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Mercosul melhora oferta para União Europeia, mas acordo segue sem desfecho

Reunião ministerial terminou com avanços na área industrial, porém travado na agrícola

19.jul.2018 às 17h57 

Mariana Carneiro

BRASÍLIA

Os países do Mercosul ampliaram suas ofertas nos setores automotivo, de serviços e de indicação de origem, em mais uma tentativa de chegar a um acordo de abertura comercial com a União Europeia. 

Mas após dois dias de reuniões ministeriais, as tratativas não chegaram a um desfecho. Nova reunião está prevista para setembro, em Montevidéu. 

O Mercosul enviou oito ministros a Bruxelas para demonstrar o interesse do bloco em chegar a um consenso com os europeus.

Os governos do Brasil e da Argentina têm interesse em fechar o acordo ainda nas gestões de Michel Temer e Mauricio Macri (que fica no cargo até dezembro de 2019). 

Mas os negociadores brasileiros ficaram frustrados com a ausência de uma contraproposta dos europeus no setor agrícola. 

O Mercosul tem interesse na abertura do mercado europeu principalmente para carne bovina, frango e açúcar. Já os europeus pretendem vender mais produtos industriais ao bloco sul-americano.

No primeiro dia de reunião, na quarta-feira (18), o negociador europeu para o setor agrícola, Phil Hogan, deixou o encontro sem novas ofertas.

Restou ao Mercosul, então, avançar na parte industrial e de serviços, a fim de manter as tratativas. Nesta quinta (19), os dois lados falaram em "avanços concretos", após a segunda rodada de conversas. 

Em nota, o chanceler argentino, Jorge Faurie, indicou que espera um acordo em setembro. "O esforço que fizemos ambos os blocos nos deixa frente à etapa final de discussões".

Entre brasileiros, o clima é menos otimista. Para o país, é hora de os europeus apresentarem propostas no setor agrícola, já que os sul-americanos cederam em áreas sensíveis.

No setor automotivo, um dos que estão no centro da negociação, os países do Mercosul ofereceram cotas para a importação de veículos com taxação mais baixa até a completa abertura do mercado, após 15 anos.

Pelo que está sendo negociado, entre 30 mil e 60 mil veículos europeus poderiam pagar 50% da tarifa de importação durante o período de transição até a abertura total. Carros híbridos e elétricos seriam isentos da tarifa de importação.
 

Outro avanço foi na indicação de origem. Os europeus querem restringir o uso de nomes, como queijo parmesão, a alguns produtos que tem origem em seus países. 

De uma lista inicial de 357 itens que poderiam ser afetados, o Mercosul aceitou ceder em 317. Nesta rodada, houve acordo sobre outros 20.

Para Diego Bonomo, gerente-executivo de assuntos internacionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o resultado foi frustrante, com "um erro tático e outro estratégico". 

O erro tático da União Europeia foi não ter apresentado uma proposta final mais clara e detalhada. O estratégico foi ter perdido a oportunidade de mostrar ao mundo um exemplo de esforço positivo num momento tão delicado como o atual, em que Estados Unidos e China se enfrentam em uma guerra comercial e o papel da OMC tem sido questionado

Bonomo considera que, em todo o histórico de negociações, desta vez, o setor industrial brasileiro atingiu seu ponto de maior flexibilidade, tanto em relação ao número de produtos ofertados quanto à velocidade de redução das tarifas. 

Mas suas expectativas para a reunião de setembro ficaram diminuídas.

"Diante do que a UE apresentou até agora, não tem muito o que fazer. Se chegar setembro e ela apresentar uma proposta mais clara do que pode oferecer, principalmente na área agrícola, a gente avalia. Mas, claramente, a União Europeia ficou refém dos grupos agrícolas do bloco", diz Bonomo.

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Comissão Europeia reduz previsão de crescimento da Eurozona por tensão comercial com EUA

Os 19 países da moeda única devem registrar no conjunto um crescimento de 2,1% do PIB em 2018, após um avanço de 2,4% no ano passado.

Por France Presse

12/07/2018 08h52 Atualizado há 30 minutos

A Comissão Europeia reduziu a previsão de crescimento para a Eurozona em 2018, apontando a tensão comercial com os Estados Unidos como um dos fatores que prejudicam a moderada recuperação da economia do euro.

Os 19 países da moeda única devem registrar no conjunto um crescimento de 2,1% do PIB em 2018, após um avanço de 2,4% no ano passado, de acordo com os números publicados pelo Executivo comunitário, que reduz em dois décimos as previsões divulgadas em maio.

"A leve revisão reflete o impacto na confiança das tensões comerciais e da incerteza política, assim como o aumento dos preços da energia", explicou o comissário Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici.

A União Europeia (UE) aumentou em junho as tarifas de uma série de produtos americanos em resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar as exportações de aço e alumínio dos sócios do bloco.

Trump ameaçou impor novas tarifas aos veículos europeus, uma decisão que afetaria principalmente a Alemanha, a maior economia da zona do euro e uma potência do setor automotivo.

Bruxelas, que mantém a previsão de crescimento da Eurozona em 2% para 2019, adverte que "em caso de aumento das tensões, isto afetaria negativamente o comércio e o investimento, e reduziria o bem-estar em todos os países afetados".

A Comissão Europeia reduziu em quase meio ponto a previsão de crescimento da Alemanha para 2018 (2,3% em maio para 1,9%) e em dois décimos a projeção para 2019, que agora está em 1,9%.

Para o conjunto dos 28 países da UE, a Comissão reduziu a previsão de crescimento este ano de 2,3% para 2,1%. A estimativa para 2019 permanece em 2%.

A Comissão Europeia aumentou levemente a previsão de inflação na zona do euro a 1,7% para 2018 (+0,2% na comparação com maio) e para 2019 (+0,1%).

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Com desaforos de Trump, relação entre EUA e União Europeia azeda de vez

Irã, aço, clima: presidente vem empilhando decisões que contrariam interesses europeus

18.mai.2018 às 2h30

Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello

"Olhando para as últimas decisões do presidente Donald Trump, podemos pensar: com amigos como esse, quem precisa de inimigos?", disse, nesta quarta-feira (16), o presidente da União Europeia, Donald Tusk.

Está difícil discordar de Tusk. 

A relação entre europeus e americanos azedou de vez. Nos últimos meses, Trump adotou uma série de medidas que contrariam frontalmente os interesses da União Europeia. 

Apesar da ofensiva de charme empreendida pelo presidente francês, Emmanuel Macron, Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã. Isso é péssima notícia para inúmeras empresas europeias. Com a saída dos EUA do acordo, voltam a vigorar, no período de 90 a 180 dias, as sanções secundárias dos Estados Unidos contra empresas que têm negócios com o setor financeiro, de energia, automobilístico e de aviação civil do Irã. 

As sanções são impostas, na realidade, por meio de instituições financeiras americanas. Um banco americano que continuar fazendo transações com uma empresa europeia na lista das sanções secundárias é punido com multas e outras medidas. Como resultado, elas deixam de fazer negócios com o Irã, por medo de se verem impedidas de acessar o sistema financeiro americano. 

No passado, por exemplo, bancos europeus com subsidiárias nos EUA, como o HSBC, Standard Chartered, ING, Barclays, Credit Suisse BNP e Lloyds, pagaram enormes multas por manterem transações com empresas que continuavam fazendo negócios com o Irã.

A UE estava mais do que empenhada na redescoberta do mercado iraniano e o fim do acordo será uma grande perda. Além do aumento nas exportações para o país (na França, subiram de 562 milhões de euros em 2015 para 1,5 bilhão de euros em 2017), há muitos investimentos em jogo.

A petroleira francesa Total, por exemplo, planejava investir US$ 5 bilhões em um campo de gás iraniano. A Airbus já anunciou que não pretende seguir em frente com o plano de vender US$ 19 bilhões em aeronaves para o Irã.

Sutileza tampouco é o forte do governo americano e seus emissários. Horas antes de assumir seu posto, na semana passada, o novo embaixador americano na Alemanha, Richard Grenell, ameaçou empresas alemãs pelo Twitter. "Empresas americanas que fazem negócios com o Irã devem suspender suas operações imediatamente", disse o embaixador, pouco diplomático.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que a UE vai ressuscitar o estatuto de bloqueio de 1996, uma legislação concebida para contornar o embargo americano contra Cuba e algumas sanções contra Irã e Líbia.

A legislação prevê penalidades contra empresas europeias que respeitarem as sanções americanas. Ou seja, para as empresas não refresca muito, elas vão ter que optar pelo menor dos prejuízos. Ainda há a possibilidade de elas serem compensadas pelas possíveis punições dos EUA, mas está difícil saber como isso funcionaria na prática. (a lei não chegou a ser usada em sua primeira encarnação).

A única esperança é que os EUA reajam à legislação europeia não sendo tão rígidos na aplicação das sanções secundárias. 

Como se não bastasse esse prejuízo a empresas europeias, Trump também está prestes a impor tarifas de 25% sobre o aço europeu e 10% sobre o alumínio —ou algum misto de tarifas e cotas (na mesma linha do que o Brasil "aceitou" recentemente). Seja qual for a negociação até 1 de junho, data limite para decisão (se não for adiada, como Trump costuma fazer), boa coisa não será —algum tipo de restrição nas exportações será imposta.   

Ah, isso tudo sem falar na saída dos EUA do acordo do Clima de Paris, no ano passado. E na abertura da embaixada americana em Jerusalém. E na saída da Parceria Transpacífico.

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União Europeia diz que vai à OMC contra os EUA em 90 dias se não for isenta das taxas do aço

Presidente Donald Trump excluiu México e Canadá da taxação e disse que outros países poderão pedir para ficar de fora da cobrança.

Por Reuters

09/03/2018 08h40 Atualizado há menos de 1 minuto

A União Europeia espera ser excluída das tarifas de aço e alumínio dos Estados Unidos, mas irá à Organização Mundial do Comércio (OMC) impor suas próprias medidas se Washington seguir em frente, disse a comissária de Comércio da UE nesta sexta-feira (9).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu tarifas de importação de 25% para o aço e 10% para alumínio, mas isentou o Canadá e o México e ofereceu a possibilidade de excluir outros aliados. Dias antes, ele havia dito que não isentaria nenhum país da cobrança.

A comissária da UE, Cecilia Malmstrom, que coordena a política para o maior bloco comercial do mundo, disse que compartilha as preocupações dos EUA com relação ao excesso de capacidade no setor siderúrgico, mas não acredita em tarifas como forma de resolver o problema.

"A Europa certamente não é uma ameaça para a segurança interna norte-americana, então esperamos ser excluídos", disse Malmstrom a repórteres antes de falar em uma conferência em Bruxelas.

Questionada na conferência se estaria pronta para reagir se a UE, formada por 28 países, for incluída nas tarifas dos EUA, Malmstrom disse estar pronta para ir à OMC, o árbitro do comércio internacional, para impor as próprias salvaguardas do bloco dentro de 90 dias.

"Nós deixamos muito claro que (a decisão dos EUA) não está em conformidade com a OMC, então iremos à OMC, possivelmente com alguns outros amigos. Teremos que proteger nossa indústria com medidas de reequilíbrio, salvaguardas", disse ela.

As associações da indústria europeia pediram à Malmstrom que respondesse se a UE estaria sujeita às tarifas, dizendo que as sobretaxas afetariam fortemente os setores de aço e alumínio.

"A perda de exportações para os EUA, combinada com um aumento esperado de importações maciças na UE, poderia custar dezenas de milhares de empregos na indústria siderúrgica da UE e setores relacionados", disse Axel Eggert, diretor da associação de aço EUROFER.

A associação de produtores de alumínio European Aluminium exigiu a implementação "imediata" de medidas, se necessário.

Malmstrom já tinha uma reunião previamente agendada com o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, em Bruxelas, no sábado, e disse que buscaria mais clareza sobre se a UE seria incluída nas tarifas.

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