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Indicador reforça leitura de perda de fôlego da recuperação da economia em 2018.

 

Por Reuters

18/09/2018

 

A intenção de investimentos da indústria no Brasil voltou a cair no terceiro trimestre e atingiu o nível mais baixo em um ano, devido ao quadro de incertezas e fraco crescimento econômico, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (18).

 

O Indicador de Intenção de Investimentos da Indústria recuou para 113,0 pontos no terceiro trimestre, queda de 3,1 pontos sobre os três meses anteriores, de acordo com a FGV, no nível mais baixo desde o terceiro trimestre do ano passado (105,1 pontos).

 

O indicador mede a disseminação do ímpeto de investimento entre as empresas industriais, colaborando para antecipar tendências econômicas.

 

"A redução do ímpeto de investimentos industriais no terceiro trimestre é mais um sinal de perda de fôlego da economia em 2018. A contínua elevação das incertezas e o baixo crescimento da economia continuarão contendo uma retomada mais firme dos investimentos até o final deste ano", afirmou, em nota, o superintendente de estatísticas públicas da FGV IBRE, Aloisio Campelo Jr.

 

Mas embora tenha sofrido a segunda queda seguida, o indicador de intenção de investimentos permanece acima de 100 pontos, nível em que a proporção de empresas que prevê aumentar o volume de investimentos produtivos nos 12 meses seguintes é superior à das que projetam reduzir os investimentos, destacou a FGV.

 

No terceiro trimestre, a proporção de empresas que estavam certas quanto à execução do plano de investimentos era de 27,5%, ante 31,9% de empresas incertas.

 

A economia brasileira vem mostrando um ritmo lento de crescimento, com avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,2 por cento no segundo trimestre sobre o período anterior, segundo dados do IBGE, em meio ao desemprego ainda alto e às incertezas às vésperas da eleição presidencial de outubro.

 

Para este ano, os economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central vêm reduzindo suas projeções para o PIB, e preveem agora um crescimento de 1,36 por cento.

 

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Segundo pesquisador, índice sinaliza uma recuperação moderada na atividade para os próximos meses.

Por Reuters

29/08/2018

 

As expectativas dos empresários para os próximos meses melhorou e a confiança do setor de serviços apurada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) atingiu em agosto o nível mais alto em quatro meses, apontando para uma recuperação moderada na atividade.

Os dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que o Índice de Confiança de Serviços (ICS) registrou em agosto alta de 1,5 ponto e foi a 89,0 pontos, segunda alta seguida e maior patamar desde abril.

"O novo aumento da confiança dos serviços em agosto sugere que a fase de queda deste indicador, observada desde o início do segundo trimestre, pode estar chegando ao fim, reforçando que talvez o momento seja de estabilização da curva de confiança do setor", explicou em nota o consultor da FGV Silvio Sales.

O Índice de Expectativas (IE-S) foi o responsável pelo resultado do mês ao avançar 2,9 pontos, para 91,5 pontos, depois de ter registrado cinco meses consecutivos de queda, com destaque para o indicador que mede a demanda para os próximos três meses.

O Índice da Situação Atual (ISA-S), por sua vez, se manteve estável em agosto, em 86,7 pontos.

"As expectativas apresentam, pela primeira vez em cinco meses, um avanço na margem em agosto. Com isso, permanece a sinalização de uma recuperação moderada na atividade para os próximos meses", completou Sales.

A confiança de serviços acompanha a alta registrada no sentimento do comércio brasileiro, embora no setor industrial e de construção a confiança tenha recuado em agosto, bem como entre os consumidores. 

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Segundo a FGV, a escassez de boas notícias e bons resultados, e o elevado nível de incerteza mantido por questões internas e externas tornam a recuperação da confiança mais distante.

Por G1

28/08/2018

O índice de confiança da indústria recuou 0,4 ponto em agosto, para 99,7 pontos, menor desde janeiro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria da FGV IBRE, a fragilidade da recuperação industrial, retratada ao longo do ano, culmina em agosto com o índice registrando nível inferior aos 100 pontos, que retrata baixa confiança pela primeira vez desde janeiro.

"A escassez de boas notícias e bons resultados, e o elevado nível de incerteza mantido por questões internas e externas tornam a recuperação da confiança mais distante no horizonte temporal”, afirma.

O índice da situação atual caiu 1,1 ponto, para 97,9 pontos. Mantendo-se acima do nível neutro, o índice de expectativas subiu 0,3 ponto, para 101,4 pontos.

A queda do índice da situação atual atingiu 12 dos 19 segmentos, enquanto a melhora das expectativas atingiu menos da metade dos segmentos (9 de 19).

O nível dos estoques foi o único componente a piorar dentre as percepções sobre a situação atual e, portanto, foi determinante para a queda em agosto. O percentual de empresas com estoques excessivos subiu de 7,6% para 9,3%. A parcela de empresas com estoques insuficientes também subiu, mas em menor proporção, ao passar de 4,3% para 4,8% do total.

As expectativas com a evolução do pessoal ocupado nos três meses seguintes foram a principal influência na melhora em agosto. Após forte queda no mês anterior, o indicador das expectativas subiu 2,1 pontos, para 97,7 pontos. Houve diminuição da proporção de empresas prevendo aumento do quadro de pessoal, de 17,4% para 17,1%. A parcela das que esperam redução caiu em maior proporção, de 15% para 12,6% do total.

O nível de utilização da capacidade instalada avançou 0,3 ponto percentual em agosto, para 76%, resultado insuficiente para compensar as quedas registradas nos dois meses anteriores.

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Já o comércio registrou a primeira alta no índice de confiança da Fundação Getulio Vargas, após uma sequência de quatro quedas

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2018

RIO - A confiança do consumidor caiu 0,4 ponto em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, informou na manhã desta sexta-feira, 24, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) passou de 84,2 pontos em julho para 83,8 pontos em agosto. Em julho, houve alta de 2,1 pontos ante junho.

"Diante da lenta recuperação do mercado de trabalho, do alto nível de incerteza, do risco de aceleração da inflação e das dificuldades de se alcançar o equilíbrio orçamentário familiar, os consumidores mantêm uma postura conservadora e cautelosa quanto aos gastos discricionários", diz Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor, em nota. Para a FGV, o desânimo dos consumidores "terá um efeito redutor sobre o consumo das famílias ao longo do segundo semestre".

Em agosto, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 2,7 pontos, para 71,4 pontos, devolvendo a alta do mês anterior. Já o Índice de Expectativas (IE) avançou 1,1 ponto em relação ao mês anterior, para 93,0 pontos, o segundo aumento consecutivo desse indicador.

O indicador que mede a satisfação dos consumidores com a situação atual da economia variou 0,5 ponto entre julho e agosto, para 78,6 pontos. "Apesar disso, o índice se mantém abaixo do nível anterior à greve dos caminhoneiros", diz a nota da FGV. O indicador de satisfação com a situação financeira familiar foi o que mais contribuiu para a queda do ICC em agosto, ao recuar 5,9 pontos e atingir 64,8 pontos, o menor patamar desde agosto de 2017.

O indicador que mede o otimismo com relação à situação econômica nos próximos seis meses subiu 1,1 ponto em agosto, para 103,4 pontos, interrompendo a tendência de queda dos quatro meses anteriores. Já o indicador sobre as expectativas em relação à situação financeira subiu 3,2 pontos para 95,4 pontos, o maior nível desde abril (96,4).

O ICC tem ainda um indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis. Esse índice recuou 0,9 ponto, para 81,2 pontos em agosto, menor nível desde outubro de 2017.

Ao desagregar os dados conforme as faixas de renda, o ICC recuou em todas as classes de renda, exceto para os consumidores de renda familiar entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00. Para essa faixa, o índice avançou pelo segundo mês consecutivo, com crescimento acumulado de 1,6 ponto, "o que ainda não foi o suficiente para compensar as perdas de junho de 2018", diz a FGV. Para as famílias de renda inferior à R$ 2.100,00, a confiança diminuiu 1,2 ponto entre julho e agosto, a maior queda entre as classes de renda analisadas.

A Sondagem do Consumidor coletou informações de 1.933 domicílios em sete capitais, com entrevistas entre os dias 1 e 21 de agosto.

Comércio

Já o Índice de Confiança do Comércio (Icom) subiu 1,1 ponto na passagem de julho para agosto, atingindo 89,9 pontos, na primeira alta após uma sequência de quatro quedas seguidas. Nessas quatro quedas, o índice havia perdido 8,0 pontos no acumulado.

"A reação da confiança do Comércio em agosto é tímida diante dos resultados negativos recentes. As empresas continuam avaliando a situação atual de forma desfavorável, mas já esboçam uma melhora nas expectativas em relação aos próximos meses. A combinação de resultados sinaliza que o setor continua se recuperando lentamente, sujeito aos níveis elevados de incerteza e da também lenta evolução do mercado de trabalho", diz Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio.

A alta da confiança em agosto ocorreu em 10 dos 13 segmentos pesquisados na sondagem da FGV. O Índice de Expectativas (IE-COM) subiu 2,8 pontos, para 94,6 pontos, "influenciado tanto pela melhora do indicador de vendas previstas, que avançou 2,3 pontos para 93,4 pontos, quanto pelo indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses, que subiu 3,2 pontos, para 96,0 pontos", diz a nota da entidade.

Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 0,8 ponto, para 85,7 pontos, o menor nível desde dezembro de 2017 (85,6 pontos). Entre os componentes do ISA-COM, o indicador de percepção dos empresários com o volume da demanda no momento recuou 0,4 ponto, para 85,9 pontos e o indicador de situação atual dos negócios caiu 1,2 ponto, atingindo 85,9 pontos.

A coleta de dados para a edição de agosto da Sondagem do Comércio foi realizada entre os dias 1 e 22 do mês e obteve informações de 1.206 empresas.

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Em maio, a economia havia tido retração de 2,6%. Em relação a junho de 2017, a economia cresceu 2,4%.

Por G1

20/08/2018

A economia brasileira registrou crescimento de 3,3% em junho na comparação com maio, segundo dados do Monitor do PIB-FGV, divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (20). Em maio, a economia havia tido retração de 2,6%. Em relação a junho de 2017, a economia cresceu 2,4%.

No segundo trimestre, em comparação ao primeiro trimestre, o crescimento foi de 0,3% - 6ª taxa positiva consecutiva nesta comparação. Na comparação com o 2º trimestre de 2017, a atividade econômica cresceu 1,2%.

Segundo Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV, o crescimento no segundo trimestre indica que os efeitos da greve dos caminhoneiros em maio foram revertidos em junho.

"Mesmo com o trimestre tendo sido encerrado com retrações em segmentos chaves como indústria, formação bruta de capital fixo e exportação, houve crescimento da agropecuária, serviços e consumo das famílias, fazendo com que a economia continue na sua trajetória de lenta retomada”, afirmou.

Por setores

O Portal Ibre da FGV utilizada o critério de comparação do 2º trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado para analisar o desempenho dos setores.

Pela ótica da oferta, embora as atividades de extrativa mineral (-0,6%), construção (-0,5%) e serviços de informação apresentem variações negativas, os resultados sinalizam trajetória de melhora com relação às taxas divulgadas nos trimestres anteriores.

Na ótica da demanda, apenas a exportação retraiu, com queda de 2,9%.

O consumo das famílias cresceu 1,8%, indicando movimento decrescente após ter crescido 3,1% no trimestre móvel terminado em abril. O resultado positivo teve forte contribuição do consumo de produtos duráveis.

A formação bruta de capital fixo, índice que mede os investimentos das empresas, cresceu 4,1% no período, revertendo a redução de maio em decorrência da greve dos caminhoneiros, e com melhora de todos os componentes, incluindo a construção, que ainda está negativa, mas apresentou a melhor taxa (-1%) desde maio de 2014 (-0,9%).

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Confiança do empresário reage e sobe 0,9 ponto em julho, diz FGV

Índice recuperou parte da perda de 2,0 pontos em junho, decorrente da greve dos caminhoneiros.

Por G1

31/07/2018 08h47 Atualizado há menos de 1 minuto

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) medido pela Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) subiu 0,9 ponto em julho, para 91,6 pontos, recuperando parte da queda de 2,0 pontos de junho.

De acordo com a FGV, o aumento da confiança reflete a "recuperação gradual" do setor produtivo após a greve dos caminhoneiros.

A maior contribuição para a recuperação do índice foi dada pelo subíndice da Situação Atual (ISA-E), que subiu 1,1 ponto, para 90,3 pontos, maior nível desde julho de 2014 (90,7 pontos). Já o Índice de Expectativas (IE-E) caiu 0,2 ponto, para 97,2 pontos.

Segundo o superintendente de Estatísticas Públicas do IBRE/FGV, Aloisio Campelo Jr., a alta do subíndice de Situação Atual indica que "a roda da economia continua girando, ainda que lentamente". Porém, a queda do Índice de Expectativas sinaliza que "a redução de otimismo dificilmente será revertida até que as incertezas eleitorais se dissipem."

Por setor

O ICE consolida os índices de confiança dos quatro setores cobertos pelas Sondagens Empresariais produzidas pelo Ibre/FGV: indústria, serviços, comércio e construção.

O índice da construção subiu 1,7 ponto, enquanto o da construção subiu 0,8 ponto. Já a confiança do comércio caiu 0,8 ponto e o da indústria ficou estável.

Para elaborar o índice de julho de 2018, o Ibre/FGV coletou informações de 4,8 mil empresas entre os dias 02 e 25 do mês.

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Economia fraca mostra continuidade da queda na contratação, diz indicador de emprego da FGV

Quarta queda consecutiva do indicador antecedente de emprego, que acumulou perda de 11,5 pontos no primeiro semestre, sinaliza continuidade da fase de desaceleração do ritmo de aumento do total de pessoal ocupado no Brasil.

Por G1

10/07/2018 08h57 Atualizado há menos de 1 minuto

O Indicador Antecedente de Emprego, da Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 5,6 pontos em junho, para 95,5 pontos, retornando ao patamar próximo ao de janeiro de 2017 (95,6 pontos). A quarta queda consecutiva do indicador, que acumulou perda de 11,5 pontos no primeiro semestre, sinaliza continuidade da fase de desaceleração do ritmo de aumento do total de pessoal ocupado no Brasil.

A queda mostra a perda de confiança de uma maior geração de emprego ao longo dos próximos meses. A atividade econômica mais fraca observada pelos indicadores do primeiro semestre reflete uma situação atual e futura dos negócios mais difícil. O crescimento está abaixo do previamente esperado e, com isso, a consequência deverá ser uma menor contratação”, afirma Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista da FGV IBRE.

Em junho, o Indicador Coincidente de Desemprego, semelhante à taxa de desemprego, aumentou pelo segundo mês consecutivo, ao variar 0,6 ponto, para 97,1 pontos, mesmo nível de fevereiro deste ano. Ou seja, quanto maior o número, pior o resultado.

A taxa de desemprego ainda elevada e a recuperação mais lenta da atividade econômica se refletem na estabilidade do índice em relação ao início do ano. Essa estabilidade mostra que a situação atual do mercado de trabalho continua difícil, principalmente para as classes de baixa renda”, diz Barbosa Filho.

Todos os componentes registraram variação negativa entre maio e junho. Os indicadores que mais contribuíram para a queda foram os que medem a situação atual dos negócios nos setores da indústria de transformação e de serviços, com variações, de -9,7 e -9,4 pontos na margem, respectivamente.

As classes que mais contribuíram para a alta do Indicador Coincidente de Desemprego foram as dos grupos de consumidores que têm renda familiar mensal até R$ 2.100 e que estão acima de R$ 9.600, cujos indicadores de emprego recuaram 3,6 e 1,4 pontos, respectivamente.

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Para o ajuste fiscal ganhar apoio, 'situação vai ter que piorar', diz diretor do Ibre/FGV

Para o economista Luiz Guilherme Schymura, sem ajuste fiscal o país não retomará crescimento econômico. Porém, ele avalia que no cenário atual a sociedade ignora a necessidade de urgência das reformas.

Por Daniel Silveira, G1 Rio

05/07/2018 06h00 Atualizado há 30 minutos

Sem ajuste fiscal, o Brasil dificilmente retomará um ciclo positivo de crescimento econômico. A afirmação, abraçada por boa parte dos economistas do país, é também defendida pelo diretor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Luiz Guilherme Schymura. Ele avalia, no entanto, que o quadro da economia nacional precisa piorar mais para que haja maior apoio às reformas necessárias para ajustar as contas públicas.

"No meu modo de entender, eu acho que a situação vai ter que piorar um pouco para começar a se ter um apoio maior para que esse ajuste fiscal saia no nível necessário", disse Schymura.

Para o economista, todos os gestores públicos concordam que o ajuste fiscal precisa ser feito. Porém, afirma que "há dificuldade de convencimento da classe política e da sociedade da urgência" com que ele deva ser promovido.

"Embora o desemprego esteja com uma taxa muito alta, nós temos uma inflação ainda muito baixa. A economia, mesmo crescendo pouco, ainda vai crescer esse ano de 1,5% a 1,7%. Os juros [taxa básica] a 6,5% também não é nada demais. Então, não tem muito sinais de que o fiscal esteja numa situação tão dramática", pondera.

Questionado sobre o que significaria uma piora do cenário econômico atual para que seja dada urgência aos ajustes, Schymura é categórico ao afirmar que tal papel caberia à inflação.

"A inflação é o sinal do caos. O caos econômico é a inflação. Porque a inflação não é escolha, ela é o desfecho de uma guerra. A guerra econômica, a guerra distributiva, ela gera inflação. Porque os interesses não cabem naquele contexto. É todo mundo pedindo, não conseguem se acertar, então a inflação surge e faz o trabalho sujo. Foi assim da década de 80 até o plano Real”, apontou.

O economista disse considerar que o país corre sim o risco de ver surgir uma nova crise inflacionária como aquela pré-plano Real. "Agora, o mecanismo pelo qual ela se dará é difícil saber. Talvez um pouco via câmbio. É difícil saber como esse processo será deflagrado. Até porque nós temos hoje um país em condição de empurrar com a barriga essa questão fiscal", disse.

"Empurrar com a barriga" a situação fiscal, segundo Schymura, foi o que fizeram os últimos governos, incluindo o atual. Ponderou, porém, que o "presidente não é salvador, nem demônio", já que as reformas dependem do Congresso Nacional.

A seguir, os principais trechos da entrevista de Schymura ao G1.

Como o sr. avalia o cenário econômico brasileiro atual?

O cenário atual é preocupante por conta da necessidade do ajuste fiscal de pelo menos uns 3 pontos percentuais do PIB, o que é significativo. E eu estou falando a nível estrutural, não a nível conjuntural. Ou seja, tem que ser uns 3 pontos percentuais que perdure indefinidamente.

O principal desafio do governo atual ao assumir era a retomada do crescimento. O que ele fez foi satisfatório?

Acho que não foi satisfatório . A questão fiscal ficou muito a desejar. Não houve um ajuste fiscal que se esperava, ou pelo menos o mínimo necessário que se imaginava que poderia ter sido feito. Pensou-se na questão de uma reforma da Previdência, mas o fato é que ela não chegou nem a ser encaminhada de fato para votação pelo Congresso. Os ajustes feitos foram na parte do custeio e no investimento público. Não vimos nenhum esforço adicional para a contenção de despesas.

A reforma da Previdência seria suficiente?

A reforma da Previdência é importante, mas não é suficiente. A conta da Previdência é muito grande. Existe um crescimento vegetativo nessa conta por causa do envelhecimento da população. Então, é difícil você imaginar que se consegue um ajuste fiscal de longo prazo sem passar pela Previdência.

Os analistas estão divididos quanto a reforma da Previdência. Alguns acham que ela sai com o próximo presidente, outros acham que o novo presidente não vai conseguir emplacá-la...

Eu acho que consegue alguma coisa, porque já amadureceu [a proposta de reforma previdenciária] um bocado. Eu acho que não vai ser tão ambiciosa como a que os mais otimistas imaginam, nem se deixará de aprovar nada como pensam os mais pessimistas. Deve aprovar alguma coisa como idade mínima, talvez separando alguns grupos. Alguma coisa vai sair até pela necessidade da questão fiscal.

Quais são os desafios para se promover esse ajuste fiscal?

O problema de qualquer ajuste fiscal dessa dimensão é porque ele é tão intenso que você precisa definir quem vai pagar a conta, seja pela perda de benesses, que é a redução das despesas, ou pelo aumento do preço das coisas, através de mais imposto. Esses ajustes fiscais mais fortes só são conseguidos em ambientes nos quais a economia já está sofrendo. Você precisa ter algum sinal de que as coisas vão mal para a população como um todo. Porque se não tem esse sinal, as pessoas ficam desconfiadas.

Não há esse sinal ainda?

A própria população só começa a ter uma percepção de urgência quando ela se apresenta de alguma maneira. Como é que você vai imaginar a população com uma percepção de urgência com uma inflação em 3%?

Mas o mercado de trabalho não sinaliza essa urgência?

Sinaliza, mas não que elas vão ser mais penalizadas [se não se fizer um ajuste]. Hoje, o que você está dizendo é 'olha, além de você estar desempregado, eu ainda vou fazer o seguinte: você vai ter que se aposentar mais velho. Você não só não vai conseguir emprego, como vai ter que trabalhar mais'. Então a pessoa pensa 'quer dizer que meu inferno vai ser maior ainda? Minha agonia vai crescer ainda mais?'.

O que, então, sinalizará essa urgência?

A inflação é o sinal do caos. O caos econômico é a inflação. Porque a inflação não é escolha, ela é o desfecho de uma guerra. A guerra econômica, a guerra distributiva, ela gera inflação. Porque os interesses não cabem naquele contexto. É todo mundo pedindo, não conseguem se acertar, a inflação surge e faz o trabalho sujo. Foi assim da década de 80 até o plano real.

O sr. acha que o tema economia vai pautar o debate eleitoral deste ano?

Eu acho que não, porque a economia não está tão ruim. Sob a ótica do agora, é óbvio que o desemprego está ruim. Mas a segurança está terrível. O sistema de saúde, precário. O sistema de educação, eu não preciso nem falar como está. Então, você tem vários problemas dentro da sociedade brasileira que atormentam a população. O eleitorado hoje, eu te garanto, está muito mais preocupado em não levar um tiro na rua e que o preço do gás não suba, dele ter condição de comprar gás, de ter um posto de saúde com médico, do que com o ajuste fiscal. E como se resolve isso com o fiscal deteriorado?

Essas demandas por educação, segurança, saúde, são históricas...

É importante nós entendermos essa nossa situação de maneira contextualizada. Em 2013 nós tivemos o movimento das ruas. Aquele ali foi um momento em que nós tivemos salário real crescendo, o desemprego caindo. Mesmo com essas notícias positivas houve um movimento da população. O fiscal já estava ruim. As pedaladas já tinham começado porque você não estava conseguindo entregar o fiscal. Mesmo neste contexto você teve uma população pedindo mais e mais qualidade do serviço público.

Qual deve ser a agenda de 2019?

Eu acho, na minha opinião, que é prioritário e fundamental fazer o ajuste fiscal. Se você me perguntar 'na questão econômica hoje, o que é prioritário?', [respondo] o fiscal. E a segunda prioridade? O fiscal. E a terceira? O fiscal. Talvez na quinta eu vá pensar em outra coisa. Porque sem o ajuste fiscal eu não consigo imaginar o país crescendo, porque o investimento não vai vir. Você não cria ambiente de negócios.

Somente o fiscal?

Tem outras coisas a serem feitas? É óbvio que tem, o país é de uma complexidade, tem muita microeconomia a fazer, muitos detalhes com relação a concessões que serão dadas, à defesa da concorrência, de se aumentar ou estimular mais as ações de defesa da concorrência, questões setoriais, definição clara de qual é o papel do meio ambiente para evitar que obras deixem de ser feitas. Tem várias questões que são importantes, mas o crucial é o fiscal.

A greve dos caminhoneiros marcou uma mudança no cenário econômico esse ano?

Eu acho que teve um papel importante, porque marcou uma leitura da economia política que não se tinha até o momento da greve. Até então, se acreditava que a governabilidade de um presidente da República, no caso o Michel Temer, com uma baixíssima popularidade, era possível com apenas uma negociação dentro do Congresso Nacional. E o que essa greve nos mostrou é que a baixa popularidade do presidente acabou influenciando a política econômica em vigor.

O sr. se refere à política de preços da Petrobras?

Sim. Porque a política econômica que tinha sido estabelecida era a Petrobras blindada, trabalhando para resolver as suas contas, ser uma empresa independente do governo, que trabalharia no sentido de gerar eficiência e lucro. E o que essa greve mostrou é que houve um apoio popular maciço aos caminhoneiros, o que forçou a Presidência da República a ceder nesse processo de barganha com os caminhoneiros. Com isso, mudou a política econômica do governo. Então, é um marco importante e devemos estar atentos nos próximos governos.

E qual deve ser o futuro da Petrobras a partir de então?

Eu acho que a gente aprendeu, ou a gente já sabia mas talvez esqueceu, que é impossível você ter um país com uma situação fiscal deteriorada e ter uma empresa [estatal] muito bem. Para a Petrobras, houve uma janela de oportunidade. Embora o fiscal do governo estivesse muito ruim, a Petrobras estava muito pior. Então, você criou ali uma blindagem em torno da empresa para ela melhorar. Quando a Petrobras começa a melhorar muito, por ser estatal, ela começa a ser objeto de desejo de todos para tentar pegar um pedaço. No fundo, ela não pode ficar tão desequilibrada do resto do país. Quando é que os preços das ações da Petrobras subiram muito? Quando o Brasil no fiscal estava indo muito bem. E em 2009 e 2010 o preço da Petrobras disparou. O país começa a ir mal, você sabe que vão sangrar a empresa, qualquer estatal. Dificilmente seria diferente em qualquer outro país do mundo.

Mas, e em relação à política de preços da Petrobras de agora em diante?

Depende de quem vai ser o presidente. Mas eu acredito que volte a ter uma atuação política em cima dela, com o preço mais controlado. É inevitável que a empresa acompanhe de alguma maneira o preço internacional. Como que vai ser essa regra, é difícil dizer. Agora, como foi até agora, com o fiscal do jeito que está, eu não acredito. Porque ninguém vai abrir mão da Petrobras numa maneira dramática como a que estamos.

Mas o mercado reagiu muito fortemente quando o governo interveio na Petrobras...

Sempre existe aquela expectativa de que a Petrobras será privatizada em algum momento. Então, qual é o imaginário do mercado? Você tem ela blindada num primeiro momento, ela fica limpa, redonda e cresce em valor de mercado e aí ela será entregue à privatização. De fato, do ponto de vista de quem está pensando em privatizar, primeiro embala a noiva, mostra que ela tem condições, para depois colocar à venda.

Voltando ao nosso ponto inicial, o sr. pode listar quais os principais desafios para o Brasil voltar a crescer?

O principal desafio é o fiscal. A questão fiscal tem que ser prioritária para qualquer que seja o governo que venha a assumir. Você tem aí um dever de casa importante que é gerar um ajuste fiscal estrutural de 3% do PIB. Se não resolver o fiscal, você não consegue só com ajustes setoriais, gerar uma onda de crescimento.

E o que esperar do mercado de trabalho no contexto atual?

Voltamos de novo ao fiscal. Por que o fiscal é importante nesse aspecto? Porque com o fiscal melhorando, tem investimento. Melhorando o fiscal, dando uma sensação de solvência no país, de não ter uma sensação de risco de inadimplência, o juro cai. A taxa de retorno sobre o investimento físico no país é muito alta. Então, na medida que o juro cai porque o fiscal consertou, a gente vai ter uma onda positiva dentro desse país de investimento que vai afetar diretamente o mercado de trabalho. O fiscal não é uma questão de capricho, de ter as contas bonitinhas. O fiscal é um sinal de que você consegue criar vantagens para o investidor. O fiscal se resolver significa o seguinte: não é só o número se resolver, é a regra do jogo que vai ser estabelecida.

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Terça, 29 Maio 2018 11:48

IGP-M varia 1,38% em maio, diz FGV

IGP-M varia 1,38% em maio, diz FGV

Com o resultado, índice acumula alta de 3,45% no ano e de 4,26% em 12 meses - em maio de 2017, o índice havia caído 0,93% e acumulava alta de 1,57% em 12 meses.

Por G1

29/05/2018 08h09 Atualizado há menos de 1 minuto

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado para reajustar a maioria dos contratos imobiliários, variou 1,38% em maio, após encerrar abril com variação de 0,57%.

Com este resultado, o índice acumula alta de 3,45% no ano e de 4,26% em 12 meses. Em maio de 2017, o índice havia caído 0,93% e acumulava alta de 1,57% em 12 meses. Os dados são da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

Atacado e varejo

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede os preços no atacado e que responde a 60% no cálculo do IGP-M, passou de 0,71% em abril para 1,97% em maio.

As principais contribuições vieram dos subgrupos:

  • Combustíveis e lubrificantes para a produção, que passou de 5,32% para 10,35%
  • Minério de ferro, de -9,53% para 10,97%
  • Aves, de -4,37% para 1,77%
  • Café (em grão), de -1,09% para 2,97%
  • Etanol (0,16% para -3,78%)
  • Frutas (4,82% para -2,58%)
  • Roupas (0,67% para 0,13%)
  • Excursão e tour (-0,40% para -1,98%)
  • Tarifa de eletricidade residencial (1,24% para 3,05%)
  • Pacotes de telefonia fixa e internet (0,46% para 0,93%)
  • Alimentos para animais domésticos (-1,21% para -0,14%)
  • Artigos de higiene e cuidado pessoal (0,56% para 0,82%)

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), relativo aos preços no varejo, que responde a 30% do cálculo, passou de 0,31% em abril para 0,26% em maio.

As principais contribuições vieram:

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que também é usado para calcular o IGP-M, mas com peso menor do que os outros subíndices, passou de 0,28% para 0,3%.

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Confiança de serviços recua em maio pelo 3° mês consecutivo, aponta FGV

Já a confiança da indústria do Brasil teve leve melhora, mas ainda mostra perda de fôlego,

Reuters

Por Reuters

28/05/2018 09h05 Atualizado há menos de 1 minuto

As expectativas do empresariado se deterioraram e a confiança de serviços no Brasil recuou pelo terceiro mês seguido em maio, mostrou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (28).

Após queda de 2,4 ponto, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) atingiu em maio 88,8 pontos.

"Os indicadores de maio sinalizam, sobretudo, um movimento de ajuste nas expectativas empresariais. A frustração com a moderação no ritmo de atividade corrente e a influência do cenário de incerteza que marca o processo eleitoral vêm resultando numa contínua calibragem nas expectativas do setor", explicou em nota o consultor da FGV Silvio Sales.

"Novamente, é a leitura das empresas sobre os negócios nos próximos seis meses o aspecto que mais pressiona a queda na curva de confiança. Esses resultados reforçam a perspectiva de continuidade da trajetória de tímida recuperação do setor."

O resultado reflete principalmente o recuo de 3,9 ponto do Índice de Expectativas (IE-S), pressionado pela queda na tendência de negócios. Enquanto o Índice da Situação Atual (ISA-S) perdeu 0,6 por cento, por conta da queda no indicador de situação atual dos negócios.

Confiança da indústria

Nesta segunda-feira, a FGV divulgou também que a confiança da indústria registrou ligeira melhora em maio, porém insuficiente para recuperar as perdas vistas no mês anterior e ainda aponta perda de fôlego do setor.

O Índice da Confiança da Indústria (ICI) registrou avanço de 0,1 ponto e atingiu 101,1 pontos em maio na comparação com abril, quando houve perda de 0,7 ponto em relação ao mês anterior.

"O resultado reflete em boa medida a piora das expectativas em relação ao desempenho da economia brasileira em 2018, motivada pelo aumento de riscos no mercado externo e pelo elevado nível de incerteza econômica e política", disse a coordenadora da Sondagem da Indústria da FGV/IBRE, Tabi Thuler Santos, em nota.

No mês, tanto o Índice da Situação Atual (ISA) quanto o Índice de Expectativas (IE) avançaram 0,1 ponto, para respectivamente 100,6 e 101,6 pontos.

Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada permaneceu em 76,5 por cento, nível mais alto desde maio de 2015 (76,6%).

A indústria brasileira encerrou o primeiro trimestre estagnada após queda inesperada de 0,1%na produção em março, em sinal de que a economia vem mostrando desempenho aquém do esperado.

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