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Apesar de alta do dólar, mercado prevê que Copom fará novo corte nos juros, para 6,25% ao ano

Recente valorização do dólar encarece produtos e serviços importados e pode pressionar os preços no Brasil. Se novo corte for confirmado, Selic atingirá nova mínima histórica.

Por Alexandro Martello, G1, Brasília

16/05/2018 05h00 Atualizado há 4 horas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve promover, nesta quarta-feira (16), um novo corte no juro básico da economia, a Selic, de 6,5% ao ano para 6,25% ao ano, de acordo com aposta que é quase consenso entre os analistas do mercado financeiro.

A previsão dos economistas no novo corte ocorre apesar da disparada do dólar nas últimas semanas, que pode pressionar a inflação no Brasil (leia mais abaixo neste texto).

Se a estimativa se confirmar, a taxa Selic atingirá novo piso da série histórica do Banco Central, que tem início em 1986. A decisão será anunciada após as 18h desta quarta.

Além de apostar na nova redução, o mercado também prevê que deve ser a última do atual ciclo, que começou em outubro de 2016. Nesse período, o Copom promoveu 12 cortes seguidos na Selic, em um cenário de recuperação lenta da atividade econômica que tem resultado em inflação bem comportada.

O mercado financeiro avalia ainda que os juros devem permanecer em 6,25% ao ano até o fim de 2018. Para o fim de 2019, porém, a estimativa dos economistas para os juros básicos está em 8% ao ano. Ou seja, a expectativa é de alta nos juros no ano que vem.

Alta do dólar e decisões do Copom

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o BC reduz os juros - é o que vem acontecendo nos últimos meses. Para 2018, o mercado estima um IPCA de 3,45%.

A recente alta do dólar, porém, tem potencial para gerar pressões inflacionárias no Brasil. Isso porque os produtos, insumos e serviços importados ficam mais caros conforme a moeda norte-americana se valoriza.

Se a inflação está alta e foge da meta ou as estimativas indicam isso, o BC tende a elevar a Selic. A expectativa é que os juros cobrados pelos bancos também subam e que isso leve as pessoas a consumir menos, o que normalmente gera queda da inflação (além de afetar a economia e gerar desemprego).

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Heron do Carmo, especialista em inflação, observou que, apesar da recente alta do dólar, há números que indicam que a inflação deve continuar baixa no Brasil, o que justifica a aposta do mercado no novo corte da Selic.

Carmo apontou que a inflação em 12 meses até abril ficou em 2,76%, bem abaixo do piso da meta de inflação do Banco Central para este ano, que é de 3%. Além disso, avaliou ele, a recuperação da economia brasileira, que também poderia pressionar a alta dos preços, ocorre de maneira "muito lenta", e o chamado repasse da alta do dólar para a inflação é pequeno.

"Atualmente, em uma conta grosseira, 100% de alta do dólar deve dar menos de 5% de inflação. E também precisa ver se esse movimento [de valorização] do dólar se mantém", disse Carmo.

O professor da USP lembrou que o próprio Banco Central tem instrumentos para tentar conter a alta da moeda norte-americana, como os contratos de "swap cambial" - que funcionam como uma venda de moeda no mercado futuro, com reflexos no mercado à vista -, além de leilões de linha (venda de dólar no mercado, com compromisso de recompra).

Por fim, Carmo observou que o IPCA, índice utilizado no sistema de metas de inflação brasileiro, é menos sensível ao dólar.

"No IPCA, a participação maior é de serviços. E temos um desemprego muito grande na economia brasileira", concluiu ele.

Rendimento da poupança

Se confirmado o novo recuo da Selic nesta quarta, o rendimento da poupança também deverá cair a partir desta quinta-feira (17).

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5%.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

A medida visa evitar que a poupança fique mais atrativa que os demais investimentos, cujos rendimentos caem junto com a Selic. Sem o redutor, a poupança passaria a atrair recursos de grandes poupadores, que deixariam de comprar títulos públicos.

Se o juro básico da economia recuar para 6,25% ao ano, a partir desta quinta a correção da poupança passará a ser de 70% desse valor - o equivalente a 4,375% ao ano, mais Taxa Referencial.

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Copom se reúne nesta quarta e deve baixar juro para 6,75% ao ano

Se confirmado, será o 11º corte seguido na Selic. Expectativa de economistas ouvidos pelo Banco Central é de que, após este corte, taxa ficará estável até o início de 2019, quando voltará a subir.

Por Alexandro Martello e Yvna Sousa, G1 e TV Globo, Brasília

07/02/2018 06h00 Atualizado há 1 hora

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne pela primeira vez no ano nesta quarta-feira (7) e deve baixar a taxa básica de juros de 7% para 6,75% ao ano, de acordo com expectativa do mercado financeiro. A decisão do colegiado será divulgada após as 18h.

Se confirmada a previsão dos economistas, a Selic será reduzida pela 11ª vez consecutiva e alcançará o menor patamar desde a adoção do regime de metas para a inflação, em 1999. Também será a menor taxa de juros de toda a série histórica do BC, iniciada em 1986.

A expectativa do mercado financeiro é colhida semanalmente pelo Banco Central, que depois a disponibiliza por meio do relatório Focus. De acordo com o mais recente relatório, os analistas esperam que o corte nesta quarta será o primeiro e o último de 2018, e que a Selic permanecerá no patamar de 6,75% até o começo de 2019.

A partir daí, preveem os economistas, os juros devem voltar a subir e atingiriam 8% ao ano no fechamento do ano que vem.

Como o BC define a Selic

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%. Para 2019, é de 4,25%. O sistema, porém, prevê uma margem de tolerância, para cima e para baixo. Isso significa, por exemplo, que a meta não seria descumprida pelo Banco Central caso a inflação neste ano ficasse entre 2,5% e 6,5%.

Normalmente, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. A expectativa é que a subida da taxa também eleve os juros cobrados pelos bancos, ou seja, que o crédito fique mais caro, e com isso freie o consumo, fazendo a inflação cair. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC reduz os juros. É o que está acontecendo neste momento. Para 2018 e 2019, o mercado estima um IPCA de 3,94% e de 4,25%, respectivamente.

Tensões nos mercados

A reunião do Copom acontece em um momento de maior tensão nos mercados financeiros, que reagem a dados, divulgados na semana passada, de que os salários avançaram 2,9% nos Estados Unidos em janeiro - a maior alta anual em 9 anos.

Essa variação pode indicar que as pressões inflacionárias estão mais fortes nos EUA e influenciar as futuras decisões do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sobre a taxa de juros americana, que, segundo analistas, pode acabar subindo mais do que os 0,75 ponto percentual esperado até o momento para 2018.

Uma eventual alta maior dos juros influencia negativamente o mercado de ações do país e de outras nações. Isso porque esse aumento representaria mais juros pagos nos títulos públicos dos EUA, atraindo recursos de todo mundo, inclusive do Brasil.

Uma das consequências para a economia brasileira pode ser a pressão de alta sobre o dólar, o que não é bom para a tendência da inflação nos próximos meses, pois os produtos e insumos importados ficariam mais caros. Quando isso acontece, geralmente há repasse para os preços internos.

Rendimento da poupança

Se confirmado o novo recuo da Selic nesta quarta, o rendimento da poupança também deverá cair a partir desta quinta (8).

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5%.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

A medida visa evitar que a poupança fique mais atrativa que os demais investimentos, cujos rendimentos caem junto com a Selic. Sem o redutor, a poupança passaria a atrair recursos de grandes poupadores, que deixariam de comprar títulos públicos.

Se o juro básico da economia recuar para 6,75% ao ano, a partir desta quinta a correção da poupança passará a ser de 70% desse valor - o equivalente a 4,725% ao ano, mais Taxa Referencial. 

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