(31) 3235-8100

contato@amarilfranklin.com.br

noticiaNOTÍCIAS

Intervenção no Rio ameaça tramitação da reforma da Previdência

Constituição não pode sofrer modificações durante intervenção federal

FOLHA DE SÃO PAULO, 16.fev.2018 às 1h43

A decisão do governo federal de decretar intervenção na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro pode suspender a tramitação da reforma da Previdência no Congresso.

De acordo com um dispositivo do texto constitucional, a Constituição não pode sofrer modificações "na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio".

As mudanças nas regras previdenciárias estão sendo feitas por meio de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) e, portanto, teriam de ser paralisadas no período, assim como as demais alterações constitucionais.

De acordo com o governo, o decreto terá validade até dezembro deste ano. Para votar a reforma, seria necessária a suspensão da intervenção no Estado fluminense.

A hipótese de suspender o decreto para votar a reforma foi levantada durante reunião do presidente Michel Temer na noite de quinta-feira (16) com ministros e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). Estavam presentes os ministros da equipe econômica Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento).

Esta semana, o governo anunciou o mês de fevereiro como prazo limite para aprovação da reforma na Câmara. Há uma dificuldade, contudo, em conquistar entre os deputados os 308 votos necessários para que o projeto tenha validade. Por ser uma PEC é necessária análise em dois turnos na Casa antes de o texto ser enviado ao Senado.

Publicado em Notícia

Brasil avançará mais no mercado de commodities estimam EUA

Usda prevê que país tenha 47% do mercado de soja e 46% do de frango em dez anos

FOLHA DE SÃO PAULO, 16.fev.2018 às 2h00

Estimativas são previsões que nem sempre se confirmam, mas, a apostar no que diz um relatório do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) desta quinta-feira (15), o Brasil abocanhará uma boa parcela do mercado mundial de commodities nos próximos dez anos.

O país será responsável pelo fornecimento de quase metade (47%) dos 205 milhões de toneladas da soja que será comercializada no mundo daqui a uma década.

Na ocasião, a carne de frango brasileira responderá por 46% dos 14 milhões de toneladas vendidos, e à carne bovina e ao milho estará destinada participação maior no mercado mundial, chegando cada um a um quarto do total comercializado.

Para assegurar que a previsão se concretize —e, quem sabe, até mesmo ir além delas—, o Brasil terá de ficar de olho em alguns países. Um deles é o México, que vai elevar as importações de quase todos os principais produtos exportados pelo Brasil.

O Usda estima que, para garantir o abastecimento interno, o México, em dez anos, vá elevar em 60% a compra de milho. Tudo indica que vá enfrentar dificuldades também para suprir a demanda interna de proteínas, o que levará a um aumento de 80% na compra de carne bovina e de 40% na de frango, considerados os volumes atuais.

Se, por um lado, o Brasil ainda precisa conquistar o México, por outro, sua relação com a China pode ser considerada estável graças ao volume de importação desta e ao potencial de produção daquele.

Em dez anos, a China vai ter uma elevação de 47% na importação de soja, atingindo um patamar de 143 milhões de toneladas da oleaginosa. Mas não vai ficar nisso: os chineses vão incrementar também as compras de milho. Em 2028, deverão adquirir 7,5 milhões de toneladas do cereal, um aumento de 150%.

Segundo as previsões do Usda, a elevação do padrão de renda na China tornará o país mais dependente do mercado externo também em relação à aquisição de proteínas. As importações de carne bovina deverão crescer 73%, atingindo 1,6 milhão de toneladas, e as de frango, 36%, num total de 660 mil toneladas.

Em 2024, tudo indica que os chineses já terão desbancado os americanos, assumindo a liderança mundial nas compras externas de carne bovina. Os países desenvolvidos deverão manter as compras de commodities e de proteínas nos próximos dez anos.

O Brasil precisa abrir ainda mais as porteiras para os países em desenvolvimento da América Central, da África, do Oriente Médio e da Ásia. O Vietnã, por exemplo, está na lista dos que aumentam de forma acelerada as importações de milho, de soja e de carnes.

Enquanto o Brasil eleva a participação mundial na venda de alimentos, os Estados Unidos perdem espaço, tanto em grãos como em proteínas.

Para onde vai - O Brasil deverá produzir 341 milhões de toneladas de grãos em 2027. A estimativa é do Usda, que prevê um aumento de 5 milhões de hectares na área de produção brasileira.

Alívio - A queda de preços da soja, da carne bovina, do frango e de aves ajudou o IGP-10 da FGV recuar 1% neste mês. Já o tomate e a mandioca estiveram entre as principais altas no período.

Syngenta - As vendas somaram US$ 12,7 bilhões no ano passado, 1% menos do que em 2016. O setor de proteção às lavouras foi um dos responsáveis pela queda, recuando 3% no período.

Em alta - As vendas de produtos da multinacional subiram em todas as principais regiões produtoras do mundo, com exceção da América Latina, onde houve recuo de 12%.

Brasil - O país teve uma boa responsabilidade na queda de vendas na América Latina. Os estoques de produtos das revendedoras e das cooperativas estavam elevados.

Desafiador - Para Erik Fyrwald, presidente da empresa, o mercado agrícola continua desafiador devido aos baixos preços dos grãos.

Laranja - A safra de laranja de São Paulo e do Triângulo Mineiro deverá ser de 397,3 milhões de caixas, 3% mais do que se previa em dezembro. A elevação se deve ao aumento dos frutos, segundo o Fundecitrus.

Publicado em Notícia

Acionistas minoritários protocolam queixa na Anatel contra executivos da Oi

Associação questiona atuação da atual diretoria e fala em 'histórico de práticas ilegais dos atuais administradores'.

Por Valor Online

15/02/2018 17h51 Atualizado há 14 horas

A Associação dos Investidores Minoritários (Aidmin) informou nesta quinta-feira (15), por meio de nota, que protocolou notificação na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com queixa contra gestores da Oi por supostas práticas ilegais que teriam causado prejuízos à companhia, a seus acionistas e clientes.

A notificação cita especificamente o presidente da Oi, Eurico Teles; o diretor financeiro, Carlos Augusto Brandão; e o presidente do conselho de administração transitório da operadora, José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha.

O texto menciona uma suposta associação criminosa entre antigos acionistas, diretores, membros e ex-membros da administração da Oi, os quais teriam “de forma organizada, metódica e frequente praticado ao longo de anos atos ilegais” com a finalidade de obter vantagens.

Representantes da Aidmin estiveram presentes à reunião de acionistas realizada no Rio de Janeiro, em 7 de fevereiro, tendo votado pela abertura de processos de responsabilidade civil contra Teles e Brandão, em linha com o posicionamento da Pharol (ex-Portugal Telecom) e com o investidor Nelson Tanure. Tanto a Pharol como Tanure vêm se

Oi manifesta estanheza e diz que tomará medidas

Em comunicao, a Oi manifestou "estranheza as manifestações da Aidmin" e disse que tomará as devidas medidas para proteger sua reputação e seu negócio.

"Insatisfação em face do resultado de uma assembleia legítima homologada pela Justiça é uma coisa. Outra, bem distinta e injustificável, é proferir acusações desprovidas de fundamentos, lançadas por uma suposta entidade representativa de minoritários, de forma a tentar prejudicar pessoas e desviar o foco que se tem de dar ao processo de Recuperação Judicial e ao soerguimento das recuperandas", afirmou

No último dia 8, o juiz Ricardo Laffayete Campos, da 7ª Vara Empresarial do Rio, concedeu liminar suspendendo os efeitos de todas as deliberações da assembleia de acionistas que elegeu diretores substitutos, incluindo um novo presidente para operadora.

O juiz acolheu pedido da própria Oi, que afirmou que a assembleia realizada por acionistas minoritários foi ilegal e afrontou decisão judicial que homologou o plano de recuperação, afetando a credibilidade do grupo no mercado e dificultando o prosseguimento de negócios em curso.

Publicado em Notícia

Acionistas da Eletrobras aprovam privatização de 6 distribuidoras do Norte e Nordeste

Para viabilizar leilão, acionistas aprovaram ainda que Eletrobras assuma dívidas dessas distribuidoras que podem chegar a R$ 19,7 bilhões. Reunião foi marcada por protestos.

Por Laís Lis, G1, Brasília

08/02/2018 18h34 Atualizado há 13 horas

Acionistas da Eletrobras aprovaram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (8), em Brasília, a privatização de 6 distribuidoras de energia administradas pela estatal e que ficam em estados do Norte e do Nordeste.

Na assembleia, os acionistas aprovaram ainda a proposta de que a Eletrobras assuma R$ 11,2 bilhões em dívidas das distribuidoras com a própria estatal, além de outros R$ 8,5 bilhões em créditos e obrigações que essas empresas têm com fundos do setor elétrico.

Caso os R$ 8,5 bilhões acabem virando dívida, a Eletrobras assumirá um passivo de R$ 19,7 bilhões.

As seis distribuidoras que serão colocadas à venda são: Amazonas Distribuidora de Energia, que atende ao estado do Amazonas; Boa Vista Energia, que atende Roraima; Centrais Elétricas de Rondônia, que atende Rondônia; Companhia de Eletricidade do Acre, que atende aos consumidores do Acre; Companhia Energética de Alagoas, que atua em Alagoas; e Companhia de Energia do Piauí.

O governo pretende fazer o leilão das distribuidoras ainda no primeiro semestre de 2018.

Protesto

A assembleia de acionistas que analisou a privatização das seis distribuidoras começou com cerca de 3 horas de atraso, devido a um protesto contra a privatização da estatal, anunciada pelo governo no ano passado, e prevista para ocorrer ainda em 2018.

A assembleia estava prevista para começar às 14h, mas isso só aconteceu por volta das 17h15.

Com faixas e camisetas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), os manifestantes bloquearam a entrada do prédio onde a reunião estava prevista para acontecer, na região central de Brasília.

Diante do bloqueio da entrada do prédio, os acionistas que ficaram do lado de fora foram para uma outra torre, onde também funciona uma sala da Eletrobras, e participam da assembléia à distância, por teleconferência.

Publicado em Notícia

Acionistas da Usiminas fecham acordo para encerrar disputa iniciada em 2014

Acerto inclui a indicação do presidente do conselho e do presidente executivo da companhia de forma alternada e o compromisso de encerrar ações judiciais de forma amigável.

Por G1

08/02/2018 20h50 Atualizado há 11 horas

Os acionistas controladores da Usiminas, a ítalo-argentino Ternium e a japonesa Nippon Steel, anunciaram um acordo para encerrar disputas sobre a gestão da Usiminas que se arrastam desde 2014. A informação está em comunicado a investidores divulgado na noite desta quinta-feira (8).

O acerto inclui um pacto de governança, que prevê a indicação do presidente do conselho e do presidente executivo da companhia de forma alternada por cada um dos grupos. Ele também prevê mecanismos de saídas dos acionistas do capital da empresa e um compromisso de que vão encerrar as disputas judiciais envolvendo a empresa de forma amigável.

Desavenças

A disputa entre os sócios da Usiminas começou em 2014, quando a empresa anunciou a destituição do então presidente, Julián Eguren, e outros dois diretores, após votação no conselho de adminisitração. Eguren era ligado ao grupo Ternium e como seu substituto foi escolhido o executivo Rômel de Souza, mais próximo ao grupo Nippon. Por sua vez, Souza foi destituído da presidência em março do ano passado.

As empresas entraram em uma sequência de disputas de poder pela gestão da companhia, que desencadearam uma série de ações na Justiça. A solução do impasse era considerada tão difícil que até mesmo a cisão da companhia foi considerada, embora não avançou.

Nesse contexto, a Usiminas enfrentou uma grave crise e teve de fazer uma reestruturação financeira para evitar a recuperação judicial. 

Publicado em Notícia

Após dois anos, comércio volta a crescer e fecha 2017 em alta de 2%

Resultado foi influenciado pelo aumento das vendas de móveis e eletrodomésticos, segundo o IBGE.

Por G1

09/02/2018 09h00 Atualizado há menos de 1 minuto

O comércio varejista brasileiro cresceu 2% em 2017, após dois anos de fortes quedas. O resultado foi influenciado pelas vendas de móveis e eletrodomésticos, que voltaram a aumentar com a queda das taxas de juros. A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9).

O setor de hipermercados também vendeu mais em 2017, 1,4%, e ajudou o varejo brasileiro a dar sinais de recuperação.

Apesar do avanço, o IBGE pondera que que ainda é cedo para falar em recuperação total. “2017 rompe um período de dois anos de queda nas vendas nacionais, mas ainda está longe de recuperar a perda de 10,2% acumulada nesse período”, disse Isabella Nunes, gerente da pesquisa do IBGE.

Publicado em Notícia

Produção industrial cresce em 12 dos 15 locais pesquisados em 2017, diz IBGE
O resultado do ano passado é o melhor desde 2010.

Por G1
08/02/2018 09h03 Atualizado há menos de 1 minuto
Doze dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registraram alta na produção industrial em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do ano passado é o melhor desde que todos os 14 locais pesquisados em 2010 (Mato Grosso foi incluído somente em 2013) tiveram alta, em ano que a produção industrial cresceu 10,2%.
Em 2016, 14 locais ficaram no negativo e somente um registrou aumento na atividade, com queda de 6,4% no índice nacional.
Os 12 locais com alta em 2017 foram:
• Pará (10,1%)
• Santa Catarina (4,5%)
• Paraná (4,4%)
• Rio de Janeiro (4,2%)
• Mato Grosso (3,9%)
• Amazonas (3,7%)
• Goiás (3,7%)
• São Paulo (3,4%)
• Ceará (2,2%)
• Espírito Santo (1,7%)
• Minas Gerais (1,5%)
• Rio Grande do Sul (0,1%)
Os três locais com queda foram:
• Bahia (-1,7%)
• Região Nordeste (-0,5%)
• Pernambuco (-0,9%)

Considerando o conjunto do país, a indústria brasileira fechou 2017 em alta de 2,5% - melhor resultado desde 2010, quando a produção industrial havia avançado 10,2%. Em dezembro, o setor registrou alta de 2,8% em relação a novembro - a maior desde junho de 2013, quando chegou a 3,5%.

Publicado em Notícia

Inflação oficial perde força e fica em 0,29% em janeiro, diz IBGE
IPCA desacelerou em relação a dezembro, quando ficou em 0,44%. Taxa é a menor para janeiro desde a criação do Plano Real.
Por G1
08/02/2018 09h00 Atualizado há menos de 1 minuto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, iniciou 2018 em alta, passando de 0,44% em dezembro de 2017 para 0,29%, em janeiro deste ano. A taxa é a menor para o mês desde a criação do Plano Real, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (8).
Em 12 meses, o índice acumula avanço de 2,86%.
A previsão dos economistas do mercado financeiro, conhecida por meio do boletim Focus do Banco Central, é de que a inflação encerrá o ano em 3,94%, abaixo da meta central de 4,5%, mas dentro do intervalo de tolerância (entre 3% e 6%).

Publicado em Notícia

Copom se reúne nesta quarta e deve baixar juro para 6,75% ao ano

Se confirmado, será o 11º corte seguido na Selic. Expectativa de economistas ouvidos pelo Banco Central é de que, após este corte, taxa ficará estável até o início de 2019, quando voltará a subir.

Por Alexandro Martello e Yvna Sousa, G1 e TV Globo, Brasília

07/02/2018 06h00 Atualizado há 1 hora

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne pela primeira vez no ano nesta quarta-feira (7) e deve baixar a taxa básica de juros de 7% para 6,75% ao ano, de acordo com expectativa do mercado financeiro. A decisão do colegiado será divulgada após as 18h.

Se confirmada a previsão dos economistas, a Selic será reduzida pela 11ª vez consecutiva e alcançará o menor patamar desde a adoção do regime de metas para a inflação, em 1999. Também será a menor taxa de juros de toda a série histórica do BC, iniciada em 1986.

A expectativa do mercado financeiro é colhida semanalmente pelo Banco Central, que depois a disponibiliza por meio do relatório Focus. De acordo com o mais recente relatório, os analistas esperam que o corte nesta quarta será o primeiro e o último de 2018, e que a Selic permanecerá no patamar de 6,75% até o começo de 2019.

A partir daí, preveem os economistas, os juros devem voltar a subir e atingiriam 8% ao ano no fechamento do ano que vem.

Como o BC define a Selic

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%. Para 2019, é de 4,25%. O sistema, porém, prevê uma margem de tolerância, para cima e para baixo. Isso significa, por exemplo, que a meta não seria descumprida pelo Banco Central caso a inflação neste ano ficasse entre 2,5% e 6,5%.

Normalmente, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. A expectativa é que a subida da taxa também eleve os juros cobrados pelos bancos, ou seja, que o crédito fique mais caro, e com isso freie o consumo, fazendo a inflação cair. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC reduz os juros. É o que está acontecendo neste momento. Para 2018 e 2019, o mercado estima um IPCA de 3,94% e de 4,25%, respectivamente.

Tensões nos mercados

A reunião do Copom acontece em um momento de maior tensão nos mercados financeiros, que reagem a dados, divulgados na semana passada, de que os salários avançaram 2,9% nos Estados Unidos em janeiro - a maior alta anual em 9 anos.

Essa variação pode indicar que as pressões inflacionárias estão mais fortes nos EUA e influenciar as futuras decisões do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sobre a taxa de juros americana, que, segundo analistas, pode acabar subindo mais do que os 0,75 ponto percentual esperado até o momento para 2018.

Uma eventual alta maior dos juros influencia negativamente o mercado de ações do país e de outras nações. Isso porque esse aumento representaria mais juros pagos nos títulos públicos dos EUA, atraindo recursos de todo mundo, inclusive do Brasil.

Uma das consequências para a economia brasileira pode ser a pressão de alta sobre o dólar, o que não é bom para a tendência da inflação nos próximos meses, pois os produtos e insumos importados ficariam mais caros. Quando isso acontece, geralmente há repasse para os preços internos.

Rendimento da poupança

Se confirmado o novo recuo da Selic nesta quarta, o rendimento da poupança também deverá cair a partir desta quinta (8).

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5%.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

A medida visa evitar que a poupança fique mais atrativa que os demais investimentos, cujos rendimentos caem junto com a Selic. Sem o redutor, a poupança passaria a atrair recursos de grandes poupadores, que deixariam de comprar títulos públicos.

Se o juro básico da economia recuar para 6,75% ao ano, a partir desta quinta a correção da poupança passará a ser de 70% desse valor - o equivalente a 4,725% ao ano, mais Taxa Referencial. 

Publicado em Notícia

Juro subirá lá fora, e políticos não sabem o tamanho da encrenca

Se caminhamos para taxas maiores nos países ricos, reformas ficam mais urgentes

FOLHA DE SÃO PAULO, 7.fev.2018 às 2h00

Alexandre Schwartsman

Tivemos na semana passada a última reunião do Federal Reserve sob o comando de Janet Yellen, quando se decidiu pela manutenção dos juros básicos americanos entre 1,25% e 1,50% anual, sinalizando, porém, que a taxa subirá durante o ano, ainda que deva se manter abaixo do nível que, espera-se, prevalecerá no longo prazo.

Apesar da mensagem tranquilizadora, o mercado de títulos começa a mostrar preocupação: a taxa de juros para dez anos, talvez a mais importante do sistema solar, subiu de algo como 2,5% ao ano para pouco mais de 2,8% anuais do começo de janeiro para cá, o nível mais elevado desde o observado no fim de 2014.

Não se trata, à primeira vista, de um grande movimento e, para falar a verdade, é ainda um nível historicamente baixo (para os mais curiosos, a série desde 1953 pode ser vista aqui, mas já foi suficiente para afetar não só o dólar no Brasil mas as Bolsas em todo o mundo, que sofreram forte queda.

O fato é que os dados mostram a economia americana crescendo na casa de 2% a 2,5% ao ano desde 2010, suficiente para reduzir de modo persistente a taxa de desemprego, que caiu de 10% ao final de 2009 para 4,1% nos últimos quatro meses, nível que parece representar o pleno emprego naquele país.

Apesar de outras medidas (mais amplas) de desemprego sugerirem a possibilidade de alguma folga escondida no mercado de trabalho americano, tal folga, se existir, também não é das maiores. Não por acaso, o salário médio por hora subiu quase 3% em janeiro deste ano, o ritmo mais forte desde junho de 2009. De forma consistente, as projeções no mercado de títulos para a inflação subiram para pouco mais de 2% ao ano no horizonte de dez anos.

É bom deixar claro que não estamos falando de gigantesca aceleração inflacionária; no entanto, na comparação com os últimos anos, período em que salários não pressionaram a inflação, trata-se de uma dinâmica visivelmente distinta.

O receio, portanto, do mercado de renda fixa, que se exprime na forma de juros mais elevados, parece refletir a percepção de que a reação da política monetária terá que ser um tanto mais rápida, e mais vigorosa, do que as três elevações de 0,25% que se imaginavam como o cenário mais provável para 2018.

Esse risco se agrava na presença do estímulo proveniente do corte de impostos aprovado no fim do ano passado, que deve elevar a demanda no curto prazo ainda mais rapidamente.

Até agora vivemos um momento muito particular da economia global: conjugamos crescimento forte e disseminado com liquidez abundante, que estimula a busca por taxas de retorno (e risco) mais elevadas.

O primeiro ajuda o desempenho das nossas exportações, portanto nosso equilíbrio externo; já a segunda tem anestesiado investidores no que se relaciona à paralisia reformista mesmo em face de um sério desequilíbrio fiscal no país.

É bom ter em mente que essa janela não permanecerá aberta indefinidamente. Se, de fato, estamos observando os primeiros movimentos da transição para um mundo mais normal, com taxas de juros mais elevadas nos países ricos, reformas se tornam ainda mais urgentes.

Pelo andar da carruagem, contudo, o mundo político ainda não se deu conta do tamanho da encrenca. Quando perceber, poderá ser tarde demais.

Alexandre Schwartsman

Ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC, é é doutor em economia pela Universidade da Califórnia.

 

Publicado em Notícia
InícioAnt12345PróximoFim
Página 1 de 5