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Brasil avançará mais no mercado de commodities estimam EUA

Usda prevê que país tenha 47% do mercado de soja e 46% do de frango em dez anos

FOLHA DE SÃO PAULO, 16.fev.2018 às 2h00

Estimativas são previsões que nem sempre se confirmam, mas, a apostar no que diz um relatório do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) desta quinta-feira (15), o Brasil abocanhará uma boa parcela do mercado mundial de commodities nos próximos dez anos.

O país será responsável pelo fornecimento de quase metade (47%) dos 205 milhões de toneladas da soja que será comercializada no mundo daqui a uma década.

Na ocasião, a carne de frango brasileira responderá por 46% dos 14 milhões de toneladas vendidos, e à carne bovina e ao milho estará destinada participação maior no mercado mundial, chegando cada um a um quarto do total comercializado.

Para assegurar que a previsão se concretize —e, quem sabe, até mesmo ir além delas—, o Brasil terá de ficar de olho em alguns países. Um deles é o México, que vai elevar as importações de quase todos os principais produtos exportados pelo Brasil.

O Usda estima que, para garantir o abastecimento interno, o México, em dez anos, vá elevar em 60% a compra de milho. Tudo indica que vá enfrentar dificuldades também para suprir a demanda interna de proteínas, o que levará a um aumento de 80% na compra de carne bovina e de 40% na de frango, considerados os volumes atuais.

Se, por um lado, o Brasil ainda precisa conquistar o México, por outro, sua relação com a China pode ser considerada estável graças ao volume de importação desta e ao potencial de produção daquele.

Em dez anos, a China vai ter uma elevação de 47% na importação de soja, atingindo um patamar de 143 milhões de toneladas da oleaginosa. Mas não vai ficar nisso: os chineses vão incrementar também as compras de milho. Em 2028, deverão adquirir 7,5 milhões de toneladas do cereal, um aumento de 150%.

Segundo as previsões do Usda, a elevação do padrão de renda na China tornará o país mais dependente do mercado externo também em relação à aquisição de proteínas. As importações de carne bovina deverão crescer 73%, atingindo 1,6 milhão de toneladas, e as de frango, 36%, num total de 660 mil toneladas.

Em 2024, tudo indica que os chineses já terão desbancado os americanos, assumindo a liderança mundial nas compras externas de carne bovina. Os países desenvolvidos deverão manter as compras de commodities e de proteínas nos próximos dez anos.

O Brasil precisa abrir ainda mais as porteiras para os países em desenvolvimento da América Central, da África, do Oriente Médio e da Ásia. O Vietnã, por exemplo, está na lista dos que aumentam de forma acelerada as importações de milho, de soja e de carnes.

Enquanto o Brasil eleva a participação mundial na venda de alimentos, os Estados Unidos perdem espaço, tanto em grãos como em proteínas.

Para onde vai - O Brasil deverá produzir 341 milhões de toneladas de grãos em 2027. A estimativa é do Usda, que prevê um aumento de 5 milhões de hectares na área de produção brasileira.

Alívio - A queda de preços da soja, da carne bovina, do frango e de aves ajudou o IGP-10 da FGV recuar 1% neste mês. Já o tomate e a mandioca estiveram entre as principais altas no período.

Syngenta - As vendas somaram US$ 12,7 bilhões no ano passado, 1% menos do que em 2016. O setor de proteção às lavouras foi um dos responsáveis pela queda, recuando 3% no período.

Em alta - As vendas de produtos da multinacional subiram em todas as principais regiões produtoras do mundo, com exceção da América Latina, onde houve recuo de 12%.

Brasil - O país teve uma boa responsabilidade na queda de vendas na América Latina. Os estoques de produtos das revendedoras e das cooperativas estavam elevados.

Desafiador - Para Erik Fyrwald, presidente da empresa, o mercado agrícola continua desafiador devido aos baixos preços dos grãos.

Laranja - A safra de laranja de São Paulo e do Triângulo Mineiro deverá ser de 397,3 milhões de caixas, 3% mais do que se previa em dezembro. A elevação se deve ao aumento dos frutos, segundo o Fundecitrus.

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O que acontecerá se os EUA ultrapassarem a Arábia Saudita como maior produtor de petróleo do mundo

Mudança, que se desenha, também pode afetar diretamente mercados da América do Sul e Europa, além de mais 'liberdade' para os americanos em suas ações no Oriente Médio.

Por BBC Brasil, 05/02/2018 10h09 

Os Estados Unidos estão se aproximando da liderança na corrida pelo domínio do mercado mundial de petróleo.

De acordo com as últimas previsões da Agência Internacional de Energia, a produção americana atingirá neste ano a marca recorde de 10 milhões de barris de petróleo bruto por dia.

Assim, calcula-se que o país desbancará a Arábia Saudita neste ano da posição de liderança que ostenta, com 13,5% da produção mundial.

Seu impulso, promovido pelo apoio do governo de Donald Trump às exportações, é um problema para a Rússia, a terceira colocada nessa disputa.

O avanço dos EUA terá efeitos no mercado do petróleo, bem como reflexos geopolíticos e econômicos em diferentes países.

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, listou cinco possíveis consequências caso os Estados Unidos realmente se tornem o maior produtor de petróleo do mundo:

1. O fim da guerra dos preços da Arábia Saudita e Opep

Para a grande petromonarquia do Golfo Pérsico, ver-se superada pelo aliado - mas também concorrente - implica na constatação dos danos colaterais da sua política tradicional de controle de preços.

Ator principal na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o país tradicionalmente a usou para controlar os preços no mercado, aumentando ou reduzindo o fornecimento conforme sua conveniência.

Nos últimos anos, porém, o surgimento de técnicas como o fraturamento hidráulico de rocha (fracking) o aumento exponencial da produção americana reduziram a eficácia dessa estratégia.

Antonio de la Cruz, presidente do Centro de Análises de Tendências Interamericanas de Washington, disse à BBC que "a decisão dos Estados Unidos de aumentar a produção nas regiões de fracking na verdade foi tomada pela Opep quando esta apostou em manter os preços, em vez de produzir mais".

O reino saudita tentou em 2014 sufocar os produtores do fracking nos EUA, inundando o mercado de Brent (petróleo encontrado no Mar do Norte).

A ideia era que os preços caíssem até que as empresas instaladas nos Estados Unidos não fossem lucrativas o suficiente para continuar explorando os campos de petróleo e gás de xisto (aquele obtido através do fracking).

Mas o setor do fracking resistiu: conseguiu reduzir seus custos e economizar suas margens de lucro. Embora o barril de Brent tenha caído até o raro valor de US$ 30, dois anos depois a Arábia Saudita cedeu e convenceu seus parceiros da Opep, pouco a pouco, a voltar subir o preço do óleo.

Agora, a situação e inverteu, e é a enorme produção dos EUA que determina preços e estabiliza o mercado.

Nesse contexto, a nova elite governante no país persa adotou uma nova estratégia que consiste em iniciativas sem precedentes, como a privatização parcial da Saudi Aramco, a empresa estatal de energia.

Isso faz parte das mudanças promovidas pelo príncipe Mohamed Bin Salman, homem forte do governo determinado a reformar a economia do país.

Mas embora os Estados Unidos superem a Arábia Saudita no volume de produção, alguns analistas enfatizam que essa batalha não é medida apenas pelo número de barris diários.

Samantha Gross, especialista em segurança energética da Brookings Institution em Washington, diz que, mesmo que produza menos do que seu concorrente, a Arábia Saudita manterá sua posição de liderança no mercado energético global.

"O petróleo saudita é produzido por uma única entidade, a Saudi Aramco, de propriedade e administrada pelo Estado, e por isso não é governada unicamente por critérios de benefício econômico. A indústria de energia dos Estados Unidos nunca atuará de forma coordenada, seguindo as diretrizes do Estado", diz Gross.

Diferenças como essa levam a especialista a concluir que o predomínio saudita, embora questionado, ainda é válido.

2. Venezuela ainda mais castigada

Os efeitos do potencial novo panorama também seriam sentidos na América Latina.

O grande gigante regional do petróleo, a Venezuela, verá sua já maltratada economia ainda mais castigada.

O analista De la Cruz acredita que a ineficiência e as deficiências estruturais do setor petrolífero venezuelano o tornarão totalmente incapaz de competir com os produtores americanos.

Enquanto a produção dos EUA sobe desde a presidência de Richard Nixon (1969-1974), a venezuelana perdeu 600 mil barris diários.

Nas circunstâncias atuais, desencadeada por uma hiperinflação imparável, "a Venezuela não tem capacidade para produzir ou importar. As possibilidades de ser atualmente um ator no mundo do petróleo foram cortadas", diz De la Cruz.

O petróleo venezuelano também é muito pesado, então é preciso importar naftas (matéria-prima do petróleo) mais leves de outros países, entre eles os Estados Unidos, para obter uma mistura comercializável. Mas a falta de liquidez do país afetou seriamente sua capacidade de adquirir essas matérias-primas do exterior.

"O petróleo fornece à Venezuela 96% da moeda estrangeira de que ela precisa desesperadamente, então o governo de Nicolás Maduro dará prioridade às exportações para obtê-las. Por isso, o mercado doméstico é que será mais e mais esgotado", diz De la Cruz.

O que isso significa para o venezuelano comum? "Mais filas em postos de gasolina", ele responde.

Os problemas do setor petrolífero venezuelano também terão efeitos no quadro regional.

"O socialismo do século 21 usou a ferramenta da geopolítica do petróleo, com o fornecimento de petróleo subsidiado para os países do Petrocaribe e os da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América)", diz o especialista.

De acordo com sua visão, muitos desses países podem estar tentados a ouvir propostas potenciais de fornecedores alternativos.

3. Possíveis ameaças ao meio ambiente

Grupos ambientalistas alertaram que a política de fracking seguida pelo governo Donald Trump representa uma ameaça para o meio ambiente.

O fim das restrições à exportação e a autorização para construir áreas de exploração em áreas protegidas, como o Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Alasca, provocaram preocupação entre os ambientalistas.

Eles também temem que o novo panorama prolongue a vida dos combustíveis fósseis, como o petróleo, e desencoraje o investimento em energias mais limpas.

Lisa Viscidi, especialista em energia e meio ambiente no centro de análise The Dialogue, de Washington, argumenta que "pode ​​haver algum impacto se a produção aumentar, mas isso depende mais dos preços globais do que de outros fatores".

A analista afirma que, por se tratar de um mercado global, "um único país não faz a diferença".

A experiência vivida pelos EUA em 2014 indica que em contextos de grande oferta e preços baixos a demanda aumenta, mas isso não implica necessariamente em um aumento das emissões de poluentes.

"Tudo depende das políticas que os países e as empresas seguem, se são eficientes", diz Viscidi.

4. Mais independência para os EUA no Oriente Médio

Agora que têm seu abastecimento de petróleo garantido, os Estados Unidos podem se libertar de sua dependência tradicional de abastecimento dos focos exportadores do Oriente Médio.

Cenários como a Crise do Petróleo de 1973 ou a Guerra do Golfo de 1990, quando a turbulência na região levou ao aumento do preço do petróleo, são impensáveis ​​hoje.

"Embora os EUA continuem importando 7 milhões de barris por dia, não têm mais medo de um embargo de petróleo", explica De la Cruz.

"Tornam-se menos vulneráveis à chantagem, como a da Opep."

Assim, o país "ganha independência para gerenciar sua própria política na região", sem temer que isso possa afetar criticamente sua economia, como ocorria no passado. "Ele já não é mais dependente dos países árabes", diz o especialista.

Para ele, isso ajuda a explicar por que Donald Trump se atreve a tomar decisões sem precedentes, como anunciar a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém - mesmo sob protestos de todo o mundo islâmico.

5. Mais força para os países europeus contra a Rússia

O passo à frente do gigante americano também afeta a Europa, uma das áreas tradicionalmente mais dependentes da energia produzida pela Rússia.

No passado, Moscou usou a fonte de energia como uma ferramenta de pressão. Em várias ocasiões, interrompeu o fornecimento de gás para a Ucrânia e outros países do Leste Europeu a poucas semanas do início do inverno.

De la Cruz explica que a Europa "estará agora em melhor posição de negociação com fornecedores russos, como a empresa de gás Gazprom, uma vez que poderá exercer a vantagem de outro potencial fornecedor".

Em todo caso, a Rússia ainda possui uma vantagem decisiva nesta área. Pode fazer esses recursos chegarem por meio de gasodutos e tubulações, enquanto os barris dos EUA só podem chegar pelo mar, a um custo maior.

É uma desvantagem competitiva que ainda pesa e fará com que "a Rússia mantenha sua influência".

Mas De la Cruz não descarta que em alguns anos essa situação também seja revertida.

"O gás natural líquido pode ser o combustível do futuro e substituir o petróleo. Desenvolver isso é um dos projetos fortes nos quais a gestão Trump poderia apostar nos próximos cinco anos." 

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CVM pede que JBS explique dificuldade com acordo nos EUA

FOLHA DE SÃO PAULO

21/09/2017 02h00

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regula o mercado de capitais no país, pediu explicações à JBS sobre as dificuldades que a empresa enfrenta para fechar um acordo nos Estados Unidos.

O pedido foi baseado em reportagem da Folha do último domingo (17) que revelou que as negociações naquele país chegaram a ser suspensas por causa das suspeitas em torno do ex-procurador Marcello Miller.

O ex-procurador é investigado no Brasil sob suspeita de ter ajudado a JBS a fechar os acordos de delação quando ainda ocupava o cargo. Miller nega que tenha cometido irregularidades.

As autoridades americanas chegaram as suspender as negociações com a JBS por causa das investigações sobre o Miller. Integrantes do Departamento de Justiça consideram a suspeita extremamente grave porque Miller era o interlocutor da Procuradoria com autoridades americanas.

O escritório americano que negociava o acordo da JBS, o Baker McKenzie, teve de ser substituído pelo White & Case para destravar as negociações. O Baker McKenzie é associado no Brasil ao Trench Rossei Watanabe, banca de advocacia que contratou Miller após ele deixar a Procuradoria e depois demitiu-o.

Em resposta à CVM, a JBS afirma que "não recebeu qualquer informação de seus advogados nos EUA acerca da alteração da situação dos entendimentos iniciais da companhia perante as autoridades norte-americanas".

Segundo a JBS, a notícia "trata de especulações de mercado, com meras opiniões de certos indivíduos, sobre os quais a companhia refuta".

A CVM apura se os irmãos Wesley e Joesley Batista lucraram ao menos US$ 100 milhões especulando com dólar e ações antes de o acordo de delação tornar-se público.

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