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Mercados chineses e europeus caem com novas ameaças tarifárias dos EUA

Governo americano ameaça de taxar bens exportados pela China totalizando US$ 200 bi; chineses prometem represálias comerciais caso Washington cumpra com suas novas ameaças.

Por G1

11/07/2018 08h22 Atualizado há 30 minutos

Os mercados acionários da China caíram nesta quarta-feira (11), após três dias consecutivos de ganhos, e o iuan enfraqueceu depois que os Estados Unidos ameaçaram com mais tarifas de importação sobre produtos chineses, intensificando o conflito entre as duas maiores economias do mundo.

As bolsas de valores europeias também operavam em queda nesta quarta com a escalada na disputa comercial entre os EUA e a China, após ganhos seguidos de seis sessões.

A China acusou os Estados Unidos de intimidação e alertou que vai responder depois que o governo norte-americano elevou o tom na disputa comercial, ameaçando com tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses na terça-feira. O montante corresponde a 40% das vendas chinesas anuais para os EUA.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,74%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,78%.

O Ministério do Comércio da China disse estar "chocado" com a mais recente ação de Washington, que ocorre poucos dias depois de ambos os países adotarem tarifas sobre US$ 34 bilhões em produtos um do outro, e aumenta as apostas de uma disputa comercial mais acalorada que tem abalado os mercados financeiros de todo o mundo.

Os investidores estão particularmente preocupados com o fato de que a crise do comércio possa prejudicar a economia chinesa já em desaceleração, em um golpe para os investimentos e o crescimento globais. Analistas disseram que as preocupações domésticas também pesam sobre as ações.

"A julgar pelos fundamentos econômicos (da China) e pelas expectativas de resultados corporativos, que estão sob pressão em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, o mercado de ações ainda não alcançou os níveis mais baixos", disse Yan Kaiwen, analista da China Fortune Securities.

O iuan abriu a 6,6694 por dólar no mercado doméstico e foi cotado a 6,6674 no fechamento oficial, queda de 0,4% no dia. No mercado internacional, o iuan estava a 6,6945 às 7h30 (horário de Brasília), queda de 0,63%.

As perdas na China pressionaram as bolsas no restante da Ásia e o índice MSCI, que reúne ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão, tinha queda de 1,1%.

Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 1,19%, a 21.932 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,29%, a 28.311 pontos. Em Xangai, o índice SSEC perdeu 1,78%, a 2.777 pontos.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, retrocedeu 1,74%, a 3.407 pontos. Em Seul, o índice Kospi teve desvalorização de 0,59%, a 2.280 pontos. Em Taiwan, o índice Taiex registrou baixa de 0,74%, a 10.676 pontos.

Em Cingapura, o índice Straits Times desvalorizou-se 0,79%, a 3.249 pontos. Em Sydney o índice S&P/ASX 200 recuou 0,68%, a 6.215 pontos.

Na Europa, o índice Euro STOXX 50 índice caía 1,11%, enquanto o DAX alemão, forte em exportações, caía 1,23%, e o FTSE 100 britânico recuava 1,13%. Os índices CAC 40 e Ibex 35 recuavam 1,1%.

A ameaça de impor tarifas sobre uma lista de importações chinesas atinge ativos de risco globalmente. No caso da Europa, os setores mais expostos à ação são os de recursos básicos e os automóveis.

Retaliação da China

O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quarta-feira que está "chocado" e que irá reclamar junto à Organização Mundial do Comércio, mas não afirmou imediatamente como vai retaliar. Em comunicado, chamou as ações dos EUA de "completamente inaceitáveis".

O Ministério das Relações Exteriores descreveu as ameaças de Washington como "intimidação típica" e disse que a China precisa contra-atacar para proteger seus interesses.

"Essa é uma luta entre unilateralismo e multilateralismo, protecionismo e livre comércio, poder e regras", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, nesta quarta-feira.

Pequim afirma que vai responder contra as medidas tarifárias de Washington, incluindo através de "medidas qualitativas", uma ameaça que empresas norte-americanas na China teme que possa significar algo como inspeções mais duras ou atrasos em aprovações de investimentos ou mesmo boicotes ao consumidor.

Os US$ 200 bilhões superam de longe o valor total de bens que a China importa dos EUA, o que significa que Pequim pode precisar pensar em maneiras criativas de responder a tais medidas dos EUA.

Lista de produtos

Na terça-feira, autoridades dos EUA divulgaram uma lista de milhares de importações chinesas que o governo norte-americano quer atingir com as novas tarifas, incluindo centenas de produtos alimentícios e agrícolas, como soja, milho, algodão e peixes.

A lista inclui ainda tabaco, componentes químicos, carvão, aço e alumínio, petróleo e gás natural, papel, plástico, bolsas, malas de viagem, produtos com vime, tecidos e antiguidades, provocando críticas de alguns grupos industriais dos EUA.

"Por mais de um ano, a administração (do presidente Donald) Trump pediu pacientemente à China que pare com suas práticas injustas, abra seu mercado e se empenhe em competição legítima de mercado", disse o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, ao anunciar as tarifas propostas.

"Em vez de tratar de nossas preocupações legítimas, a China começou a retaliar contra os produtos dos EUA...Não há justificativa para tal ação", completou ele em comunicado.

Na semana passada, Washington impôs tarifas de 25% sobre US$ 34 bilhões em importações chinesas, e Pequim respondeu imediatamente com tarifas equivalentes sobre importações americanas de 545 produtos americanos. Foram afetados pela medida alguns dos principais produtos de exportação americanos, como soja, carne de porco, frutos do mar e veículos elétricos.

Outra bateria de tarifas chinesas, ainda sem data para vigorar, vai atingir mais US$ 16 bilhões em produtos americanos, dessa vez afetando exportações de petróleo bruto, gás natural e alguns refinados de petróleo. As hostilidades no plano comercial entre as duas potências afetam outros países, como o Brasil.

Publicado em Notícia

China diz que vai contra-atacar 'a qualquer preço' medidas tarifárias dos EUA

Governo Trump anunciou na véspera que estuda impor mais US$ 100 bilhões em tarifas contra produtos chineses após retaliação da China.

Por Agencia EFE

06/04/2018 07h22 Atualizado há 1 hora

A China advertiu, nesta sexta-feira (6), que vai "contra-atacar" contundentemente as medidas tarifárias dos Estados Unidos e afirmou estar preparada para pagar o preço de uma guerra comercial que, embora não deseja, não tem medo a ela.

"Se os Estados Unidos persistirem no seu comportamento de unilateralismo e protecionismo comercial, ignorando a oposição da China e da comunidade internacional, a China vai continuar até o final a qualquer preço e contra-atacará contundentemente", garantiu o Ministério do Comércio chinês, através de um comunicado.

As autoridades chinesas responderam desta forma ao presidente americano Donald Trump, que ontem anunciou que estuda impor US$ 100 bilhões em tarifas sobre a China, adicionais aos US$ 50 bilhões já anunciados a centenas de produtos chineses, como resposta às tarifas com as quais Pequim castigou Washington esta semana.

"Não queremos uma guerra comercial, mas não tememos ela", reiterou o Ministério do Comércio chinês, acrescentando que observarão as ações que serão tomadas agora por Washington, mas que, "sem dúvida alguma", tomarão novas medidas "para defender com contundência o interesse do país e do povo".

Após criticar novamente o protecionismo adotado por Trump contra o livre-comércio, a China insistiu que vai a seguir com sua reforma e abertura, a proteção do sistema multilateral de comércio e a facilitação do investimento global.

Denúncia na OMC

Como já tinha advertido, Pequim apresentou formalmente, ontem, à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma denúncia contra os EUA pelas tarifas impostas aos produtos chineses alegando que estas cargas excedem os juros consolidados por Washington e são incompatíveis com o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GAAT).

A crescente tensão entre as duas potências econômicas fez com que o secretário-geral da ONU, António Guterres, insistisse hoje para a necessidade de diálogo, horas antes de viajar para a China onde participará do Fórum de Boao, um encontro de líderes econômicos e políticos considerados o "Davos Asiático".

Tensão entre EUA e China

Na quarta-feira (4), a China anunciou que vai taxar em 25% as importações dos EUA sobre produtos como soja, aviões, carros, carne, uísque e produtos químicos. A medida foi uma resposta direta aos planos do governo Trump de sobretaxar cerca de 1.300 produtos chineses.

O gigante asiático, que é o segundo maior parceiro comercial dos EUA, já tinha anunciado a imposição de taxas para um conjunto de 128 produtos americanos, em resposta às tarifas que Washington anunciou no mês passado sobre as importações de aço e alumínios chineses.

Washington critica em particular o sistema de coempresa imposto por Pequim às companhias americanas. Com o sistema, as empresas que desejam ter acesso ao mercado chinês precisam, obrigatoriamente, associar-se a um grupo local e compartilhar com este sua tecnologia.

Trump sempre menciona também o colossal déficit comercial dos Estados Unidos com a China, de US$ 375,2 bilhões em 2017, para justificar as medidas protecionistas.

Efeitos para o Brasil

As tarifas impostas pela China sobre os produtos importados dos Estados Unidos poderiam favorecer as vendas da soja brasileira para o gigante asiático, caso sejam de fato aplicadas, disseram ao G1 especialistas. Este seria, no entanto, um benefício pontual frente aos prováveis efeitos negativos que a guerra comercial poderia trazer ao Brasil.

Dependendo de como a tensão entre China e EUA se desdobrar, é possível que as tarifas, se aplicadas, abram espaço para as exportações da soja brasileira no mercado chinês”, disse o diretor da escola de investimentos internacionais do Grupo L&S, Liberta Global, Leandro Ruschel.

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