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União e estados perdem R$ 2,4 bi em tributos com caminhoneiros

Arrecadação do ICMS caiu 4% e da Cide, 20%; bebidas contribuíram 24% menos com paralisação

20.jul.2018 às 2h00

Flavia Lima

SÃO PAULO

​A paralisação dos caminhoneiros em maio pode ter causado um efeito negativo duplo sobre a trajetória das contas públicas. Além de elevar os gastos, por causa das concessões feitas ao setor, houve perda de arrecadação em diferentes tributos federais e estaduais.

Estimativas preliminares indicam que mais de R$ 2,4 bilhões deixaram de entrar no caixa do setor público, em especial, do estados.

Embora a paralisação tenha ocorrido em maio, os efeitos dela sobre a arrecadação aparecem em junho porque, para a maior parte dos tributos, o fato gerador --o que dá origem ao tributo-- ocorre no mês anterior ao pagamento.

Os dados definitivos de junho só serão conhecidos no fim de julho, em divulgação feita pela Receita Federal.

No entanto, os dados já disponíveis indicam que a arrecadação de tributos federais administrados pela Receita (o que exclui, por exemplo, os royaties do petróleo) caiu cerca de 0,4% em junho sobre igual mês do ano passado, já descontada a inflação, levando à primeira taxa negativa do ano.

Os estragos mais fortes ocorreram sobre o recolhimento de impostos sobre bens e serviços, o ICMS, a principal receita dos estados. O recuo deve chegar a 4,2%-- o pior resultado registrado desde fevereiro de 2017.

Segundo o levantamento do Ibre/FGV, os estados nos quais a arrecadação do ICMS mais caiu estão entre aqueles com mais problemas fiscais: Rio Grande do Sul (-11,3%) e Minas Gerais (-8,1%).

O levantamento preliminar foi feito com exclusividade para a Folha pela economista Vilma da Conceição Pinto, pesquisadora do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Os dados federais têm como base o Siafi (sistema de acompanhamento das contas públicas em tempo real.

No caso do ICMS, os números foram obtidos no portal da transparência e cobrem cerca de 70% de tudo que é arrecadado pelos governos estaduais com o tributo.

Como já era de se esperar, os dados do Siafi apontam que a arrecadação com a Cide, a contribuição sobre combustíveis --o estopim dos protestos-- despencou mais de 20% em junho sobre igual período do ano passado.

Mas seguindo uma queda de quase 11% da produção industrial em maio em relação a abril, o IPI (imposto sobre produtos industrializados) foi ainda mais afetado.

Os dados do Siafi indicam que a arrecadação com o IPI sobre fumo, por exemplo, caiu mais de 25%. No imposto sobre bebidas, o recuo foi de 24%, enquanto o volume arrecadado com o IPI sobre automóveis perdeu mais de 10%.

Nos meses anteriores a maio, o bom desempenho da produção industrial, além da venda de bens e de serviços estavam entre os principais fatores a puxar a arrecadação federal.

Em maio, o desempenho ruim de comércio e serviços explica a forte queda na arrecadação do ICMS, que vinha de dois meses de expansão significativas. Foram 4% de aumento em abril e outros 6,5% em maio.

O setor de serviços caiu 3,8% em maio sobre abril, o pior desempenho da série histórica. Já as vendas no varejo registraram, em maio, o resultado mais fraco para o mês desde 2016, em queda de 0,6%.

"A greve dos caminhoneiros causou um choque no comércio e serviços e espera-se que os impactos sejam sentidos mais no ICMS e no ISS (imposto sobre serviços)", diz Vilma Pinto, pesquisadora do Ibre/FGV, ao ressaltar que outros fatores econômicos podem ter influenciado o resultado negativo.

Para o advogado especialista em tributação Eduardo Fleury, do escritório FCR Law, a arrecadação do ICMS tem uma forte dependência dos chamados preços administrados, em especial energia elétrica, combustível, fumo, bebidas e telecomunicações.

Logo, diz o advogado, a estimativa faz sentido, visto que durante duas semanas o país parou de vender combustível, de transportar carros, cigarros e bebidas.

Os maiores efeitos devem ser sentidos em estados grandes, onde mais de 30% da arrecadação vem de produtos como combustíveis e energia, afirma Fleury.

"Isso ocorre porque as alíquotas são mais elevadas para alguns desses produtos e também porque eles representam uma parte importante da atividade econômica", diz.

Em São Paulo, porém, o levantamento indica queda menos robusta, de 2,6% na receita com o ICMS em junho.

Em tempos de forte pressão do Congresso por mais gastos e também de escassez de recursos dos estados para investimentos básicos em saúde, segurança e educação, os dados preocupam, dizem economistas, em especial se não se confirmarem como fenômeno temporário.

A percepção geral, contudo, é que os efeitos dos dez dias úteis de protestos sobre a arrecadação será localizado, devendo se dissipar nos próximos meses.

Fleury diz ser provável que a recuperação nos dados de arrecadação se distribua entre os meses de julho e agosto.

Mas se junho foi ruim para a arrecadação de impostos incidentes sobre bens e serviços e também sobre produtos industrializados, alguns tributos mostraram fôlego importante no período.

O destaque foram os impostos ligados à importação.

Os dados preliminares do Ibre/FGV mostram que a arrecadação com imposto sobre importação subiu 27% em junho sobre igual período de 2017, enquanto a receita com o IPI vinculado à importação avançou 36%.

Os dados do Siafi mostram ainda que a receita com imposto de renda cobrado de residentes no exterior subiu 22%. Já o imposto de renda das empresas cresceu 10%.

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Setor de serviços recua 3,8% em maio com greve dos caminhoneiros, diz IBGE

Foi o resultado negativo mais intenso da série histórica, iniciada em janeiro de 2011, fortemente influenciado pela paralisação que durou 11 dias.

Por Daniel Silveira e Marta Cavallini, G1

13/07/2018 09h00 Atualizado há menos de 1 minuto

O setor de serviços no Brasil recuou 3,8% em maio na comparação com abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o resultado negativo mais intenso da série histórica, iniciada em janeiro de 2011, fortemente influenciado pela greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias no final de maio.

O setor de serviços representa 70% da composição do PIB. A queda de maio é a segunda no ano.

Em relação a maio de 2017, o volume de serviços recuou 3,8%, maior queda desde abril de 2017 (-5,7%). Foi a maior queda do ano na comparação com os outros meses - a maior até então havia sido em fevereiro, com queda de 2,3%. Em abril, havia sido registrado crescimento de 2% em relação ao mesmo mês de 2017.

O acumulado do ano até maio foi de -1,3% - recuo mais intenso do que os quatro primeiros meses de 2018 (-0,7%).

Já o acumulado nos últimos 12 meses teve recuo de 1,6%, contra queda de 1,4% em abril, interrompendo uma trajetória ascendente iniciada em abril de 2017 (-5,1%).

O IBGE revisou ainda os dados do setor de serviços de abril. O avanço naquele mês foi de 1,1%, ao contrário do 1% divulgado anteriormente.

Setor de serviços em maio:

  • Taxa no mês: - 3,8%
  • Acumulado do ano: -1,3%
  • Acumulado em 12 meses: -1,6%
  • Em relação a maio de 2017: -3,8%
  • Serviços prestados às famílias: -0,3%
  • Serviços de informação e comunicação: -0,4%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -1,3%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -9,5%
  • Outros serviços: -2,7%
  • Serviços de alojamento e alimentação: -0,8%
  • Outros serviços prestados às famílias: 0,2%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação: -0,3%
  • Telecomunicações: 0,6%
  • Serviços de tecnologia da informação: -2%
  • Serviços audiovisuais: -1,8%
  • Serviços tecnico-profissionais: -0,3%
  • Serviços administrativos e complementares: -1,5%
  • Transporte terrestre: -15%
  • Transporte aquaviário: 0,4%
  • Transporte aéreo: -1,8%
  • Armazenagem, serviços axiliares aos transportes e correio: -6,2%

"O que mais puxou essa queda foram as atividades de transporte terrestre e de armazenagem e serviços auxiliares aos transportes", afirmou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Curiosamente, no indicador de abril o desempenho positivo havia sido puxado pelos serviços de transporte terrestres. Essa atividade responde pelo maior peso do setor de serviços, segundo o IBGE.

O resultado de maio deixou o patamar do volume de serviços 15,4% abaixo do ponto mais alto, registrado em novembro de 2014. Antes, o ponto mais distante do pico havia sido observado em março de 2017, quando ficou 13,9% abaixo.

Queda em todas as atividades

Os transportes terrestres tiveram queda de 15%, e armazenagem e serviços auxiliares recuaram 6,2%. Ambas foram as quedas mais intensas da série histórica da pesquisa.

A maior queda nos transportes terrestres registrada anteriormente foi de -4,1%, em dezembro de 2014.

O pesquisador enfatizou que todos os segmentos de serviços mostraram taxas negativas tanto na comparação com o mês anterior quanto na comparação com o mesmo mês do ano passado. Mas ponderou que a queda disseminada não é novidade. “Essa é a sexta vez que isso acontece", ressalta.

De acordo com o IBGE, a atividade de transporte terrestre é dividida em 10 categorias, sendo três delas relativas ao transporte de cargas que, somadas, respondem por 70% de todo o transporte terrestre - ramo que responde por cerca de 10% do volume total de serviços do país.

Desempenho por atividades:

Desempenho por subcategorias

Turismo afetado pela greve

Depois de duas taxas positivas consecutivas, acumulando alta de 6,6%, os serviços ligados ao turismo recuaram 2,4% na comparação com abril. Segundo Lobo, essa queda também foi influenciada pela greve dos caminhoneiros. Das 12 unidades da Federação investigadas, nove registraram queda.

Das 22 atividades que compõem o turismo, o principal impacto negativo veio de restaurantes, cujo funcionamento foi prejudicado pelo desabastecimento de produtos in natura.

Já na comparação com maio do ano passado, os serviços ligados ao turismo tiveram alta de 1,9%, puxado pelos serviços hoteleiros e passagens aéreas. O avanço foi observado em nove das 12 unidades da Federação investigadas.

Resultados por região

Regionalmente, 23 das 27 unidades da Federação tiveram retração no volume dos serviços em maio em relação a abril, com destaques para São Paulo (-2,7%), que teve a queda mais intensa desde março de 2017 (-4,7%), Paraná (-8,6%), Minas Gerais (-5%), Rio Grande do Sul (-5,4%) e Rio de Janeiro (-1,7%). Já a principal contribuição positiva foi do Distrito Federal (1,4%), com a terceira alta seguida.

Em relação a maio de 2017, a retração do volume de serviços foi em 25 das 27 unidades da Federação, com São Paulo (-1,9%), Paraná (-11,6%) e Minas Gerais (-6,7%) como destaques negativos. Outras contribuições negativas importantes vieram do Rio Grande do Sul (-7,2%), Bahia (-9,8%) e Ceará (-12,6%). Já o avanço regional mais importante veio do Distrito Federal (4,8%).

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Vendas do varejo caem 0,6% em maio, impactadas pela greve dos caminhoneiros, diz IBGE

Comércio varejista cresceu 2,7% em relação a maio de 2017 - 14ª taxa positiva seguida; no ano, varejo acumulou alta de 3,2%.

Por Daniel Silveira e Marta Cavallini, G1

12/07/2018 09h00 Atualizado há menos de 1 minuto

As vendas do comércio varejista brasileiro caíram 0,6% em maio na comparação com o mês imediatamente anterior, segundo divulgou nesta quinta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como o comparativo é com ajuste sazonal, praticamente descontou o avanço de 0,7% registrado no mês anterior. Foi a primeira queda do ano.

Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista cresceu 2,7% em relação a maio de 2017. Foi a 14ª taxa positiva seguida. Assim, o varejo acumulou alta de 3,2% no ano. O acumulado nos últimos 12 meses cresceu 3,7%, mantendo-se estável em relação a abril (3,7%) e prosseguindo em trajetória ascendente iniciada em outubro de 2016 (-6,8%).

De acordo com a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, a queda no mês de maio tem relação direta com a greve dos caminhoneiros. Todas as atividades do comércio tiveram perdas naquele mês, à exceção de hipermercados e supermercados.

Não significa dizer que não houve impacto no abastecimento dos supermercados. Mas esse impacto foi maior no estoque dos hortifrutigranjeiros. Os estoques de não perecíveis são maiores”, apontou.

Dados do varejo em maio:

  • Taxa no mês: - 0,6%
  • Acumulado do ano: 3,2%
  • Acumulado em 12 meses: 3,7%
  • Livros, jornais, revistas e papelarias (-6,7%)
  • Combustíveis e lubrificantes (-6,1%)
  • Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,2%)
  • Tecidos, vestuário e calçados (-3,2%)
  • Móveis e eletrodomésticos (-2,7%)
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,4%).
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,9%)
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,5%).
  • Combustíveis e lubrificantes (-7,9%)
  • Móveis e eletrodomésticos (-6,1%)
  • Tecidos, vestuário e calçados (-3,6%)
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (-14,0%)
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-7,9%).

Considerando o comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, o recuo foi de 4,9% - pior resultado para um mês de maio desde o início da série histórica, em 2004 -, interrompendo sequência de quatro meses seguidos de crescimento, com Veículos e motos, partes e peças recuando 14,6%, enquanto Material de construção caiu 4,3%, também como reflexo da greve dos caminhoneiros.

Desempenho por setores

Na comparação com abril, seis das oito atividades investigadas tiveram queda. O principal impacto negativo no comércio varejista foi da atividade de combustíveis e lubrificantes. Veja abaixo:

A única atividade que mostrou avanço na passagem de abril para maio foi Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,6%), enquanto em Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0%), as vendas ficaram estáveis.

Temos que lembrar que o supermercado comercializa itens de primeira necessidade, que você não pode deixar de consumir. Além disso, as compras nos supermercados sofrem o efeito de substituição. Se não tem batata, você compra outro produto. E também, o próprio período da greve trouxe certa precaução para a população, que acabou fazendo estoque de alguns produtos com medo do desabastecimento”, diz Isabella.

Em relação a maio de 2017, a taxa positiva foi sustentada por apenas três das oito atividades que compõem o varejo. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo foi a atividade que exerceu o maior impacto positivo no desempenho global tanto no varejo quanto no varejo ampliado. Veja os destaques:

Segundo o IBGE, a manutenção da massa de rendimentos reais habitualmente recebida e a redução sistemática da inflação de alimentação no domicílio vêm sustentando o desempenho positivo do setor. Com o resultado de maio, o setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo acumula 5,6% no ano e 4,2% em 12 meses, mantendo-se em trajetória ascendente desde março de 2017 (-3%).

O grupamento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, joalheria, artigos esportivos e brinquedos, avançou 6,9% frente a maio de 2017, exercendo a segunda maior influência positiva sobre a taxa global. O setor foi influenciado, em parte, pela comemoração do Dia das Mães, com impactos positivos, a despeito da crise de abastecimento ocorrida em maio. Com isso, o segmento acumulou 7,8% nos primeiros cinco meses do ano e 5,9% em 12 meses, mantendo a recuperação iniciada em setembro de 2016 (-10,4%).

Por outro lado, ainda que positivo, o resultado de maio teve predomínio de taxas negativas entre as atividades, com cinco das oito pressionando negativamente a formação da taxa global:

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Construção teve piora na atividade e no nível de emprego com greve

Sondagem da CNI mostra que setor foi um dos mais afetados pela paralisação; empresários não preveem melhora

André Borges, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 04h00

BRASÍLIA- A indústria da construção amargou fortes prejuízos com a greve dos caminhoneiros, nos últimos 11 dias de maio. A interrupção no transporte de insumos causou queda da atividade e aumento da ociosidade, além de ter afetado negativamente a expectativa dos empresários, segundo a Sondagem da Indústria da Construção, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

A atividade recuou 2,5 pontos, de 46,9 em abril para 44,4, em maio, na maior retração registrada desde dezembro de 2014, quando o indicador apresentou queda de 3,6 pontos. O indicador sobre emprego recuou 0,3 ponto, para 44,3 pontos.

Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo dos 50 pontos, mostram queda da atividade e do emprego. A utilização da capacidade de operação ficou em 57%. Isso significa que o setor manteve fora de operação 43% das máquinas, equipamentos e pessoal no mês passado.

Com a greve dos caminhoneiros, a indústria da construção tem sofrido ainda mais dificuldades para se recuperar da crise econômica. O setor foi o primeiro a sentir os efeitos da recessão e tem enfrentado quedas consecutivas na atividade e no emprego”, afirma a economista da CNI Isabel Mendes.

De acordo com a pesquisa, os índices de expectativas e de confiança dos empresários mostram que não há perspectivas de reação do setor. Com exceção do índice de expectativa de nível de atividade, que recuou para 50,4 pontos, os demais ficaram abaixo dos 50 pontos, mostrando que os empresários esperam queda de novos empreendimentos e serviços, de compra de insumos e matérias-primas e do número de empregados nos próximos seis meses.

Safra travada. A crise logística persiste, com a indefinição sobre a tabela de frete. As tradings de grãos, que compram a produção nas fazendas e exportam o produto, não estão dispostas a pagar o que os caminhoneiros pedem e boa parte dos grãos permanece estocada nos silos e centros de armazenamento.

Esse problema tende a se agravar nos próximos dias, porque começamos a receber a safrinha do milho, que vai ficar sem espaço para estoque”, diz Cristiano Palavro, analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag). O impasse já mexeu com os preços. “As empresas que estão comprando hoje querem pagar R$ 27 (pela saca de 60 quilos). É uma queda de mais de 20%. Os produtores não querem vender imediatamente por causa disso. Cerca 70% da produção ainda não foi negociada.”

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Banco Central reduz previsão de crescimento do PIB de 2018 para 1,6%

Previsão anterior era de crescimento de 2,6%. Relatório citou desaquecimento da atividade econômica no início do ano e impactos diretos e indiretos da greve dos caminhoneiros.

Por Laís Lis, G1, Brasília

28/06/2018 08h29

O Banco Central reduziu para 1,6% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018. O dado consta no Relatório de Inflação divulgado nesta quinta-feira (28). A nova projeção representa um corte de 1 ponto porcentual na previsão fixada no último relatório, quando o BC estimava um crescimento de 2,6% para o PIB.

No documento, o BC aponta que a revisão da previsão de crescimento da economia em 2018 está associada “ao arrefecimento da atividade no início do ano, à acomodação dos indicadores de confiança de empresas e consumidores e à perspectiva de impactos diretos e indiretos da paralisação no setor de transporte de cargas ocorrida no final de maio”.

A previsão do BC está abaixo da estimativa oficial do governo. Em maio, o governo reduziu de 2,97% para 2,5% a previsão de crescimento da economia brasileira em 2018.

Inflação

Também impactada pela paralisação do setor de transportes, que causou desabastecimento de produtos em todo o país, a projeção de inflação de 2018 foi elevada pelo BC de 3,8% para 4,2%. Já para 2019, o BC reduziu a previsão de inflação de 4,1% para 3,7%.

O BC estima uma “expressiva aceleração” na inflação mensal de junho por causa da paralisação dos caminhoneiros e da mudança da bandeira tarifária aplicada nas contas de luz. A taxa extra está em seu patamar mais alto.

Ressalte-se, que apesar da aceleração projetada para os próximos meses, a retomada da atividade em ritmo mais gradual que o esperado e a propagação inercial do baixo patamar inflacionário são fatores que contribuem para manutenção da inflação em patamar reduzido, sobretudo no segmento de serviços e em medidas de inflação subjacente”, escreveu o BC.

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Copom decide pela segunda vez seguida manter taxa de juros em 6,5% ao ano

Em comunicado, Banco Central diz que decisão se deve à perspectiva de que a meta de inflação para este ano será cumprida, apesar de volatilidade no mercado e alta de preços provocada por greve dos caminhoneiros.

Por Yvna Sousa, G1, Brasília

20/06/2018 18h01 Atualizado há 10 horas

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu nesta quarta-feira (20), pela segunda vez consecutiva, manter a taxa básica de juros em 6,5% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado financeiro.

De outubro de 2016 a março deste ano, a chamada Selic foi cortada 12 vezes seguidas e chegou a 6,5%, o menor patamar desde o início do regime de metas para a inflação, em 1999.

Na reunião de maio, porém, o BC decidiu manter os juros neste patamar, o que encerrou o ciclo de cortes. A decisão ocorreu em meio à volatilidade no cenário externo que tem causado forte desvalorização do real frente ao dólar.

Em comunicado divulgado no início da noite desta quarta, o BC informou que a perspectiva de que a meta de inflação para este ano será cumprida justifica a manutenção da Selic em 6,5% ao ano (leia mais abaixo).

A expectativa dos analistas é de que a taxa permaneça em 6,5% ao ano até o final de 2018. Para o ano que vem, os economistas preveem elevação da Selic, encerrando 2019 em 8% ao ano.

Para que serve a Selic?

A cada 45 dias, o Copom calibra o patamar da Selic buscando o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%. O sistema prevê uma margem de tolerância, para mais ou para menos. Por isso, a meta é considerada formalmente cumprida pelo Banco Central caso fique entre 3% e 6%.

Como a Selic é a taxa básica de juros da economia, ela serve como referência para todas as demais taxas cobradas das famílias e empresas.

Quando a inflação está alta, o Copom eleva a Selic. Dessa forma, os juros cobrados pelos bancos tendem a subir, encarecendo o crédito (financiamentos, empréstimos, cartão de crédito), freando o consumo e reduzindo o dinheiro em circulação na economia. Com isso, a inflação cai.

O Copom reduz os juros quando avalia que as perspectivas para a inflação estão em linha com as metas determinadas pelo CMN.

A taxa é mantida quando o Copom identifica o cenário como positivo, mas identifica riscos para o cumprimento da meta de inflação no futuro.

Volatilidade e greve dos caminhoneiros

O Copom informou que, apesar da volatilidade no cenário externo e do aumento de preços causado pela greve dos caminhoneiros, a perspectiva é de que a meta de inflação, de 4,5% em 2018, seja alcançada, o que justifica a manutenção da Selic no patamar de 6,5% ao ano.

"Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", diz o comunicado.

O Copom informa ainda no documento que a greve dos caminhoneiros, que se estendeu por 11 dias durante o mês de maio, "dificulta a leitura da evolução recente da atividade econômica".

"Dados referentes ao mês de abril sugerem atividade mais consistente que nos meses anteriores. Entretanto, indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da referida paralisação", diz o texto.

Com a paralisação dos caminhoneiros, houve falta de produtos em todo o país, o que fez seus preços dispararem. Foi o caso do gás de cozinha e dos combustíveis.

O BC avalia que, apesar de impactar a inflação no curto prazo, a greve não chegou a comprometer a perspectiva de crescimento da economia para este ano, mas que esse processo ocorrerá de forma "mais gradual". Também não elevou o risco de não cumprimento da meta, uma vez que os indicadores de inflação seguem em "níveis baixos".

"O cenário básico contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, em ritmo mais gradual. (...) O Comitê julga que, no curto prazo, a inflação deverá refletir os efeitos altistas significativos e temporários da paralisação no setor de transporte de cargas e de outros ajustes de preços relativos. As medidas de inflação subjacente ainda seguem em níveis baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária", avalia o Copom.

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Banco Central e Tesouro foram 'tímidos' para conter turbulência de mercados, diz economista-chefe do banco Safra

Carlos Kawall disse que fundamentos da economia não justificam dólar perto de R$ 4, mesmo diante de pressões internacionais; para ele, greve dos caminhoneiros atrasou recuperação da economia.

Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1

21/06/2018 06h00 Atualizado há 2 horas

O economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall, avalia que o Banco Central e o Tesouro Nacional atuaram - ao menos no início - de forma tímida para conter a pressão dos mercados num cenário já bastante difícil pela piora das condições externa e incerteza com o quadro eleitoral.

Nas últimas semanas, os ativos brasileiros enfrentaram forte turbulência - o dólar chegou a se aproximar de R$ 4. Para mitigar esse movimento, o BC injetou mais dólares no mercado e, assim, buscou conter a desvalorização do real, enquanto o Tesouro aumentou o programa de recompra de títulos com o objetivo diminuir a pressão no mercado de juros.

"Eles entraram tímidos demais, o que acabou fazendo com o que o mercado entrasse num estresse excessivo", afirmou Kawall em entrevista concedida ao G1. "Isso gera perdas nos investidores e depois eles se retraem, então há um menor apetite por risco."

Na avaliação de Kawall, ex-secretário do Tesouro, houve um descolamento dos preços dos ativos dos fundamentos da economia nesse período de turbulência, sobretudo porque o Brasil tem apresentado bons resultados no setor externo.

"Dado tudo o que ocorreu no contexto internacional, um dólar hoje a R$ 3,20, R$ 3,30, não parece ser mais o quadro. Mas não se justifica ele ter chegado perto de R$ 4. Os nossos fundamentos externos - balança comercial, fluxo de dólares - estão muito bons. Não era para tanto. "

A conversa com Kawall faz parte de uma série de entrevistas com economistas para debater o atual estágio da economia brasileira e os caminhos para a retomada do crescimento. Veja aqui as entrevistas já realizadas.

A seguir os principais trechos da entrevista concedida ao G1.

Entrevista com Carlos Kawall

Como o sr. avalia o quadro da economia neste ano?

O ritmo de crescimento da economia neste ano decepcionou. Hoje trabalhamos com um crescimento de 2%, mas já há um viés de baixa, entre outras coisas por causa da greve dos caminhoneiros.

É possível dimensionar o efeito da greve na economia?

Tem um efeito passageiro da greve, mas tem um efeito permanente. É a atividade que o Brasil perdeu e não recupera mais.

A gente avalia que o impacto é de 0,2 ponto percentual de subtração no crescimento do País. Agora, o que mais me preocupa é que estamos vivendo um aperto de condições financeiras.

Como o sr. avalia os últimos movimentos do mercado?

O que vivemos nas últimas semanas foi uma piora das condições financeiras. A bolsa de valores chegou a perder o patamar de 70 mil pontos. Isso desestimula operações do mercado de capitais, torna as empresas um pouco mais conversadoras. O risco-Brasil em alta também dificulta emissões lá fora. Tudo isso leva a um cenário de maior cautela no ambiente empresarial que já vinha sendo reforçado pela incerteza eleitoral e agregado a isso tem esse desfecho ruim da greve dos caminhoneiros.

Qual foi o problema com a negociação com os caminhoneiros?

Na verdade, o que o governo concedeu e compensou na área fiscal nem foi o problema. Mas a questão do frete está prolongando excessivamente (a questão). Isso gera um impacto inflacionário num prazo grande e um efeito negativo na atividade.

Esse movimento até passa, mas o que fica é algum abalo na confiança dos agentes econômicos e esse aperto nas condições financeiras.

A greve dos caminhoneiros foi o estopim para essa piora?

Foi um agravante. Lá fora tem a alta do dólar, o que fez com que o Banco Central adotasse uma postura mais conservadora na reunião de maio. A gente também começou a ver de abril para cá um maior desconforto do mercado frente ao quadro eleitoral em aberto e diante da pouca tração das candidaturas presidenciais de centro.

Isoladamente, a crise dos caminhoneiros não teria tido esse impacto, mas na esteira disso tudo, tomar um choque daqueles evidentemente não ajuda.

Antes da greve dos caminhoneiros já havia uma piora com a atividade econômica. O que frustrou?

O consumo não está vindo tão forte. O desemprego subiu muito, o nível de endividamento das famílias no Brasil ainda é relativamente elevado. Segundo, a incerteza eleitoral está se perpetuando por um período mais longo. Terceiro, a construção civil, seja na parte de imóveis residenciais ou comerciais, e, particularmente, na infraestrutura ainda não mostrou tração. E aí tem tanto o governo investindo pouquíssimo como o grande fracasso das privatizações do antigo governo que ficaram inviabilizadas pela Operação Lava Jato.

Toda essa turbulência obrigou o Banco Central e o Tesouro a atuar no mercado. Como o sr. viu essa resposta?

Eles entraram tímidos demais o que acabou fazendo com o que o mercado entrasse num estresse excessivo. O Tesouro demorou mais tempo para encarar de frente o problema. Foi um pouco reticente e houve uma piora muito grande nos mercados. Isso gera perdas nos investidores e depois eles se retraem, então há um menor apetite por risco. Até a bolsa, único mercado que não é diretamente influenciado por qualquer tipo de intervenção, acabou caindo mais, o que é ruim para o lado real da economia.

Os dois (BC e Tesouro) pecaram inicialmente pela timidez, depois corrigiram. Mas uma vez que o leite foi derramado é mais difícil os mercados voltarem a funcionar da maneira como estavam funcionando antes.

Houve um descolamento dos fundamentos da economia?

Dado tudo o que ocorreu no contexto internacional, um dólar hoje a R$ 3,20, R$ 3,30, não parece ser mais o quadro. Mas não se justifica ele ter chegado perto de R$ 4. Os nossos fundamentos externos - balança comercial, fluxo de dólares - estão muito bons. Não era para tanto. Outro agravamento nesse cenário foi a tese de que o Banco Central teria de subir os juros. Nós temos o regime de metas de inflação e subir os juros seria quase como uma violação dessa regra. Com as expectativas ancoradas, a atividade decepcionando e a inflação muito baixa, não faz o menor sentido falar em alta dos juros neste momento. Tudo isso também contaminou os mercados, causou uma pressão na curva de juros, no dólar, então houve um estresse financeiro maior do que ele deveria ter sido dado os nossos fundamentos.

O que pode ser feito diante desse quadro de tanta incerteza?

É preciso fazer uma transição (política) menos desfavorável possível do ponto de vista da atividade, tentar pelo menos normalizar os mercados e evitar uma piora adicional na confiança.

O grande ponto é o que será o dia seguinte da eleição, independentemente de quem ganha. Será um compromisso com a política econômica atual, com a reforma da Previdência ou não?

Qual é a avaliação do sr.? A Previdência vai sair?

Eu sou mais otimista do que a média porque os principais candidatos estão falando em alguma reforma da Previdência. Não há muito incentivo em alterar uma agenda que está garantindo alguma recuperação, juros e inflação muito baixos. A agenda (de reformas) coloca para o futuro presidente um dilema: se ele mexe em tudo isso ou se continua, que parece ser a opção mais provável. Isso remente a transição presidencial de 2002, a mais parecida com a atual. No final, a opção acabou sendo manter a política econômica prevalecente. É o cenário mais provável e a probabilidade da reforma da Previdência ocorrer é de 60%, 70%. Se você me perguntar qual será o presidente, não sei responder. Só estou achando que esse caminho parece o mais lógico e racional.

A dúvida é saber, então, é sobre a qualidade da reforma da Previdência?

Sim, o principal ponto é que reforma sai, o timing dela. Se pudéssemos até movê-la no Congresso antes do final do ano, melhor. Aí o governo ganha um fôlego para, com serenidade, atacar outras frentes, como a tributária. Tem várias agendas que são importantes até para crescer mais. Eu acho que será um alto custo rever as coisas que já foram feitas, como a reforma trabalhista, o teto de gastos. Se quiser começar desfazendo aquilo que foi feito, é a pior hipótese possível.

Qual será a consequência se essas políticas foram desfeitas?

Seria voltar para status quo anterior do qual você está tentando sair.

Os investidores enxergam esse cenário de que o próximo governo trará essa continuidade?

Acho que ainda há muita incerteza. Quando você faz um cenário, é preciso uma premissa. Agora, há muito ceticismo e o mercado reflete isso. As pesquisas, a pulverização dos candidatos cria muita incerteza.

O sr. citou a reforma da Previdência e tributária. O que mais tem de estar na agenda do próximo governo?

Dentro da agenda fiscal, há outras mudanças que precisam ser feitas. Por exemplo, abono salarial. Tem que ser revisto em sequência à Previdência. É difícil? É. É uma reforma constitucional. Tem outras coisas que o governo pode mudar em benefícios sociais como pensão por morte, seguro-desemprego. Será preciso dar um tratamento para o salário mínimo porque a lei (fórmula que leva em consideração o resultado do PIB de dois anos antes e a variação do INPC ) expira no começo do ano. O mais lógico é não prever aumento real durante alguns anos, deixar estreitamento ligado à inflação, que é o que a constituição já garante.

Há também o salário do funcionalismo. Não há outra alternativa a não ser deixar o funcionalismo sem aumento por algum tempo ou com alguma correção abaixo da inflação. E existem outras agendas que não são complexas do ponto de vista legal como a abertura econômica, reformas microeconômicas e privatização.

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Greve dos caminhoneiros deflagra guerra dos lobbies por benefício fiscal

Planalto repassou para setores da indústria a conta do acordo firmado com os grevistas para encerrar a paralisação e deu início a uma batalha em Brasília; agora, representantes das empresas tentam derrubar o pacote no Congresso

Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2018 | 18h49

BRASÍLIA - A indústria de bebidas da Zona Franca de Manaus briga para retomar o benefício que lhe dava desconto no pagamento de impostos. A indústria química e os exportadores também estão fazendo barulho em Brasília para não perderem incentivos tributários. Empresas de outros 39 segmentos lutam contra o fim da desoneração da folha de pagamentos. Ninguém quer pagar a conta da “bolsa caminhoneiro” – o subsídio de R$ 0,46 dado pelo governo no preço do diesel para encerrar a greve de 11 dias que paralisou o País em maio.

O acordo do Planalto com os grevistas, oficializado há 20 dias, repassou a fatura do desconto no combustível para vários setores da indústria e deflagrou uma guerra de lobbies em Brasília por benefícios fiscais. Em outra frente, ruralistas começaram a fazer pressão, com uma enxurrada de ações na Justiça, pelo fim da tabela que instituiu preços mínimos para o frete rodoviário – outra concessão do Planalto aos caminhoneiros. 

No centro dessa disputa está um governo fragilizado e sem capital político para fazer frente aos lobbies. “Diversos grupos vão tentar extrair benefícios e dificilmente vai sair uma resposta coordenada do Planalto”, diz o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

Os setores que não conseguiram se livrar do pacote em prol dos caminhoneiros agora se movimentam no Congresso para que deputados e senadores derrubem as medidas. Essa pressão tem a ajuda de parlamentares que defendem seus interesses. A bancada do Amazonas, por exemplo, não quer perder o apoio da indústria de bebidas na Zona Franca de Manaus, em pleno ano eleitoral. 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) arregimentou parlamentares de confiança para lutar contra o fim do programa de incentivo tributário aos exportadores (Reintegra), do programa da indústria química (Reiq), e da desoneração da folha de pagamento.

Todos esses programas foram criados em gestões petistas e são criticados por economistas liberais, por custarem caro e não surtirem os efeitos esperados. Alguns desses incentivos estavam na mira do governo há um tempo. A equipe econômica aproveitou para incluí-los no pacote de medidas que compensam o custo de R$ 13,5 bilhões com o subsídio do diesel – mas agora está sendo pressionada de todos os lados a voltar atrás. Para analistas políticos, a chance de a indústria conseguir reverter o pacote no Congresso é grande. 

O episódio dos caminhoneiros foi apenas o exemplo mais recente da longa trajetória de sucesso de grupos de interesse, que chantageiam o governo”, diz o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper. “Deixamos a situação se degradar ao não enfrentar as corporações e as consequências serão danosas.”

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Greve dos caminhoneiros teve impacto de R$ 15 bi na economia, calcula Fazenda

Número foi discutido nesta segunda-feira, 11, pelo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia e economistas do setor privado

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 16h47

 A equipe econômica estima que o impacto da greve dos caminhoneiros custou ao país R$ 15 bilhões, ou 0,2% do PIB. De acordo com o Ministério da Fazenda, o número foi discutido nesta segunda-feira, 11, em reunião com o ministro Eduardo Guardia e economistas do setor privado, em São Paulo. 

Nesta segunda-feira, Guardia admitiu que o governo poderá rever para baixo a previsão oficial para o crescimento da economia neste ano, que está em 2,5%. Ele observou, porém, que essas previsões são reavaliadas a cada dois meses na programação orçamentária e que não faria revisões a cada semana. A aposta do mercado é que o PIB cresça menos do que 2% em 2018. 

Guardia chegou a dizer que algumas estimativas sobre o impacto da paralisação estavam exageradas e que os economistas já vinham observando perda de ritmo da economia antes da greve.

"Revemos a previsão a cada dois meses, quando divulgamos a programação orçamentária. Então, vamos continuar fazendo isso. Pode ser uma revisão para baixo", afirmou. 

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Greve de caminhoneiros será suspensa se governo retirar tributação sobre diesel, diz Abcam

Câmara aprova projeto da reoneração que elimina cobrança de PIS-Cofins sobre diesel até o fim de 2018; medida ainda precisa ser votada pelo Senado.

Por G1

24/05/2018 08h54 Atualizado há menos de 1 minuto

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) afirmou nesta quinta-feira (24) que as paralisações e protestos que acontecem pelas estradas do país Brasil serão suspensos se o governo retirar a PIS/Cofins e a Cide incidentes sobre os combustíveis e a medida entrar oficialmente em vigor.

O presidente da entidade, José da Fonseca Lopes, disse entrevista à rádio CBN, que a redução de 10% na cotação do diesel pelo período de 15 dias, anunciada na noite de quarta-feira pela Petrobras, "não é suficiente" e não resolve a situação.

"Sói vai ser suspenso quando governo bater o martelo", disse Lopes, acrescentando que a categoria tem uma nova reunião marcada com o governo às 14h, em Brasília.

"Se na reuniçao e hoje o Ministro Padilha e todos os participantes anunciarem: Olha, está aqui, o presidente assinou. O PIS-Cofins está fora até o final do ano, ou do outro ano. Daí o movimento é suspenso", afirmou.

Ele defendeu a adoção de uma política clara de preços, para que os caminhoneiros possam se planejar e não sejam surpreendidos a cada dia por um valor diferente nas bombas.

Na noite de quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, o projeto que elimina a cobrança de PIS-Cofins sobre o diesel até o fim de 2018. A proposta ainda precisa ser analisada pelo Senado, antes de seguir para a sanção presidencial.

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