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Desalento recorde limita alta na taxa de desemprego, diz IBGE

4,6 milhões de pessoas desistiram de procurar trabalho, a maioria jovens negros e pardos

18.mai.2018 às 2h00

Lucas VettorazzoNicola Pamplona

Folha de São Paulo

O desalento com o mercado de trabalho bateu recorde e contribuiu para que houvesse redução da taxa de desemprego ao longo dos últimos 12 meses. 

O país encerrou o primeiro trimestre deste ano com 4,6 milhões de pessoas nessa condição —aumento de 511 mil no período de um ano. Os dados constam da Pnad Contínua, pesquisa de abrangência nacional do IBGE, divulgada nesta quinta-feira (17).

Pelos parâmetros da pesquisa, o desalento se caracteriza pelo desânimo em procurar emprego. 

A pessoa nessa condição já não acredita que tem oportunidades profissionais. E quem desiste de buscar uma vaga deixa não apenas o mercado de trabalho —é excluído também das estatísticas de desemprego.

É considerado desempregado apenas quem toma providências para conseguir trabalho. 

Assim, apesar de o desalento indicar a piora do mercado, ele reduz a pressão na taxa de desemprego do país. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desocupação esteve em 13,1%, ante 13,7% de igual período de 2017. 

A desocupação caiu sim, mas caiu em razão de aumento do desalento e do aumento da população subocupada”, afirmou o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo.


Ao longo do ano passado, o país experimentou a redução gradual das taxas de desemprego, baseada principalmente no aumento de trabalhos informais. O indicador, embora apresentasse melhora estatística, mostrava uma piora na qualidade dos postos de trabalho disponíveis no país, já que o emprego com carteira assinada atingiu níveis historicamente baixos. Havia também aumento da procura, o que ocorre neste ano ainda, mas em menor medida. 

Se as pessoas que desistiram de procurar ainda estivessem em busca de oportunidade, a taxa de desemprego no país seria maior, afirmou Thiago Xavier, analista da Tendências. 

No intervalo de um ano —entre o primeiro trimestre de 2017 e os três primeiros meses deste ano—, 487 mil pessoas passaram à condição de desocupadas. Esse contingente de pessoas engrossou, portanto, a fila de emprego em volume proporcional justamente ao das pessoas que deixaram de procurar trabalho (511 mil). 

O país encerrou o primeiro trimestre deste ano com 13,6 milhões de desocupados. Desse total, 3,035 milhões estão na fila há dois anos ou mais. 

Quanto maior o tempo fora, maior a chance de a pessoa deixar o mercado. Existe o efeito psicológico, que emula bem a questão do desalento, que traduz uma ideia de frustração, mas também tem a questão dos custos, já que existe um nível de gasto para se procurar emprego, como condução, alimentação e impressão de currículos”, explica Xavier. 

O IBGE mostrou que pretos e pardos são maioria entre os que desistiram de procurar emprego, respondendo por 73,1% do contingente total. A maioria (23,4%) dos desalentados tem entre 18 e 24 anos, e 38,4% têm ensino fundamental incompleto. 

Há ainda discrepâncias regionais. As regiões Sudeste e Nordeste bateram, no primeiro trimestre deste ano, recorde na série histórica de pessoas desalentadas. Contudo, os estados do Nordeste somaram 2,8 milhões de pessoas nessa condição, enquanto no Sudeste são 922 mil. 

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Com desaforos de Trump, relação entre EUA e União Europeia azeda de vez

Irã, aço, clima: presidente vem empilhando decisões que contrariam interesses europeus

18.mai.2018 às 2h30

Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello

"Olhando para as últimas decisões do presidente Donald Trump, podemos pensar: com amigos como esse, quem precisa de inimigos?", disse, nesta quarta-feira (16), o presidente da União Europeia, Donald Tusk.

Está difícil discordar de Tusk. 

A relação entre europeus e americanos azedou de vez. Nos últimos meses, Trump adotou uma série de medidas que contrariam frontalmente os interesses da União Europeia. 

Apesar da ofensiva de charme empreendida pelo presidente francês, Emmanuel Macron, Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã. Isso é péssima notícia para inúmeras empresas europeias. Com a saída dos EUA do acordo, voltam a vigorar, no período de 90 a 180 dias, as sanções secundárias dos Estados Unidos contra empresas que têm negócios com o setor financeiro, de energia, automobilístico e de aviação civil do Irã. 

As sanções são impostas, na realidade, por meio de instituições financeiras americanas. Um banco americano que continuar fazendo transações com uma empresa europeia na lista das sanções secundárias é punido com multas e outras medidas. Como resultado, elas deixam de fazer negócios com o Irã, por medo de se verem impedidas de acessar o sistema financeiro americano. 

No passado, por exemplo, bancos europeus com subsidiárias nos EUA, como o HSBC, Standard Chartered, ING, Barclays, Credit Suisse BNP e Lloyds, pagaram enormes multas por manterem transações com empresas que continuavam fazendo negócios com o Irã.

A UE estava mais do que empenhada na redescoberta do mercado iraniano e o fim do acordo será uma grande perda. Além do aumento nas exportações para o país (na França, subiram de 562 milhões de euros em 2015 para 1,5 bilhão de euros em 2017), há muitos investimentos em jogo.

A petroleira francesa Total, por exemplo, planejava investir US$ 5 bilhões em um campo de gás iraniano. A Airbus já anunciou que não pretende seguir em frente com o plano de vender US$ 19 bilhões em aeronaves para o Irã.

Sutileza tampouco é o forte do governo americano e seus emissários. Horas antes de assumir seu posto, na semana passada, o novo embaixador americano na Alemanha, Richard Grenell, ameaçou empresas alemãs pelo Twitter. "Empresas americanas que fazem negócios com o Irã devem suspender suas operações imediatamente", disse o embaixador, pouco diplomático.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que a UE vai ressuscitar o estatuto de bloqueio de 1996, uma legislação concebida para contornar o embargo americano contra Cuba e algumas sanções contra Irã e Líbia.

A legislação prevê penalidades contra empresas europeias que respeitarem as sanções americanas. Ou seja, para as empresas não refresca muito, elas vão ter que optar pelo menor dos prejuízos. Ainda há a possibilidade de elas serem compensadas pelas possíveis punições dos EUA, mas está difícil saber como isso funcionaria na prática. (a lei não chegou a ser usada em sua primeira encarnação).

A única esperança é que os EUA reajam à legislação europeia não sendo tão rígidos na aplicação das sanções secundárias. 

Como se não bastasse esse prejuízo a empresas europeias, Trump também está prestes a impor tarifas de 25% sobre o aço europeu e 10% sobre o alumínio —ou algum misto de tarifas e cotas (na mesma linha do que o Brasil "aceitou" recentemente). Seja qual for a negociação até 1 de junho, data limite para decisão (se não for adiada, como Trump costuma fazer), boa coisa não será —algum tipo de restrição nas exportações será imposta.   

Ah, isso tudo sem falar na saída dos EUA do acordo do Clima de Paris, no ano passado. E na abertura da embaixada americana em Jerusalém. E na saída da Parceria Transpacífico.

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China nega que tenha oferecido pacote de US$ 200 bi para reduzir déficit comercial dos EUA

Vice-primeiro-ministro chinês está em Washington nesta semana para retomar negociações com os EUA com o objetivo de evitar uma guerra comercial.

 

Por Reuters

18/05/2018 07h56  Atualizado há 30 minutos

A China negou nesta sexta-feira (18) que tenha oferecido um pacote para reduzir o déficit comercial dos EUA em até US$ 200 bilhões, horas depois de ter desistido de uma investigação antidumping sobre as importações de sorgo norte-americanas em um gesto conciliatório no momento em que os principais negociadores se encontram em Washington.

Autoridades dos EUA disseram na quinta-feira que a China estava propondo concessões comerciais e aumento das compras de bens norte-americanos com o objetivo de reduzir o déficit comercial dos EUA com a China em até 200 bilhões de dólares por ano.

"Esse rumor não é verdade. Isso eu posso confirmar para vocês", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lu Kang, em entrevista à imprensa.

"No meu entender, as consultas relevantes estão em andamento e elas são construtivas", disse ele, acrescentando que não poderia dar mais detalhes sobre as negociações.

O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, está em Washington nesta semana para discussões com autoridades dos EUA lideradas pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, com o objetivo de evitar uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Nesta sexta-feira, a China anunciou que estava encerrando sua investigação sobre sorgo, o que efetivamente suspendeu um comércio no valor de cerca de US$ 1,1 bilhão no ano passado e afetou os mercados globais de grãos e provocou preocupações sobre o aumento dos custos internamente.

OS EUA são a fonte dominante da China de sorgo importado. Ao explicar o fim da investigação, o Ministério do Comércio chinês disse que ela "teria um impacto generalizado sobre os custos de vida dos consumidores, e não está de acordo com o interesse público".

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EUA e China iniciam negociações comerciais nesta quinta

Países tentam evitar uma guerra comercial, com o maior crítico da China na Casa Branca relegado a um papel secundário.

Por Reuters

17/05/2018 08h12 Atualizado há 57 minutos

Os Estados Unidos e a China iniciarão negociações comerciais nesta quinta-feira em uma tentativa de evitar uma guerra comercial, com o maior crítico da China na Casa Branca relegado a um papel secundário, disseram na quarta-feira autoridades do governo norte-americano.

Peter Navarro, assessor de indústria e comércio da Casa Branca, não terá um papel principal na equipe dos EUA, disseram duas autoridades. Em vez disso, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin; o secretário do Comércio, Wilbur Ross; e o Representante de Comércio, Robert Lighthizer, vão liderar a delegação norte-americana nas negociações com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, principal assessor econômico do presidente Xi Jinping.

Navarro participou de uma rodada inicial de negociações há duas semanas em Pequim que levou a apresentações de uma série de exigências comerciais de cada lado. A mudança na posição de Navarro acontece em meio a uma crescente divergência em relação à política comercial com Mnuchin, que é a favor de acordos mais viáveis para abrir a economia da China a empresas dos EUA e aliviar ameaças tarifárias.

Navarro e Mnuchin tiveram uma discussão acalorada na viagem a Pequim e o relacionamento ficou tão abalado que alguns participantes chegaram a questionar abertamente como eles se relacionariam dentro do mesmo avião no longo voo entre os EUA e a China, disse uma pessoa familiarizada com o episódio.

As negociações começarão no momento em que os EUA encerram as audiências públicas sobre a primeira série de tarifas norte-americanas sobre US$ 50 bilhões em bens chineses propostos como punição sobre supostas violações de direitos intelectuais dos EUA.

As tarifas, que visam peças elétricas e de maquinários, automóveis e TVs de tela plana chineses, podem entrar em vigor no início de junho. Elas podem ser seguidas de uma rodada adicional de mais US$ 100 bilhões sobre bens chineses ainda a serem identificados.

Os mercados acionários da China recuaram nesta quinta-feira em meio a negociações comerciais com os Estados Unidos em Washington. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,73%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,48%.

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Alta do dólar faz BC manter taxa básica de juros

Na avaliação de analistas, autoridade monetária teme efeitos do câmbio sobre a inflação e os investimentos

17.mai.2018 às 2h00

Maeli Prado Flavia Lima

Folha de São Paulo

O BC (Banco Central) reagiu à alta do dólar. Por unanimidade, manteve os juros básicos da economia em 6,5% ao ano, ao mesmo tempo em que sinalizou o fim do ciclo de cortes no juro iniciado em outubro de 2016.

O Copom (Comitê de Política Monetária do BC) considerou que a recente turbulência no mercado internacional, com alta de juros nos EUA e tendência de valorização do dólar, tornou desnecessário um corte adicional nos juros, que estão no patamar mais baixo da história.

A evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional”, disse o BC em comunicado.

No texto, o BC ainda disse que o comitê deve manter a Selic nas próximas reuniões.

A decisão surpreendeu o mercado: foi prevista por apenas um dos 38 economistas e casas ouvidos pela agência de notícias Bloomberg — John Welch, do HSBC. Para os outros 37, o BC cortaria em 0,25 ponto percentual.

Foi uma decisão tomada exclusivamente por causa da mudança no cenário externo”, disse José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, para quem a decisão é justificável. “Como é possível que a alta do dólar gere inflação, cabe a cautela.”

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, concorda. Ele avalia que a decisão foi um sinal de alerta do BC em relação aos fatores que podem pressionar a inflação daqui até o fim do ano.
Para ele, isso pode significar algo até então fora do cenário: uma alta dos juros antes do imaginado se a taxa de câmbio não se acomodar logo.

Os alimentos vão subir mais, especialmente carnes, que devem puxar bastante. E a desvalorização cambial tende a se intensificar com as eleições mais próximas”, diz.

A comunicação do BC, no entanto, foi alvo de críticas de parte dos economistas.

Juan Jensen, sócio da 4E consultoria, diz que a comunicação do BC foi ruim. Segundo ele, o Banco Central teve vários momentos para sinalizar a intenção de interromper o ciclo de baixa e não o fez em nenhum.

Ilan foi à TV há cerca de uma semana e deu sinais de que os juros cairiam. Claramente houve um problema de comunicação”, disse, em referência à entrevista concedida à GloboNews.

Para ele, uma taxa Selic 0,25 ponto percentual mais baixa não faria muita diferença, especialmente porque o mercado de crédito está travado.

O canal de transmissão de uma Selic mais baixa via mercado de crédito está entupido e só deve melhorar quando os bancos tiveram maior clareza sobre o cenário eleitoral”, diz ele. Um candidato mais afeito às reformas, afirmou, abriria espaço para juros menores por um prazo mais longo, baixando a guarda dos bancos.

Menos otimista do que a média, Jensen mantém, desde meados do ano passado, a previsão de alta de apenas 1,9% para o PIB em 2018.

Com uma leitura diferente, Solange Srour, economista-chefe da gestora ARX Investimentos, diz que o BC ganha credibilidade com a decisão, abrindo espaço para um real menos pressionado. 

A comunicação não foi ruim. Eles deixaram claro que só reduziriam mais 0,25 ponto porque achavam que havia risco da inflação ficar muito abaixo da meta”, diz ela. “Hoje esse risco é menor”, avalia.

Para o economista-chefe do banco Santander, Maurício Molon, o mercado estava inquieto com a possibilidade de o Banco Central baixar ainda mais a taxa Selic, estreitando o diferencial de juros entre o Brasil e os EUA—algo que poderia pressionar ainda mais o câmbio.

A diferença de juros pesa na decisão de investimentos. Os juros afetam o preço de títulos públicos —são maiores em países mais arriscados e menores em países mais seguros.

A diferença de juros entre Brasil (hoje mais arriscado) e EUA (mais seguro) estava se estreitando. A leitura dos especialistas é que isso em algum momento deixaria o mercado local menos atraente para os investidores.

Fora do radar da pesquisa da Bloomberg, Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, era um dos poucos que esperava manutenção dos juros. Para ele, altas dos preços agrícolas no atacado, dos combustíveis e do dólar impedia um novo corte. “O presidente do Banco Central disse há dez dias que os juros iam cair. Errou feio”, diz.

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Barril de petróleo Brent supera US$ 80 pela 1ª vez desde 2014

Disparada nos preços acontece em meio às incertezas a respeito da produção do Irã e da Venezuela.

Por G1

17/05/2018 08h37 Atualizado há 20 minutos

O barril de petróleo do tipo Brent superou nesta quinta-feira (17) a barreira de 80 dólares, uma cotação que não registrava desde novembro de 2014, em um mercado tenso pela incerteza a respeito da produção do Irã e da Venezuela.

O preço do barril alcançou US$ 80,18 por volta das 6h50 de Brasília, uma alta de 90 centavos na comparação com o fechamento de quarta-feira, antes de voltar a ser negociado abaixo de US$ 80.

Nos EUA, o barril de "light sweet crude" (WTI) para entrega em junho era negociado, às 7h15 de Brasília, a US$ 72,07, uma alta de 58 centavos na comparação com a véspera.

Alta de 51% em 1 ano

O petróleo subiu 51% no último ano, impulsionado por cortes coordenados na produção e, neste mês, pela preocupação com a oferta do Irão, depois dos Estados Unidos dizerem que voltarão a impor sanções sobre Teerão por causa das suas atividades nucleares.

A francesa Total alertou na quarta-feira que poderia abandonar um projeto multibilionário de gás no Irã se não conseguisse garantir uma suspensão das sanções dos EUA, lançando mais dúvidas sobre os esforços liderados pela Europa para salvar o acordo nuclear.

"O barulho geopolítico e os temores crescentes estão aqui para ficar", disse Norbert Rücker, chefe da Macro & Commodity Research do banco suíço Julius Baer.

Além disso, os estoques globais de petróleo e produtos refinados caíram acentuadamente nos últimos meses devido à demanda robusta e aos cortes de produção dos principais países produtores do mundo.

Para a Agência Internacional de Energia (IEA), a procura global por petróleo deverá moderar neste ano, já que o preço do barril se aproximou dos US$ 80 e muitos países importadores não oferecem mais subsídios generosos aos combustíveis.

A IEA, com sede em Paris, reduziu a sua previsão de crescimento da procura global para 1,4 milhões de barris por dia em 2018, ante uma estimativa anterior de 1,5 milhões de bpd.

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Apesar de alta do dólar, mercado prevê que Copom fará novo corte nos juros, para 6,25% ao ano

Recente valorização do dólar encarece produtos e serviços importados e pode pressionar os preços no Brasil. Se novo corte for confirmado, Selic atingirá nova mínima histórica.

Por Alexandro Martello, G1, Brasília

16/05/2018 05h00 Atualizado há 4 horas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve promover, nesta quarta-feira (16), um novo corte no juro básico da economia, a Selic, de 6,5% ao ano para 6,25% ao ano, de acordo com aposta que é quase consenso entre os analistas do mercado financeiro.

A previsão dos economistas no novo corte ocorre apesar da disparada do dólar nas últimas semanas, que pode pressionar a inflação no Brasil (leia mais abaixo neste texto).

Se a estimativa se confirmar, a taxa Selic atingirá novo piso da série histórica do Banco Central, que tem início em 1986. A decisão será anunciada após as 18h desta quarta.

Além de apostar na nova redução, o mercado também prevê que deve ser a última do atual ciclo, que começou em outubro de 2016. Nesse período, o Copom promoveu 12 cortes seguidos na Selic, em um cenário de recuperação lenta da atividade econômica que tem resultado em inflação bem comportada.

O mercado financeiro avalia ainda que os juros devem permanecer em 6,25% ao ano até o fim de 2018. Para o fim de 2019, porém, a estimativa dos economistas para os juros básicos está em 8% ao ano. Ou seja, a expectativa é de alta nos juros no ano que vem.

Alta do dólar e decisões do Copom

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o BC reduz os juros - é o que vem acontecendo nos últimos meses. Para 2018, o mercado estima um IPCA de 3,45%.

A recente alta do dólar, porém, tem potencial para gerar pressões inflacionárias no Brasil. Isso porque os produtos, insumos e serviços importados ficam mais caros conforme a moeda norte-americana se valoriza.

Se a inflação está alta e foge da meta ou as estimativas indicam isso, o BC tende a elevar a Selic. A expectativa é que os juros cobrados pelos bancos também subam e que isso leve as pessoas a consumir menos, o que normalmente gera queda da inflação (além de afetar a economia e gerar desemprego).

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Heron do Carmo, especialista em inflação, observou que, apesar da recente alta do dólar, há números que indicam que a inflação deve continuar baixa no Brasil, o que justifica a aposta do mercado no novo corte da Selic.

Carmo apontou que a inflação em 12 meses até abril ficou em 2,76%, bem abaixo do piso da meta de inflação do Banco Central para este ano, que é de 3%. Além disso, avaliou ele, a recuperação da economia brasileira, que também poderia pressionar a alta dos preços, ocorre de maneira "muito lenta", e o chamado repasse da alta do dólar para a inflação é pequeno.

"Atualmente, em uma conta grosseira, 100% de alta do dólar deve dar menos de 5% de inflação. E também precisa ver se esse movimento [de valorização] do dólar se mantém", disse Carmo.

O professor da USP lembrou que o próprio Banco Central tem instrumentos para tentar conter a alta da moeda norte-americana, como os contratos de "swap cambial" - que funcionam como uma venda de moeda no mercado futuro, com reflexos no mercado à vista -, além de leilões de linha (venda de dólar no mercado, com compromisso de recompra).

Por fim, Carmo observou que o IPCA, índice utilizado no sistema de metas de inflação brasileiro, é menos sensível ao dólar.

"No IPCA, a participação maior é de serviços. E temos um desemprego muito grande na economia brasileira", concluiu ele.

Rendimento da poupança

Se confirmado o novo recuo da Selic nesta quarta, o rendimento da poupança também deverá cair a partir desta quinta-feira (17).

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5%.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

A medida visa evitar que a poupança fique mais atrativa que os demais investimentos, cujos rendimentos caem junto com a Selic. Sem o redutor, a poupança passaria a atrair recursos de grandes poupadores, que deixariam de comprar títulos públicos.

Se o juro básico da economia recuar para 6,25% ao ano, a partir desta quinta a correção da poupança passará a ser de 70% desse valor - o equivalente a 4,375% ao ano, mais Taxa Referencial.

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'Prévia' do PIB do Banco Central indica que economia brasileira recuou 0,13% no 1º trimestre

Resultado negativo é o primeiro, na comparação com trimestre anterior, desde o 4º trimestre de 2016. IBC-Br foi criado para tentar antecipar resultado do PIB, que é divulgado pelo IBGE.

Por Alexandro Martello, G1, Brasília

16/05/2018 08h34 Atualizado há menos de 1 minuto

A economia brasileira registrou retração no primeiro trimestre deste ano, informou o Banco Central nesta quarta-feira (16), por meio do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma espécie de "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre janeiro e março de 2018, o indicador apresentou queda de 0,13% quando comparado com o quarto trimestre de 2017 (outubro a dezembro). O número foi calculado após ajuste sazonal, uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes de um ano.

Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, porém, houve uma alta de 0,86% (indicador sem ajuste sazonal).

Segundo a série histórica do indicador, essa foi a primeira queda do nível de atividade, contra os três meses anteriores, desde o quatro trimestre de 2016 - quando foi registrada uma retração de 0,78%.

O IBC-BR é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números oficiais do PIB do terceiro trimestre serão divulgados no dia 30 de maio.

Ano de 2017 e expectativas

O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2017, o PIB teve uma alta de 1%, após dois anos consecutivos de retração.

Os indicadores do primeiro trimestre, porém, revelaram um desempenho pior do que o esperado, o que fez com que economistas baixassem projeção para o desempenho do PIB no período.

Para todo este ano, o governo ainda mantém a estimativa de aumento de 3% para o PIB, mas pode revisar para baixo este número na próxima semana, por meio do relatório de receitas e despesas do orçamento. O documento será divulgado até 22 de maio.

O mercado financeiro, por sua vez, tem baixado sistematicamente sua previsão de alta nas últimas semanas. Recentemente, revisou a estimativa de crescimento de 2018 de 2,70% para 2,51%.

Março e resultado em 12 meses

Os dados do BC mostram que, somente em março, o IBC-Br registrou queda de 0,74%, contra fevereiro. Neste caso, a comparação foi feita após ajuste sazonal, considerada mais apropriada por analistas.

Quando a comparação é feita com março do ano passado (sem ajuste sazonal, pois são períodos iguais), houve uma queda de 0,66%, de acordo com o Banco Central.

Na parcial de 12 meses até março, a prévia do PIB do Banco Central registrou crescimento de 1,05%. O Banco Central divulga esse indicador somente sem ajuste sazonal.

O que é o IBC-Br?

Embora o cálculo seja um pouco diferente, o IBC-Br foi criado para tentar ser um "antecedente" do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

O indicador é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros (Selic) do país. O crescimento ou desaceleração da economia influenciam na inflação, que o Banco Central busca controlar por meio da taxa Selic.

Para 2018 e 2019, a meta central de inflação é de 4,5% e de 4,25%, respectivamente, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 3% e 6%, sem que a meta seja formalmente descumprida, e entre 2,75% e 5,75%.

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Caixa fecha agências e vende imóveis em 2018 para perseguir lucro de R$ 9 bi

Conselho de administração já aprovou meta; medidas serão discutidas em encontro com funcionários

15.mai.2018 às 2h00

Maeli Prado Julio Wiziack

Brasília para a Folha de São Paulo

A Caixa aprovou uma meta de lucro para 2018 de R$ 9 bilhões, resultado que será alcançado graças a um corte de custos operacionais de R$ 2,6 bilhões. Boa parte desse enxugamento virá do fechamento de agências.

Serão encerradas as atividades de cerca de 100 agências cujas operações são consideradas insustentáveis ou aquelas que disputam clientes em endereços muito próximos.

Com isso, o banco passará a possuir 4,1 mil agências, segundo pessoas que participam das conversas.

A meta foi aprovada pelo conselho de administração da instituição, que se reuniu na última quinta-feira (10).

A mudança de curso na Caixa rumo à profissionalização do banco será um dos temas de evento que a instituição organizará no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, nesta quarta-feira (16).

O encontro reunirá 6 mil gerentes de todo o país, com show de axé e o ex-jogador de futebol Cafu como palestrante motivacional, como mostrou reportagem da Folha.

A ideia é transmitir aos gestores que a instituição, daqui para a frente, terá que atuar com uma independência maior do governo federal. Para isso, o banco precisa ser eficiente e estar atento a riscos e retorno das operações.

A nova postura começa a incomodar funcionários. A Fenae (federação das associações de pessoal da Caixa) divulgou nota de repúdio ao que classificou como "desmonte" da instituição financeira.

"Se debater medidas que significam o enfraquecimento da Caixa é inadmissível, fazê-lo em um megaevento financiado com dinheiro público chega a ser deboche", afirmou a entidade em nota.

Na mesma linha de redução de custos, a Caixa também aprovou o compartilhamento de compras e serviços com outras instituições financeiras públicas, como o Banco do Brasil e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A avaliação no conselho do banco é que essas medidas são necessárias para corrigir os indicadores de eficiência da Caixa, que estão abaixo do restante do mercado.

Recente auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), por exemplo, mostrou que a Caixa melhorou sua taxa de recuperação de empréstimos em atraso quando foi impedida pelo órgão de vender carteiras de crédito.

O tribunal tinha identificado que o banco desistia de cobrar dívidas onde ainda havia grande possibilidade de recebimento pela Caixa. Mas a instituição preferia vender esse crédito para outras empresas especializadas em cobrança.

Essa restruturação é parte de um processo maior para reforçar a musculatura do banco, que teve início no final do ano passado, com a aprovação de um novo estatuto que ampliou os poderes do conselho de administração.

Além de redução de custos, esse processo envolve também medidas para aumentar o capital do banco e atender a exigências internacionais de solidez bancária.

Para isso, várias medidas foram aprovadas pelo conselho. Entre elas, a retenção de lucros, ou seja, o pagamento de apenas 25% do lucro na forma de dividendos à União nos próximos dois anos.

Também se bateu o martelo na venda de imóveis próprios, em uma medida que deve gerar outros R$ 500 milhões.

Com o novo estatuto, que foi aprovado com aval do presidente da República, o conselho da Caixa ganhou mais poderes e, agora, tenta evitar que o próprio presidente da República, Michel Temer, interfira demais na gestão do banco.

A controvérsia do momento envolve a capitalização do banco por meio de operações de financiamento com recursos do FGTS para projetos habitacionais e de infraestrutura do Ministério das Cidades.

Temer consultou o banco para saber se esses empréstimos poderiam ser feitos mas, pelo novo modelo de gestão, as operações só serão conduzidas se passarem pelo teste de "risco e rentabilidade".

Pelo novo modelo, nenhum negócio que comprometa o resultado será aprovado. A Caixa está, inclusive, implementando um sistema que avalia, com base em indicadores de risco e retorno, se uma operação deve ou não ser feita.

O que mudou com o novo estatuto da Caixa

  • O conselho de administração passou a ter poder de eleger ou destituir os vice-presidentes do banco; regra anterior previa que somente o presidente da República podia fazê-lo
  • Vices precisam ser aprovados pelo Banco Central
  • Dois dos oito membros do conselho precisam ser independentes, ou seja, não são indicados por nenhum órgão público
  • Os dirigentes da Caixa não poderão: ter parentesco com membros do conselho ou da diretoria; ter dívidas ou terem causado prejuízo ao banco; ter declarado falência; possuir cargos em empresas que sejam fornecedoras da estatal
  • Ter experiência profissional em instituições financeiras ou na área em que trabalharão no banco de no mínimo dez anos...
  • ...ou ter experiência de no mínimo quatro anos como: diretor de conselho de administração, membro de comitê de auditoria ou chefia superior em empresa do porte da Caixa, entre outros cargos listados no estatuto
  • O estatuto prevê a criação de quatro novos comitês, entre eles o de Correição, que emitirá parecer sobre prevenção e apuração de irregularidades
  • Uma vez por ano, ocorrerá uma assembleia-geral com competência para destituir os próprios membros do conselho, decidir remuneração dos administradores e aprovar as demonstrações contábeis da Caixa.

Presidentes, vice-presidentes e membros do conselho deverão:

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Economia argentina enfrenta o seu 'Dia D' em credibilidade

Esta terça-feira (15) é decisiva para a confiança do mercado na economia argentina. Horas antes, o governo Macri fez uma jogada ousada que revela o desespero por conter uma corrida cambial. Mesmo que passe na prova, já se admite mais inflação e menor crescimento econômico.

Por RFI

15/05/2018 07h43 Atualizado há 1 hora

Dia D para economia argentina. Vencem em pesos argentinos o equivalente a US$ 27 bilhões (671,8 bilhões de pesos) em letras do Banco Central (Lebacs). O montante representa 65% de todo o dinheiro em circulação no país.

A pergunta que desafia o governo: será que os investidores vão renovar esse título público e continuar em pesos ou vão abandonar a moeda argentina e passar ao dólar?

Se continuarem em pesos, será um voto de confiança na economia argentina. Se passarem ao dólar, farão disparar a cotação da moeda norte-americana.

Nas últimas horas, o Banco Central se antecipou a esse movimento e ofereceu US$ 5 bilhões de dólares ao mercado, mas a 25 pesos, marcando um novo recorde histórico na cotação. A jogada que implicou a desvalorização do peso em 6,96% num único dia visa marcar um teto para o dólar, desestimulando a corrida cambial para adquirir dólares a esse nível.

Segundo a tática do governo, valerá mais a pena para os investidores continuarem em pesos com taxa de juros anual acima de 40%, a mais alta do mundo.

Pressão

Além de atiçar a ambição dos investidores por lucros elevados em pesos, o governo também pressiona banqueiros, empresários, companhias asseguradoras e fundos de investimento a renovarem o interesse nesses papeis de curto prazo que têm servido para financiar o elevado déficit fiscal argentino.

O governo confia em já ter assegurado a renovação em 60%. Terá atingido o objetivo se conseguir seduzir cerca de 80%, média de renovação nos últimos meses. O resultado só sairá no final do dia. Uma eventual pressão contra o peso aconteceria também na quarta-feira (16).

Mesmo que passe no teste do mercado, o desafio econômico argentino é titânico. A valorização do dólar tem incidência direta no aumento dos preços, sobretudo na Argentina, um país que raciocina em dólares.

Por outro lado, o aumento da inflação e a incerteza prometem afetar o nível de atividade econômica. A inflação prevista para 15% no ano, pode chegar a 25%, segundo os economistas. O crescimento previsto em 3,5% pode ficar abaixo de 2%.

"A Argentina terá mais inflação e menos crescimento num curto prazo", admitiu o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne.

Socorro do FMI

O chefe do Gabinete de Ministros, Marcos Peña, diz saber que existe "incerteza" e "medo" nas ruas, mas diferencia a atual situação de acudir ao Fundo Monetário Internacional. "Estamos num processo de crescimento. Não temos um país paralisado. Não estamos recorrendo ao FMI numa situação terminal como nos anos 80", defendeu.

Na próxima sexta-feira (18), o FMI começa a discutir o caso argentino. O presidente Mauricio Macri conversou durante 10 minutos com o seu amigo Donald Trump para pedir - e conseguir - o apoio dos Estados Unidos, principal sócio do FMI, a um acordo com a Argentina.

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