério de ferro de alta qualidade vendido pela Vale deverão continuar fortes em 2019, acima dos 90 dólares por tonelada, com a mineradora tirando proveito de grandes prêmios, afirmou à Reuters o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da maior produtora global da commodity, Luciano Siani.

Reuters por Marta Nogueira e Alexandra Alper

02/11/2018

O patamar, sustentado com forte demanda da China pelo produto da Vale, ocorrerá apesar das tensões comerciais do país asiático, seu principal cliente, com os Estados Unidos.

"Vemos os preços bem suportados nos níveis atuais, 60 a 70 dólares, está até um pouco mais alto agora. Isso preço padrão. O minério da Vale deve continuar sendo negociado acima de 90 dólares", disse Siani.

"O minério de Carajás hoje está sendo negociado a 98 dólares, porque os fatores intrínsecos continuam. A chamada 'fly to quality' da China é inexorável.”

Ainda assim, ele reconheceu ser difícil prever os preços de sua principal commodity para além de 2019.

Siani pontuou ainda que a demanda firme deverá sustentar os atuais preços de referência do mercado internacional em torno de 60 a 70 dólares por tonelada por minério de média qualidade ao longo do próximo ano. Atualmente, os valores estão mais altos.

"O que vai definir a demanda por minério de ferro é a continuidade da urbanização, dos investimentos em infraestrutura da China, da produção de automóveis, maquinário", disse Siani, acrescentando que o governo chinês tende a estimular a demanda interna para dar impulso à economia.

Os contratos futuros do minério de ferro na China subiram para o maior nível em quase oito meses na segunda-feira, impulsionados por uma demanda firme pela matéria-prima do aço no maior consumidor global e com uma queda de estoques nos portos chineses na semana passada.

A campanha da China em busca de reduzir a poluição, cortando produção de siderúrgicas mais poluentes, aumentou a necessidade de minério de ferro de alta qualidade, em busca de maior produtividade e redução de emissões, abrindo a porta para fornecedores como a Vale.

SAMARCO

Ao receber a Reuters na sede da Vale no Rio de Janeiro, Siani também revelou que um plano de negócios para a Samarco, uma joint venture entre a companhia e a BHP Billiton, foi distribuído aos credores da empresa nesta semana, um passo fundamental para a retomada das operações da empresa, atualmente prevista para 2020.

A expectativa é que, com o plano de negócios, a Samarco possa começar a renegociar as suas dívidas, não detalhadas por Siani. Em 2017, a Samarco informou que havia cerca de 3,8 bilhões de dólares em dívidas, sendo 1,6 bilhão com bancos e 2,2 bilhões com detentores de bônus.

"Os credores receberam essa semana o plano de negócios da Samarco, vão fazer as suas diligências, vão contratar os seus consultores, vão começar a haver rodadas de negociações", afirmou Siani, sem informar prazos.

As atividades da Samarco estão paralisadas há cerca de três anos, quando uma barragem de rejeitos de minério de ferro em Mariana (MG) se rompeu, deixando 19 mortos, centenas de desabrigados e poluindo o rio Doce, que percorre diversas cidades até atingir o mar capixaba.

Em junho, a Samarco e suas controladoras assinaram um importante acordo de governança com o Ministério Público Federal e outras autoridades a respeito de decisões relativas a compensações dos atingidos, naquele que foi considerado o maior desastre socioambiental do país. O acordo trouxe mais clareza para a retomada da empresa.

"O plano de negócios estabelece as condições da retomada, como será o aumento da produção, quais os investimentos necessários, como é o fluxo de caixa da companhia, o que vai sobrar para pagar a dívida", adiantou Siani, que evitou apresentar detalhes.

O executivo pontuou que a empresa precisará de soluções alternativas para depositar os rejeitos, além de uma cava que já está em construção. Uma possibilidade é construir meios de filtrar o rejeito da empresa, para empilhar uma parte e diminuir o volume. "Esses detalhes fazem parte do plano", pontuou.

METAIS BÁSICOS

Em meio às boas notícias sobre o minério de ferro, a empresa tem antecipado também um bom cenário futuro para o mercado de metais básicos, aguardando um aumento de preços de níquel nos próximos anos, como resultado de uma esperada demanda para a fabricação de baterias para carros elétricos.

Por enquanto, vem trabalhando para agregar mais valor aos seus ativos, incluindo a busca por um parceiro para investir em seu ativo de níquel e cobalto Vale Nova Caledônia (VNC), localizado em ilha do Pacífico Sul. Chegou a haver especulação no mercado sobre a possibilidade de hibernar o projeto.

"Eu diria que o pêndulo está oscilando mais na direção de manter o ativo (operacional) devido à sua importância estratégica para o mercado de veículos elétricos", disse Siani, acrescentando que precisaria investir 350 milhões de dólares, em três anos, na expansão do sistema de depósito de rejeitos da VNC.

Em uma teleconferência na semana passada, o diretor-presidente da empresa, Fabio Schvartsman, disse que a Vale terá notícias sobre VNC em breve. Acima do orçamento e com anos de atraso quando finalmente começou em 2010, o projeto acumulou quase 1,3 bilhão de dólares em perdas entre 2014 e 2016.

Siani também descartou investir em lítio, reiterando que a empresa está estudando aquisições de ativos pequenos, portanto de baixo valor, próximos a operações da empresa e que podem ser integrados facilmente.

Publicado em Notícia

Recurso é uma resposta à queda nas exportações brasileiras de açúcar desde que a China impôs uma tarifa adicional de 45% no ano passado.

 

Por Reuters

22/10/2018

 

O Brasil lançou uma denúncia contra a China na Organização Mundial do Comércio para contestar as restrições chinesas às importações de açúcar, segundo documento publicado pela OMC nesta segunda-feira (22). O governo brasileiro já tinha anunciado que iria recorrer contra sobretaxas aplicadas pela China ao produto.

O Brasil disse estar questionando a medida de "salvaguarda" da China sobre o açúcar importado, a administração de sua cota tarifária e seu sistema de "licenciamento automático de importação" para o açúcar extra-cota.

O recurso do Brasil à OMC, confirmando o movimento aprovado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em 31 de agosto, é uma resposta à queda nas exportações brasileiras de açúcar desde que a China impôs uma tarifa adicional de 45% no ano passado.

A tarifa foi reduzida para 40% em maio e será cortada para 35% em maio de 2019. A taxa é adicional à tarifa regular para o açúcar, que é de 15% sobre as primeiras 1,945 milhão de toneladas e 50% sobre quaisquer importações fora dessa cota, disse o documento brasileiro.

O Acordo de Salvaguardas da OMC permite que esse tipo de tarifa seja adotada temporariamente para conter um aumento súbito e imprevisto das importações que possa prejudicar os produtores nacionais.

Mas há condições que precisam ser cumpridas para que as regras sejam aplicadas, e o Brasil disse que a China quebrou 12 regras da OMC com suas salvaguardas, cinco regras com suas cotas e 13 com seu sistema de licenciamento.

O Brasil disse que o sistema de licenciamento automático de importações (AIL, na sigla em inglês), aplicado às importações fora da cota, não é "automático".

"A aprovação é concedida apenas até o nível máximo aprovado pelo MOFCOM", disse o Brasil, referindo-se ao Ministério do Comércio da China.

"Além disso, sob o sistema AIL, se as importações aumentarem muito rapidamente, o MOFCOM pode reduzir ou interromper a emissão de licenças para importação de açúcar a qualquer momento. A China está, portanto, restringindo a importação de açúcar extra-cota."

O Ministério do Comércio da China informou na semana passada que suas medidas de salvaguarda sobre as importações de açúcar estavam de acordo com as regras da OMC.

Ao lançar uma disputa, o Brasil abriu uma janela de 60 dias para a China tentar resolver o assunto com negociações. Depois disso, o Brasil poderia solicitar um painel de disputas na OMC.

Isso provocaria um litígio que levaria anos, mas poderia levar a China a ser obrigada a abandonar suas restrições ao açúcar ou enfrentar sanções comerciais em potencial, se ficar comprovado que suas políticas de açúcar infringirem as regras.

O Brasil havia proposto que a China isentasse uma quantidade limitada de açúcar brasileiro da salvaguarda, mas a China resistiu ao plano, disse uma fonte próxima às negociações em abril.

Publicado em Notícia

Fundo cortou suas estimativas de crescimento global devido à intensificação da guerra comercial entre EUA e China e aos crescentes apertos financeiros nos mercados emergentes.

 

Por Reuters

 

10/10/2018

 

Os riscos ao sistema financeiro global aumentaram ao longo dos últimos seis meses e podem se elevar com força se as pressões nos mercados emergentes ampliarem ou as relações comerciais globais se deteriorarem mais, disse nesta quarta-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

O FMI, cujas reuniões com o Banco Mundial iniciam nesta semana na ilha indonésia de Bali, também destacou que embora a estabilidade financeira tenha sido sustentada por reguladores na década desde a crise financeira global de 2008, condições financeiras frouxas estão contribuindo para um aumento dos problemas potenciais relacionados aos altos níveis de dívida e avaliações "alongadas" de ativos.

 

Mas novos regimes de resolução bancária para evitar resgates financeiros futuros são em grande medida não testados, disse o Fundo em sua atualização bianual de estabilidade financeira global.

 

"Os riscos de curto prazo à estabilidade financeira global aumentaram um pouco", disse o FMI. "No geral, os participantes do mercado parecem complacentes sobre o risco de um forte aperto nas condições financeiras."

 

O Fundo destacou que o crescimento econômico parece ter atingido um pico em algumas importantes economias enquanto a diferença entre países avançados e mercados emergentes está se ampliando. Na terça-feira o FMI cortou suas estimativas de crescimento global devido à intensificação da guerra comercial entre EUA e China e aos crescentes apertos financeiros nos mercados emergentes.

 

Novas pesquisas do FMI mostram que países emergentes com exceção da China podem enfrentar fluxos de saída de capital de até 100 bilhões de dólares, nível visto pela última vez durante a crise financeira global.

 

O Fundo citou uma série de outros riscos de curto prazo à estabilidade financeira, incluindo a possibilidade de um "não-acordo" do Brexit ou renovadas preocupações sobre política fiscal em alguns países endividados da zona do euro.

 

Publicado em Notícia

Dado é outro sinal de que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China está afetando as fábricas no restante do mundo também.

Por Reuters

01/10/2018

O crescimento da indústria da zona do euro desacelerou para a mínima de dois anos no final do terceiro trimestre, em outro sinal de que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China está afetando as fábricas no restante do mundo também, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

O PMI final de indústria do IHS Markit caiu em setembro para a mínima de dois anos de 53,2 ante 54,6 em agosto e preliminar de 53,3, mas ainda acima da marca de 50 que separa crescimento de contração.

O subíndice de produção atingiu o menor patamar em mais de dois anos de 52,7, contra 54,7 em agosto.

Preocupação com barreiras comerciais

Os empresários do setor industrial estão cada mais preocupados com as barreiras ao comércio mundial, o que ficou claro com as leituras de indicadores antecedentes. O subíndice de novas encomendas de exportação caiu para a mínima de mais de cinco anos de 50,2, contra 52,0 no mês anterior.

"A indústria da zona do euro desacelerou mais um pouco no final do terceiro trimestre. O setor viu o forte crescimento no início do ano rapidamente perder força para o pior desempenho em dois anos em setembro uma vez que o crescimento da produção e do emprego desacelerou em resposta à estagnação das exportações", disse Chris Williamson, economista-chefe do IHS Markit.

Publicado em Notícia

Segundo Azevêdo, interrupção da cooperação internacional reduzirá o crescimento do comércio global em torno de 70% e a expansão do PIB em 1,9%.

 

Por Reuters

 

25/09/2018

 

Uma guerra comercial em escala total teria efeitos sérios sobre o crescimento econômico global e não haveria vencedores em tal cenário, afirmou nesta terça-feira (25) o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo.

 

Falando em um evento da indústria em Berlim diante do cenário de crescentes tensões comerciais entre China e Estados Unidos, Azevêdo afirmou:

 

"As luzes de alerta estão piscando. Uma contínua intensificação das tensões representará uma ameaça adicional à estabilidade, aos empregos e ao tipo de crescimento que estamos vendo hoje."

 

Uma guerra comercial global em escala total com interrupção da cooperação comercial internacional reduzirá o crescimento do comércio global em torno de 70% e a expansão do PIB em 1,9%, disse Azevêdo.

 

"Não haverá vencedores de tal cenário e toda região será afetada", disse Azevêdo. A própria União Europeia terá cerca de 1,7% retirado de seu crescimento do PIB, disse ele, acrescentando: "Claramente, não podemos deixar isso acontecer."

 

Azevêdo citou várias propostas de reformas que lidam com práticas de distorção comercial e mecanismos existentes da OMC para resolver disputas comerciais, acrescentando que os membros precisam concordar com quais reformas querem se concentrar.

 

Segundo ele, a cúpula do G20 em Buenos Aires em novembro será crucial para definir os próximos passos para proteger o livre comércio com bases em regras.

 

Publicado em Notícia

Diretor destacou, porém, que ainda não há números para projeto de minério de ferro S11D.

Por Reuters

20/09/2018

A gigante da mineração Vale está avaliando a expansão de seu emblemático projeto de minério de ferro S11D, no Pará, disse um executivo da companhia, em busca de ganhos com o crescente apetite por variedades da commodity com alto teor em seu maior mercado, a China.

O S11D foi inaugurado no final de 2016 e foi anunciado como o "maior projeto de minério de ferro da história da empresa e da indústria da mineração", com investimentos totais anunciados de US$ 14,3 bilhões.

Maior consumidora global de minério utilizado na produção de aço, a China aumentou suas compras de minério de ferro de maior qualidade, menos poluente, em meio a sua batalha contra a poluição em suas cidades.

Peter Poppinga, diretor-executivo da Vale, disse durante uma conferência do setor na China que a maior mineradora de ferro do mundo já estuda a expansão do projeto S11D mesmo sem ter ainda alcançado a plena capacidade da unidade, inaugurada em dezembro de 2016.

"Dadas todas essas tendências sobre a qualidade, favoráveis a nós, estamos estudando aumentar o projeto, mas ainda não há números", disse Poppinga.

Na veséra, a Vale superou a fabricante de bebidas Ambev e se tornou a empresa mais valiosa da bolsa de valores paulista B3, atingindo valor de mercado de R$ 305,07 bilhões.

Produção da Vale

Pesados investimentos no projeto, que extrai minério de ferro de elevado teor, aumentaram as dívidas da Vale nos últimos anos, o que coincidiu com uma forte queda nos preços do minério de ferro.

Poppinga disse que a produção de minério de ferro do S11D deve ficar próxima de 90 milhões de toneladas no próximo ano, ante cerca de 60 milhões de toneladas atualmente.

Ele afirmou, no entanto, que a Vale pretende manter sua produção total em cerca de 400 milhões de toneladas, substituindo minério de ferro de menor qualidade pelo material de alto teor.

"Acreditamos que esse é um nível saudável daqui pra a frente, quando você pensa em otimização de margens", disse Poppinga.

"Nós não estamos atrás de participação no mercado, nós estamos atrás de valor e não de volume".

Ele adicionou que espera que quase 90% da capacidade chinesa de produção de aço esteja de acordo com novos padrões para emissões até 2025.

Publicado em Notícia

Na véspera, Trump anunciou tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses em uma nova rodada da guerra comercial envolvendo os dois países.

Por G1

18/09/2018

A China informou nesta terça-feira (18) que vai adotar "represálias" após o anúncio dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobe US$ 200 bilhões em produtos chineses, aumentando o risco de que o presidente norte-americano, Donald Trump, possa em breve adotar taxas sobre praticamente todos produtos chineses que o país compra.

"Para proteger seus direitos e interesses legítimos, assim como a ordem mundial do livre comércio, a China se verá obrigada a adotar medidas de represália de maneira recíproca", afirmou o Ministério do Comércio.

Através de um comunicado, o ministério afirmou que a China lamenta "profundamente" a decisão dos EUA e afirmou que a medida trará "novas incertezas" para as negociações comerciais em curso entre os dois países.

"A China sempre enfatizou que a única maneira correta de resolver a questão comercial entre China e EUA é através de negociações e consultas realizadas em uma base de respeito igual, sincero e mútuo. Mas nesse momento, tudo que os EUA fazem não dá a impressão de sinceridade ou boa vontade", acrescentou o governo chinês.

Os índices acionários se recuperar à tarde e fecharam em alta depois que Pequim prometeu revidar. Os ganhos nos papéis de infraestrutura sustentaram o mercado, com alguns investidores apostando que a China aumentará o investimento em estradas e pontes para compensar o impacto da última rodada de tarifas de Trump, grande parte da qual já foi precificada pelos mercados.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 2%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 1,82%.

EUA ameaçam sobretaxas adicionais

Na véspera, os Estados Unidos anunciaram a cobrança de novas tarifas para importação de produtos chineses em uma nova rodada da guerra comercial envolvendo os dois países.

A Casa Branca informou que EUA vão impor, a partir do próximo dia 24, sobretaxa de 10% sobre cerca de US$ 200 bilhões em importações da China, ameaçando ainda com taxas sobre mais US$ 267 bilhões se a China retaliar.

Trump considera que o déficit comercial dos EUA no comércio com a China, de US$ 376 bilhões anuais, é inaceitável e tem que ser redimensionado.

Trump alertou na segunda-feira que se a China adotar medidas retaliatórias contra as indústrias ou os agricultores norte-americanos "vamos buscar imediatamente a fase três, que trata-se de tarifas sobre aproximadamente US$ 267 bilhões em importações adicionais".

A escalada das tarifas de Trump sobre a China ocorre após negociações entre as duas maiores economias do mundo para resolver diferenças comerciais não produzirem resultados. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, convidou na semana passada altos funcionários chineses para uma nova rodada de negociações, mas até agora nada foi marcado.

Esse conflito parece, até o momento, ter pouco efeito na primeira economia mundial, embora as medidas de represália sejam sentidas em algumas regiões e setores de atividade.

O Tesouro americano advertiu em várias ocasiões que a maior ameaça para o crescimento econômico americano era uma guerra comercial.

A Câmara de Comércio dos EUA na China (AmCham China) criticou as novas tarifas e afirmou que as empresas americanas que operam no gigante asiático serão prejudicadas.

Escalada da tensão comercial

O governo dos Estados Unidos tem adotado uma série de medidas conta produtos chineses e de outras economias. Até então, a administração Trump tinha anunciado tarifas sobre US$ 50 bilhões de importações da China. Desse montante, US$ 34 bilhões estavam sobretaxados desde julho. Os outros US$ 16 bilhões começaram a ser sobretaxados em agosto.

As ações dos EUA tentam pressionar a China a fazer mudanças radicais na sua política comercial, na transferência de tecnologia e em subsídios industriais para o setor de alta tecnologia.

O governo chinês tem adotado represálias ao movimento dos EUA. Em agosto, Pequim também adotou tarifas de 25% para US$ 16 bilhões de produtos americanos.

Desde agosto, as tarifas de importação adotadas mutuamente por Estados Unidos e China já alcançavam US$ 100 bilhões de dólares.

Publicado em Notícia

No acumulado até agosto, investimentos em capital fixo cresceram 5,3% em ritmo anual, contra 5,5% nos sete primeiros meses do ano.

Por France Presse

14/09/2018

Os investimentos em infraestruturas registraram uma desaceleração recorde em agosto na China, um sinal alarmante para o país em plena guerra comercial com os Estados Unidos por envolver um motor crucial de seu crescimento.

Os dados do Escritório Nacional de Estatísticas (BNS) confirmam a sombria conjuntura na segunda maior economia mundial, embora o consumo e a produção industrial apresentem bons resultados.

No período janeiro agosto, os investimentos em capital fixo cresceram 5,3% em ritmo anual, resultado inferior aos sete primeiros meses do ano (+5,5%) e o menor ritmo registrado até hoje.

A desaceleração é preocupante porque este indicador mede os gastos no setor imobiliário, nas infraestruturas de transporte e industriais, pilares do crescimento chinês, geralmente alimentados com investimentos públicos.

Tudo isto acontece em um contexto de guerra comercial com os Estados Unidos, iniciada em julho e que envolve a adoção de tarifas de importação mútuas.

"O conflito comercial tem um impacto e joga sombras sobre a recuperação mundial", declarou Mao Shengyong, porta-voz do BNS.

Crédito sob pressão

A conjuntura chinesa já estava fragilizada pelos esforços do governo para conter o endividamento colossal do país.

O trabalho inclui uma ação contra as "finanças das sombras" (não reguladas), restringir o endividamento de grupos locais, com o endurecimento das condições de crédito, o que freia os investimentos públicos.

Assim, os investimentos específicos em infraestruturas cresceram apenas 4,2% nos oito primeiros meses do ano, o menor resultado desde que o índice passou a ser publicado.

Ao mesmo tempo, as vendas no varejo, que refletem o consumo das famílias, aumentaram mais que o previsto em agosto (9%), acima do resultado de julho (+8,8%).

A produção industrial cresceu 6,1%, dado esperado pelo mercado.

O conjunto de estatísticas, no entanto, "não apontam nada que modifique nossa visão de um crescimento que está em trajetória descendente", opinou Julian Evans-Pritchard, analista da Capital Economics.

"A política de recuperação adotada por Pequim não obteve a mudança esperada nos gastos em infraestruturas ou no aumento do crédito", completou.

Em consequência da guerra comercial e da conjuntura frágil, o governo se comprometeu em julho a aplicar uma política orçamentária "mais ativa" para estimular a economia, com reduções fiscais e mais gastos públicos.

Mas estas medidas devem demorar a surtir efeito. E para complicar ainda mais, Washington ameaça aumentar as tarifas para outros produtos chineses, no valor de 200 bilhões de dólares.

No atual contexto, o presidente americano Donald Trump compara a saúde das duas economias: "Não temos nenhuma pressão para negociar um compromisso com a China (...) Nossos mercados disparam, os deles afundam", escreveu no Twitter na quinta-feira.

O regime comunista tem pela frente um difícil jogo de equilíbrio: reformar sua economia em detrimento da indústria pesada e em benefício do consumo interno, dos serviços e das novas tecnologias, mas ao mesmo tempo reduzir a dívida e amortizar os efeitos da guerra comercial.

Mas a aposta é complicada, como aponta Ting Lu, analista do banco Nomura.

"A margem de manobra foi consideravelmente reduzida", afirma.

Publicado em Notícia
Quarta, 12 Setembro 2018 14:17

Países se aliam para tentar salvar a OMC

Diante de ameaça de Trump, membros buscam nova constituição para a organização; China pede autorização para retaliar EUA em US$ 7 bi

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018

Liderados por Canadá e Europa, governos de diferentes partes do mundo começam a costurar uma aliança para salvar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e impedir que as políticas de Donald Trump enterrem o sistema internacional. Princípios de uma nova constituição para a entidade serão debatidos a partir do dia 20 em Genebra, com o objetivo de levar o assunto a uma conferência ministerial em outubro no Canadá.

Nos últimos meses, Trump passou a minar o funcionamento da OMC, desmontar seus tribunais, ignorar decisões e ainda ameaçar deixar a instituição caso ela não passe por uma reforma que atenda a seus interesses. Nos corredores da entidade, o tom não é mais de crise. Mas de uma ameaça para a sobrevivência da instituição que passou a regular o comércio mundial nos últimos 20 anos.

Diante desse cenário, os canadenses começaram a desenhar uma reforma que pudesse atender a três objetivos: garantir que os tribunais da OMC continuem a funcionar, modernizar as leis do comércio e criar mecanismos para permitir que a OMC possa monitorar comportamentos protecionistas de forma mais eficiente.

Um dos principais pontos de uma reforma, porém, será a nova posição da China nas regras do comércio. Pequim aderiu à OMC no início do século e se beneficiou de regras que dão flexibilidade maior para os países emergentes.

Trump, porém, alega que foram essas brechas que permitiram que a China se tornasse em pouco tempo o maior parceiro comercial de mais de cem países e deslocasse a produção americana.

O rascunho de uma reforma começou a circular no momento em que a tensão entre Washington e Pequim ganhou um novo capítulo. Na terça-feira, a China pediu a autorização da OMC para impor retaliações de US$ 7 bilhões contra produtos americanos, em resposta à decisão da Casa Branca de não cumprir um julgamento dos tribunais internacionais que condenaram suas políticas de dumping.

A aplicação da retaliação promete causar mais atrito em uma relação já azedada por uma série de troca de farpas e de tarifas entre as duas economias. No caso específico em questão, Pequim alegava que os americanos impunham tarifas antidumping contra produtos eletrônicos e máquinas, além de metais. A OMC acabou dando razão em 2017 para os chineses e ordenou que os EUA retirassem as medidas, o que jamais foi feito. A entidade deu até o dia 22 de agosto para Washington reformar suas práticas. Mas Trump ignorou a decisão.

Publicado em Notícia
InícioAnt123PróximoFim
Página 1 de 3