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Menos de 10% das contas têm dois terços das aplicações no País

Dados divulgados pela Anbima também apontam que, pela primeira vez, parcela mais rica atinge montante de R$ 1 trilhão em aplicações financeiras

Gabriel Roca, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 19h25

Apenas 9,18% das contas bancárias de pessoas físicas concentram 64,2% das aplicações financeiras no Brasil, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Segundo a instituição, no fim do primeiro semestre de 2018, o montante de recursos investidos no País chegou a R$ 2,8 trilhões.

A Anbima contabilizou em mais de 70 milhões as contas ativas no mercado financeiro. Os 9,18%, ou 6,4 milhões de contas, são formados por clientes do perfil 'varejo de alta renda', composto por correntistas de um segmento de mais alto padrão nos bancos - Itaú Personnalité, Banco do Brasil Estilo, Bradesco Prime ou Santander Select, por exemplo. Essa parcela concentra um montante de R$ 821,5 bilhões, ou 29,28% do total investido no mercado.

A outra parcela é o segmento classificado como 'private banking', ou correntistas que possuem mais de R$ 3 milhões em aplicações financeiras. São apenas 122 mil - 0,17% do total de contas no mercado brasileiro. Somadas, elas atingem patrimônio de R$ 1 trilhão, ou cerca de 35,7% do volume total em aplicações no Brasil.

O volume é maior, por exemplo, do que o acumulado pelos cerca de 64 milhões de correntistas no chamado 'varejo tradicional'. No total, eles possuem R$ 919,36 bilhões em aplicações.

Mais pobres preferem a poupança

Ainda de acordo com o levantamento da Anbima, a camada com menor poder aquisitivo da população, o chamado 'varejo tradicional', ainda concentra a maior parte de suas aplicações financeiras na caderneta de poupança.

Em junho de 2018, 63,3% de todo o volume investido pelo segmento concentrava-se no produto.

Por ano, a caderneta de poupança remunera os investidores hoje em 70% da Taxa Selic, que atualmente está em 6,5% ao ano, mais a TR, que é próxima de zero.

Ricos procuram fundos de multimercado

Na parcela de maior renda do mercado, a distribuição da carteira é bem diferente. No 'varejo de alta renda', apenas 12,3% das aplicações estão na poupança. Entre os produtos mais conservadores, há a preferência por fundos de renda fixa, nos quais estão alocados 37,4% do capital do segmento. Outros 12% estão em CDBs.

Também houve um crescimento expressivo nas aplicações em fundos de multimercado, com alta de 24,4% e R$ 86,3 bilhões investidos. Isso porque, com a queda nas taxas de juros, houve uma procura maior por ativos mais arriscados dentro do segmento de alta renda, de acordo com José Rocha, presidente do Comitê de Varejo da ANBIMA.

No segmento de 'private banking' - os investidores que possuem mais de R$ 3 milhões em aplicações financeiras -  apenas 0,2% do total do dinheiro está alocado na poupança. Destacam-se ativos de maior risco, também como os fundos multimercado, que tiveram crescimento de 9,4% no primeiro semestre de 2018.

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Entrada de capital externo no País desacelera para US$ 600 milhões

Brasil foi um dos países que registraram menor volume de recursos estrangeiros no 2º trimestre

Gabriel Bueno da Costa e Victor Rezenda, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 22h09

O Brasil foi um dos países onde houve maior desaceleração em entrada de capital no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano, de acordo com o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês). De acordo com os dados da organização, o Brasil registrou entrada de US$ 600 milhões no segundo trimestre, enquanto no período de janeiro a março houve entrada de US$ 11 bilhões, totalizando US$ 11,6 bilhões no primeiro semestre de 2018. O resultado mostra um avanço na comparação com os primeiros seis meses de 2017, quando a entrada de capital estrangeiro no Brasil foi de US$ 8,1 bilhões.

Considerando os números do segundo trimestre, o IIF apontou que Índia, Polônia, Brasil, Argentina e Turquia registraram “a maior desaceleração entre os mercados emergentes na comparação com o primeiro trimestre”. Nos cálculos do instituto referentes ao primeiro semestre, outros cinco países emergentes superaram o Brasil em termos de entrada de capital estrangeiro: China (US$ 73,7 bilhões), Índia (US$ 32 bilhões), Turquia (US$ 24 bilhões), México (US$ 22 bilhões) e Argentina (US$ 21,7 bilhões).

O IIF apontou, ainda, que os mercados emergentes como um todo registraram entrada de US$ 11,9 bilhões em julho, acelerando em relação aos resultados de junho, quando houve entrada de US$ 10,6 bilhões. “Após dois meses de saída, a carteira líquida de não-residentes se abriu para mercados emergentes e houve fluxo positivo para essas economias em julho”, apontaram os economistas Emre Tiftik e Scott Farnham, do IIF. De acordo com eles, a América Latina atraiu o maior número de entradas de capital (US$ 7,2 bilhões).

Dólar próximo de patamares recordes

O IIF afirma ainda que o dólar está próximo de patamares recordes ante moedas de países emergentes por causa do estresse nesses mercados e pela recente fraqueza do yuan. Além disso, a entidade aponta que as tensões na área comercial colaboram para o movimento.

Na opinião do IIF, o dólar deve se fortalecer mais diante de divisas emergentes, no quadro atual. O instituto lembra que a moeda reage também às variações dos preços das commodities, como o petróleo. 

O IIF aponta ainda que o dólar está mais fraco em relação a moedas de economias fortes. Nesse caso, o dólar está mais fraco graças a diferenciais nas taxas de juros, nota o instituto em breve relatório.

Nesta quinta-feira, 03, no Brasil, o dólar fechou estável, valendo R$ 3,75. No exterior, a moeda americana registrou valorização.

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Investimento direto no País é o menor em 8 anos

Brasil recebeu de outros países R$ 29,9 bilhões no primeiro semestre; número menor de leilões ajuda a explicar queda

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2018 | 04h00

O Brasil recebeu US$ 29,9 bilhões em investimento produtivo de outros países no primeiro semestre de 2018. A cifra, divulgada nesta quinta-feira, 26, pelo Banco Central, é a menor para um primeiro semestre desde 2010, quando US$ 27 bilhões entraram no País de janeiro a junho.

Os dados do BC mostraram que, em junho, o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 6,5 bilhões, maior que o de junho de 2017, de US$ 4 bilhões. No entanto, os US$ 29,9 bilhões de IDP acumulados de janeiro a junho ficaram 17,4% abaixo dos US$ 36,2 bilhões do mesmo período do ano passado.

“O IDP se reduziu no primeiro semestre, mas segue robusto para financiar o déficit em conta corrente”, afirmou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha. “Essa redução parece bastante ligada à falta de operações individuais de maior vulto. A primeira operação de IDP superior a US$ 1 bilhão ocorreu apenas em junho.”

Rocha explicou que operações de IDP com valores menores geralmente estão ligadas à expansão de empresas estabelecidas no País. Segundo ele, esse fluxo continuou em 2018. As operações de IDP com valores maiores estão ligadas a aquisições de empresas por estrangeiros ou a resultados de leilões de concessão.

No primeiro semestre do ano, houve apenas uma operação de IDP acima de US$ 1 bilhão, no valor de US$ 1,04 bilhão. De janeiro a junho de 2017, foram US$ 7,98 bilhões em operações de IDP de valores maiores. 

Questionado se o IDP teria sido menor em função da cautela dos estrangeiros, que podem estar aguardando a eleição presidencial para promover novos investimentos, Rocha afirmou que “é difícil dar uma resposta conclusiva para isso”. “Não havendo leilões, há uma oportunidade a menos para realizar IDP”, acrescentou. 

Conta corrente

De acordo com o BC, em junho, o País registrou superávit em conta corrente de US$ 435 milhões. O número – que reflete o saldo de transações do Brasil com o exterior nas áreas comercial (exportações menos importações), de serviços e rendas – foi positivo pelo quarto mês consecutivo. 

A balança comercial teve superávit de US$ 5,5 bilhões, abaixo dos US$ 7 bilhões de junho de 2017. “Evidências apontam que, nas duas primeiras semanas de junho, houve impacto da greve dos caminhoneiros”, citou Rocha. Com os caminheiros parados, o País exportou menos.

No primeiro semestre, a conta corrente acumulou déficit de US$ 3,6 bilhões. Apesar disso, os US$ 29,9 bilhões de IDP no primeiro semestre foram mais que suficientes para compensar o déficit em transações correntes.

Turismo

O avanço do dólar ante o real fez os brasileiros segurarem os gastos com viagens ao exterior. Dados do BC mostraram que a conta de viagens teve déficit de US$ 1,1 bilhão em junho. O montante, que reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil, é 2,12% menor que o visto em junho de 2017. Em maio, ele havia ficado em US$ 1,2 bilhão. 

As despesas dos brasileiros em outros países somaram US$ 1,5 bilhão, abaixo dos US$ 1,6 bilhão de maio. No primeiro semestre, as despesas líquidas com viagens somaram US$ 6,3 bilhões, acima dos US$ 5,7 bilhões do ano passado.

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Para a economia do País, o ano já está perdido’, diz fundador da Cyrela

Empresário diz ter sido ‘triste’ não aprovar a reforma da Previdência, defende anistia a políticos e ajuda aos mais pobres

Especial

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Renata Agostini, O Estado de S. Paulo

08 Julho 2018 | 05h00

Elie Horn, de 74 anos, acomoda-se na cadeira, pede um suco de laranja e logo diz: “Quer perguntar primeiro sobre política? Porque vou falar muito pouco sobre política”. O bilionário fundador da incorporadora Cyrela, que assumiu o compromisso de doar a maior parte de sua fortuna, prefere falar de filantropia. O que não significa que não tenha suas ideias para o País. 

Para ele, tem de haver um recomeço, uma espécie de “reestruturação”. Horn acredita que, para o País voltar ao rumo, é necessário pensar numa espécie de anistia para políticos. “Muitas vezes, procurar o passado não vai ter fim. Pega um ponto zero e começa a viver com regras novas, rígidas.”

Pessimista em relação à economia, diz não temer as eleições. Declara-se de centro-direita, mas diz não saber qual o melhor candidato. No momento, dedica-se ao lançamento da Plataforma do Bem, que ajudará iniciativas de filantropia em diversas áreas no País. 

Como vê a economia este ano?

O ano está perdido. É um problema político mais do que outra coisa, infelizmente. Mais um ano perdido. Não aprovar a reforma da Previdência foi muito triste. O País terá problemas sérios no futuro. Esse governo fez muita coisa boa, não teve chance de continuar. Se acabou, não sei. Falarei pouco de política. A única opinião minha que vale é sobre o bem. 

A política não pode ser usada para fazer o bem?

Com certeza. Só que tem de haver recomeço total, uma espécie de reestruturação do País, com regras novas. Temos de partir do zero. Muito melhor do que corrigir com emendas. Muitas vezes procurar o passado não vai ter fim. Pega um ponto zero, esquece todo o passado e começa a viver com regras novas, rígidas. Daqui em diante, quem infringir terá problemas, punições. Não se consegue consertar tudo. É impossível. Então, corta: hoje é hoje e ontem já morreu. 

O sr. fala numa anistia aos erros de políticos e empresários?

Empresários nem tanto, porque não têm tanto poder. Quem tem poder são políticos. 

Uma forma de pacificar o País?

De evoluir o País. Precisamos acabar com a pobreza, a ignorância. Isso só virá se o País crescer e o País só crescerá com mudanças nas regras. Temos de acabar com antagonismo, vinganças. Tem de ter espírito nobre de evoluir sem mágoas.

Não deixaria sentimento de impunidade?

É uma solução. Não é a única. Mas temos de evoluir, ter ideias. Cada dia que passa há crianças morrendo de fome, de doenças. Isso não pode ser permitido. Qual a solução? Acabar com tudo isso. Mas eu preferia falar sobre o bem. Com algumas pessoas, estamos fazendo a Plataforma do Bem. Teremos 20 embaixadores, cada um com uma missão, e vamos tentar chacoalhar a sociedade. Faremos a ponte direta entre doador e receptor. Os custos de administração serão absorvidos pela comissão gestora. Se um real for doado, alguém receberá um real. No começo, as doações virão dos gestores. Lançaremos em agosto.

Como fazer o bem na política?

Dá para fazer mudando as leis a favor do bem. Faz pouco tempo, num jantar com políticos – não vou citar nomes –, pedimos leis que ajudem a combater a pobreza e o abuso sexual. 

Já não existem essas leis?

Não o bastante. Exemplo: ajudar pessoas ricas a doar mais. Tem de incentivar alguns impostos, obrigar empresas a doar para filantropia, para o bem dos funcionários ou dos que moram na mesma cidade. Roberto Setubal (presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco) comprou um apartamento e havia diferença de preço (entre o que Horn pedia e Setubal oferecia). Disse a ele que desse a diferença para caridade. No dia seguinte, ele mandou o recibo. Isso é fazer o bem. 

Os empresários resistem?

Falta conscientização. Tentei convencer vários para o The Giving Pledge (movimento de bilionários que se comprometem a doar a maior parte de sua fortuna). Ainda vou conseguir alguém. Não é fácil. 

Ricos têm de fazer mais filantropia ou pagar mais impostos?

Ter mais impostos faz mal ao País. Frustra a liberdade de negócios. No mundo moderno, quanto menos impostos, melhor. Agora, tem de fazer o bem. O problema não é tributo, mas como é gasto. O País tem de ser melhor gerido. Menos impostos e mais contribuição. Acredito na livre iniciativa.

Teme o desfecho das eleições?

Tivemos uma crise grave no setor imobiliário. Dizem que foi a pior. Falam o mesmo das eleições. Não acho. Em 2002, foi pior. Não houve problema, porque Lula passou a ser um gestor democrático, liberou bastante as regras dos negócios. O País balança, mas não cai. Aprendi a não ter medo. 

O sr. tem candidato?

Segredo político. Sou antirradical e antiextremismo. 

Qual seria o melhor desfecho? 

Um presidente que faça leis a favor do liberalismo, que acabe com a miséria. Qual é esse candidato? Não sei ainda.

O sr. se considera de direita?

Direita-centro-social. Sou a favor de tudo para ajudar as pessoas menos favorecidas. A esquerda tem extremismos. Tem o senhor na Venezuela (Nicolás Maduro), que é de esquerda e ama a miséria. Prefiro a direita dos Estados Unidos à esquerda da Venezuela. 

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