(31) 3235-8100

contato@amarilfranklin.com.br

noticiaNOTÍCIAS

Indicadores divulgados nesta quarta-feira, 22, mostram retomada tímida, com melhora da produção industrial, das vendas do varejo e do emprego; para economistas, liberação do recursos do PIS/Pasep está tendo efeito semelhante ao do FGTS inativo no ano passado

Eduardo Rodrigues, Lu Aiko Otta, Daniela Amorim e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018

A liberação dos saques do PIS/Pasep deu um fôlego à economia em julho, com aumento da produção industrial puxado pela expectativa da volta do consumo das famílias. Indicadores econômicos divulgados nesta quarta-feira, 22, apontam para uma retomada da economia depois do choque provocado pela greve dos caminhoneiros. A sustentabilidade do crescimento, no entanto, é questionada pelos economistas por causa das incertezas do cenário eleitoral.

Entre as divulgações que foram feitas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o setor teve o melhor julho em quatro anos. O Ministério do Trabalho anunciou a criação de 47 mil empregos com carteira assinada no mês passado no País, no melhor desempenho para julho em seis anos. Também houve tímida melhora nos indicadores de vendas no varejo e os consumidores já se mostram mais propensos às compras neste mês, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Estamos no início do segundo semestre do ano, quando costuma haver um aumento na atividade. Mas o resultado de julho deste ano foi mais forte do que em 2017 e melhor do que os de 2014, 2015 e 2016, quando a produção caiu por causa da crise”, avaliou o economista da CNI Marcelo Azevedo.

Para o professor de economia da FGV, Mauro Rochlin, a indústria pode estar se preparando para absorver a demanda que surgirá com a liberação dos saques do Abono Salarial do PIS/Pasep para pessoas de todas as idades. De acordo com o Ministério do Planejamento, desde o fim do ano passado, quase 5 milhões de cotistas já sacaram R$ 6,6 bilhões do PIS/Pasep.

Os saques do PIS/Pasep terão um impacto significativo, a exemplo dos saques de contas inativas do FGTS no ano passado. O setor está se preparando para este ‘soluço’ no consumo, mas ainda não dá para soltar fogos e afirmar que já há uma recuperação em marcha”.

Com a intenção de injetar recursos na economia, o governo começou no ano passado a afrouxar as regras para saque do fundo do PIS/Pasep. Cerca de R$ 17 bilhões ainda podem ser resgatados até dia 28 de setembro sem restrição de idade. Somando quem tem mais de 60 anos, a estimativa do Ministério do Planejamento é que a medida tem potencial para injetar R$ 39 bilhões na economia.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o PIS/Pasep ajudará também nos resultados do terceiro trimestre. Ele vê uma tendência de recuperação “importante” na economia. “A greve dos caminhoneiros afetou o crescimento deste ano, mas não o matou completamente.”

Segundo o consultor Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B, o aquecimento da atividade industrial se explica por três fatores. O primeiro é que, após a queda provocada pela greve, as indústrias recuperaram seus índices de produção em junho e isso “transbordou” para julho. O segundo é um efeito sazonal: as encomendas para as festas de fim de ano, que já começam a ser feitas. O terceiro é a taxa de câmbio em níveis competitivos para exportadores brasileiros.

E a economia mundial continua indo bem, apesar das turbulências”, diz. “Tem demanda para os nossos produtos. Mas estamos reféns da política. Muitas decisões podem ser adiadas.”

Azevedo, da CNI, lembra que o ritmo de recuperação da indústria tem sido limitado pelas incertezas sobre a economia, desde a confiança do consumidor ao indefinido cenário eleitoral. “Apenas religar máquinas não permite o salto no emprego que se daria com o retorno dos investimentos em novas fábricas.”

O economista da CNC, Antonio Everton, reforça que a melhora no varejo vai depender da reação do mercado de trabalho. “O nível de emprego está melhor que no ano passado, mas as perspectivas para a economia não são tão boas como poderiam ser.” A confederação prevê que as vendas no varejo ampliado, que inclui os segmentos de veículos e material de construção, cresçam 4,5% em 2018. A intenção de consumo das famílias, apurada pela CNC, cresceu 0,6% em agosto em relação a julho.

Publicado em Notícia

Economia fraca mostra continuidade da queda na contratação, diz indicador de emprego da FGV

Quarta queda consecutiva do indicador antecedente de emprego, que acumulou perda de 11,5 pontos no primeiro semestre, sinaliza continuidade da fase de desaceleração do ritmo de aumento do total de pessoal ocupado no Brasil.

Por G1

10/07/2018 08h57 Atualizado há menos de 1 minuto

O Indicador Antecedente de Emprego, da Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 5,6 pontos em junho, para 95,5 pontos, retornando ao patamar próximo ao de janeiro de 2017 (95,6 pontos). A quarta queda consecutiva do indicador, que acumulou perda de 11,5 pontos no primeiro semestre, sinaliza continuidade da fase de desaceleração do ritmo de aumento do total de pessoal ocupado no Brasil.

A queda mostra a perda de confiança de uma maior geração de emprego ao longo dos próximos meses. A atividade econômica mais fraca observada pelos indicadores do primeiro semestre reflete uma situação atual e futura dos negócios mais difícil. O crescimento está abaixo do previamente esperado e, com isso, a consequência deverá ser uma menor contratação”, afirma Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista da FGV IBRE.

Em junho, o Indicador Coincidente de Desemprego, semelhante à taxa de desemprego, aumentou pelo segundo mês consecutivo, ao variar 0,6 ponto, para 97,1 pontos, mesmo nível de fevereiro deste ano. Ou seja, quanto maior o número, pior o resultado.

A taxa de desemprego ainda elevada e a recuperação mais lenta da atividade econômica se refletem na estabilidade do índice em relação ao início do ano. Essa estabilidade mostra que a situação atual do mercado de trabalho continua difícil, principalmente para as classes de baixa renda”, diz Barbosa Filho.

Todos os componentes registraram variação negativa entre maio e junho. Os indicadores que mais contribuíram para a queda foram os que medem a situação atual dos negócios nos setores da indústria de transformação e de serviços, com variações, de -9,7 e -9,4 pontos na margem, respectivamente.

As classes que mais contribuíram para a alta do Indicador Coincidente de Desemprego foram as dos grupos de consumidores que têm renda familiar mensal até R$ 2.100 e que estão acima de R$ 9.600, cujos indicadores de emprego recuaram 3,6 e 1,4 pontos, respectivamente.

Publicado em Notícia

Construção teve piora na atividade e no nível de emprego com greve

Sondagem da CNI mostra que setor foi um dos mais afetados pela paralisação; empresários não preveem melhora

André Borges, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 04h00

BRASÍLIA- A indústria da construção amargou fortes prejuízos com a greve dos caminhoneiros, nos últimos 11 dias de maio. A interrupção no transporte de insumos causou queda da atividade e aumento da ociosidade, além de ter afetado negativamente a expectativa dos empresários, segundo a Sondagem da Indústria da Construção, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

A atividade recuou 2,5 pontos, de 46,9 em abril para 44,4, em maio, na maior retração registrada desde dezembro de 2014, quando o indicador apresentou queda de 3,6 pontos. O indicador sobre emprego recuou 0,3 ponto, para 44,3 pontos.

Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo dos 50 pontos, mostram queda da atividade e do emprego. A utilização da capacidade de operação ficou em 57%. Isso significa que o setor manteve fora de operação 43% das máquinas, equipamentos e pessoal no mês passado.

Com a greve dos caminhoneiros, a indústria da construção tem sofrido ainda mais dificuldades para se recuperar da crise econômica. O setor foi o primeiro a sentir os efeitos da recessão e tem enfrentado quedas consecutivas na atividade e no emprego”, afirma a economista da CNI Isabel Mendes.

De acordo com a pesquisa, os índices de expectativas e de confiança dos empresários mostram que não há perspectivas de reação do setor. Com exceção do índice de expectativa de nível de atividade, que recuou para 50,4 pontos, os demais ficaram abaixo dos 50 pontos, mostrando que os empresários esperam queda de novos empreendimentos e serviços, de compra de insumos e matérias-primas e do número de empregados nos próximos seis meses.

Safra travada. A crise logística persiste, com a indefinição sobre a tabela de frete. As tradings de grãos, que compram a produção nas fazendas e exportam o produto, não estão dispostas a pagar o que os caminhoneiros pedem e boa parte dos grãos permanece estocada nos silos e centros de armazenamento.

Esse problema tende a se agravar nos próximos dias, porque começamos a receber a safrinha do milho, que vai ficar sem espaço para estoque”, diz Cristiano Palavro, analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag). O impasse já mexeu com os preços. “As empresas que estão comprando hoje querem pagar R$ 27 (pela saca de 60 quilos). É uma queda de mais de 20%. Os produtores não querem vender imediatamente por causa disso. Cerca 70% da produção ainda não foi negociada.”

Publicado em Notícia